Inglaterra

Atuação da Inglaterra não foi uma surpresa

Não foi uma estreia ruim. No entanto, assim como já apontavam os prognósticos, não se pode esperar muito da Inglaterra na Euro 2012. Diante da postura da França na primeira partida, os ingleses foram os principais beneficiados com o empate por 1 a 1. De qualquer forma, a equipe de Roy Hodgson terá que demonstrar outras virtudes se quiser avançar às quartas de final. Ser sólida na defesa, mas quase nula no ataque, não adiantará muito à seleção nos dois próximos jogos.

Basicamente, não houve nenhuma mudança drástica no English Team em relação aos amistosos realizados nas últimas semanas. Apesar das expectativas sobre a adoção de um sistema com cinco homens no meio de campo, Hodgson seguiu com seu 4-4-2 tradicional, ainda que Gerrard, Oxlade-Chamberlain e Milner se projetassem um pouco mais nas subidas ao ataque. Além disso, o treinador manteve a mesma escalação da vitória sobre a Bélgica, exceção feita apenas ao lesionado Gary Cahill.

E, assim como foi contra os belgas, os ingleses demonstraram grande coesão entre suas duas linhas no campo de defesa. Exceção feita justamente ao gol de Nasri, foram raros os momentos nos quais os franceses encontraram espaços para definir. Ao todo, foram 12 finalizações bloqueadas, entre elas duas que, se não acabassem nas redes, ao menos iam dar trabalho para Joe Hart – que, por sinal, não foi tão confiável quando se imaginava, embora tenha crescido durante a partida.

Diante estilo de troca de passes da França, também seria natural que a Inglaterra interceptasse diversas bolas, como de fato fez. Porém, impressionou mais ainda a capacidade da equipe em desarmar os adversários, especialmente os homens do meio de campo. Gerrard, Parker e Milner, juntos, roubaram a bola 17 vezes. Mais que isso, Terry e Lescott também ajudaram bastante na antecipação das jogadas, mesmo que tenham se postado recuados demais em alguns momentos.

Dentre os adversários, ninguém foi mais sufocado que Karim Benzema. O centroavante mal conseguia ser acionado e, quando o fazia, já tinha um inglês em seu encalço. O único dos astros dos Bleus a ter um pouco mais de espaço foi Nasri e, ainda assim, apenas no primeiro tempo. Não à toa, diante da excelente proteção feita por Scott Parker na cabeça de área, os franceses precisaram abusar das finalizações de fora da área ao longo da partida.

Os elogios ao empenho dos jogadores na defesa, contudo, desaparece na análise de produtividade ofensiva da Inglaterra. Foram somente três finalizações e Gerrard, principal encarregado na armação, pouco conseguiu criar. A equipe não pode contar nem com o lampejo de Ashley Young, que tinha garantido os resultados positivos nos amistosos. Cabaye engoliu na marcação o jogador do Manchester United, que mal tocou na bola durante os 90 minutos.

Com a faixa central do campo ocupada, os ingleses foram buscar jogo pelas laterais. Glen Johnson se alternou bem com Milner pela direita, enquanto Oxlade-Chamberlain não sentiu o peso da responsabilidade, chegando a ser individualista demais em alguns momentos. O problema é que, mesmo se avançassem até a linha de fundo, os jogadores não tinham muitas opções de jogada.

Welbeck se movimentou e saiu da área para tabelar, mas seu voluntarismo pouco adiantou. A falta de um centroavante, que pudesse aproveitar as bolas cruzadas a esmo, foi sentida durante parte do jogo. Andy Carroll certamente não repetiria a entrega de Welbeck, embora desse uma alternativa a mais de definição – e talvez os dois pudessem ser utilizados, diante do sumiço de Young. De qualquer maneira, sem a referência, o time acabou limitado à precisão de Gerrard nas bolas paradas, o que ao menos rendeu uma vez.

Diante das peças que tem a disposição, se Hodgson for fiel ao esquema tático, não há muitas alterações a se fazer. Relevando-se as perdas de bola um pouco frequentes, Milner parece ter definitivamente conquistado o lugar que antes era de Downing do lado direito do campo. E Oxlade-Chamberlain se saiu bem no primeiro teste, dando velocidade na saída de jogo e opção para os contra-ataques.

Nos próximos três dias, o ponto-chave para Roy Hodgson será encontrar uma maneira de se impor diante dos suecos sem deixar muitos espaços para os contra-ataques. E os ingleses talvez resolvam seu destino antes da volta de Wayne Rooney, único jogador capaz de aumentar a capacidade ofensiva de um time que, na primeira impressão, mostra que não é nada além de coeso – mas que, com o camisa 10, pode ter a qualidade a mais que necessita para chegar longe na competição.

Curtas

– Enquanto as atenções estão voltadas à Euro, os clubes ingleses têm tempo para se planejar para a próxima temporada. Até aqui, são poucas as contratações confirmadas. Eden Hazard e Shinji Kagawa são investimentos altos de Chelsea e Manchester United, mas com boas chances de se confirmarem, após duas temporadas em alto nível. Podolski é o reforço de peso que muitos esperavam no Arsenal. Romain Amalfitano é nova aposta francesa do Newcastle e Brett Holman chega ao Aston Villa após boa temporada no AZ.

– Já entre os técnicos, as maiores expectativas se concentram na chegada de Brendan Rodgers ao Liverpool, após grande trabalho à frente do Swansea. E o comandante promete manter em Anfield sua filosofia de jogo, prezando pela posse de bola e a busca pelo ataque. Sobre o tema, a análise de Ubiratan Leal quanto a visão dos donos dos Reds é bastante interessante.

– E, falando em milionários que resolvem investir no futebol inglês, o assunto da semana foi a transformação sofrida pelo Cardiff City. Os novos donos malaios mudaram as cores e o escudo do clube galês, trocando o tradicional pássaro azul por um dragão vermelho como símbolo. Por mais que a injeção de dinheiro possa finalmente concretizar o acesso da equipe à Premier League, jogar fora a tradição não agradou em nada os torcedores.

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Equipe Trivela

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