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Ativista de direitos humanos é um dos que vão ao tribunal hoje por racismo no metrô de Paris

O revoltante caso de racismo que marcou o encontro entre Paris Saint-Germain e Chelsea, em fevereiro deste ano – em que torcedores dos Blues impediram Souleymane S. de entrar no metrô e cantaram canções racistas para o francês –, está perto de um desfecho. Nesta quarta-feira, quatro dos torcedores identificados no vídeo vão ao tribunal para tentar a anulação de sua exclusão de cinco anos de partidas do time londrino. O mais curioso – e lamentável – da história é o fato de que um dos ingleses é diretor de uma organização de direitos humanos.

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Richard Barklie, de 50 anos, é um ex-policial e, segundo a imprensa inglesa, há alguns anos trabalha em uma organização de direitos humanos, da qual é, atualmente, o diretor. A função do torcedor foi o principal argumento de sua defesa. Nas palavras de Kevin Winters, seu advogado, não havia como alguém com tal registro de atividades em comunidades carentes africanas ter se envolvido nos atos racistas, apesar de seu cliente ter sido identificado nas filmagens.

“Como alguém que passou anos trabalhando com comunidades desfavorecidas na África e na Índia, ele pode recorrer a seu currículo de trabalho com direitos humanos, o que mina qualquer sugestão de que ele seja racista. O sr. Barklie tem um carnê de temporada do Chelsea e viaja para partidas há mais de 20 anos, sem incidente algum. Ele viajou sozinho para a partida contra o Paris Saint-Germain e não tem conhecimento algum das identidades das outras pessoas mostradas no vídeo. Ele quer enfatizar que não estava e nuncas esteve em qualquer grupo ou facção de torcedores do Chelsea. Ele não participou de nenhum coro racista e condena qualquer comportamento que reforce isso. Ele aceita que estava envolvido no incidente em que uma pessoa, agora conhecida como Souleymane S., não pôde entrar em uma parte do trem”, afirmou Winters, à época.

Além de Barklie, Joshua Parsons e Jordan Munday, de 20 anos, e William Simpson, de 26, são os outros torcedores que estarão na audiência desta quarta. A punição que lhes foi imposta ainda em fevereiro determinava que, por cinco anos, eles não poderiam assistir a jogos do Chelsea no Reino Unido e que, em dias em que o clube viajasse para alguma partida no exterior, deveriam entregar seus passaportes temporariamente. Dean Callis, de 32 anos, outro dos identificados e punidos, já anunciou que acatará a sanção.

Embora seja facilmente explicada pela repercussão enorme e imediata que o caso teve, ainda é louvável a rapidez com que a decisão pela punição dos racistas foi tomada. A postura do Chelsea, de se colocar prontamente do lado de Souleymane também é digna de elogios. Apesar de um tanto quanto óbvia, a escolha não é a mais recorrente entre clubes de futebol, que às vezes preferem acobertar seus torcedores perpetradores, apenas pela tentativa de manter intacta a imagem da instituição.

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Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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