Inglaterra

Aston Villa: quarto maior inglês

Com uma rica história e conquista até da predecessora da Champions League, Aston Villa tem uma camisa pesada no futebol inglês

Se perguntarmos hoje para qualquer fã do futebol internacional quais são os principais times do campeonato inglês, certamente ouviremos os nomes de Manchester United, Liverpool, Arsenal e Chelsea. Os resultados das últimas temporadas de fato não deixam dúvida de que essas são as quatro forças da Inglaterra na atualidade, contudo, uma análise mais ampla nos mostra que está faltando um clube na lista dos maiores; o Aston Villa.

Pode parecer estranho que um clube muitas vezes caracterizado como “mediano” e que se aviva em nossa memória mais pelas cores do uniforme do que pelo futebol propriamente dito, seja uma das potências do futebol inglês. A história, no entanto, mostra que o Villa não é apenas um “grande”, mas sim o quarto time em número de conquistas importantes no futebol bretão.

De mero passatempo a clube profissional

O Aston Villa Football Club foi formado em março de 1874 por quatro membros do Villa Cross Wesleyan Chapel, time de críquete da cidade de Birmingham. De acordo com relatos da época, o futebol surgiu como um passatempo dos esportistas, que procuravam alguma atividade capaz de mantê-los em forma durante o rígido inverno inglês. A primeira partida oficial do clube foi contra uma equipe de rúgbi conhecida como Aston Brook St Mary’s. Como os dois times não praticavam o mesmo esporte, um acordo foi feito e metade da partida foi disputada “com a bola nas mãos” e outra metade com ela “nos pés”.

Sendo um dos primeiros clubes do incipiente futebol inglês, o Villa começou a faturar títulos logo nos primórdios de sua história, sendo o primeiro deles a Birmingham Senior Cup, conquistada em 1880. Daí pra frente a equipe se consolidou no futebol inglês e dominou o cenário nacional durante toda a década de 1890, com a conquista de nada menos do que cinco títulos ingleses e três FA Cups. Nas décadas seguintes o clube manteve o bom desempenho e faturou mais um título inglês, na temporada 1909-1910, e outras três FA Cups, em 1905, 1913 e 1920.

Os troféus conquistados colocaram o Aston Villa na condição de principal força do futebol inglês até a metade dos anos 30, quando era o maior campeão da Inglaterra. Contudo, a duradoura época de títulos não foi suficiente para salvar o time dos péssimos resultados dentro de campo e, em 1936, os Leões caíram para a segunda divisão nacional. O retorno veio na temporada seguinte. As glórias demoraram um pouco mais.

O salvador Ron Saunders

Durante toda a década de 40 (época em que as competições de futebol chegaram a ser suspensas em função da Guerra) e metade da década seguinte, os Villans se tornaram meros coadjuvantes no futebol britânico, acumulando desempenhos medíocres nas principais competições do país. A má fase só seria revertida na temporada 1956-57 com uma arrancada fenomenal na FA Cup que culminou com a vitória do Villa sobre os lendários “Busby Babes”, do Manchester United.

O título, no entanto, não foi suficiente para trazer a equipe de volta às glórias de outrora e o Aston Villa alternou, ao longo de pelo menos outras duas décadas, campeonatos medianos e rebaixamentos ocasionais, sendo o pior caso o descenso para a terceira divisão na temporada 1969-1970. O vexame, no entanto, serviu de estímulo para o clube passar por uma reformulação completa, tanto dentro quanto fora de campo. A diretoria foi trocada e a comissão técnica passou a ser chefiada, em 1973, pelo treinador Ron Saunders. Após conseguir o acesso para a segunda divisão em 71, ainda antes da chegada do novo comandante, o Villa comandado por Saunders voltou à elite no ano de1977, com um time que serviria de base para a época mais vitoriosa dos Leões.

Três anos após o retorno à liga principal, os Villans surpreenderam a Inglaterra e faturaram o título da primeira divisão na temporada 1980-81. A conquista marcou o fim de um jejum de 71 anos sem o troféu e a elevação de Saunders à condição de mito dentro clube. O Villa, contudo, não parou por aí.

No topo da Europa

Com o título inglês no peito, o Aston Villa participou da Copa dos Campeões da Europa (atual Champions League) no ano de 1982. Apesar de disputar o torneio com potências como o Liverpool, campeão europeu de 81, Anderlecht e Juventus, o Villa se aproveitou de uma certa sorte nos emparelhamentos para chegar com facilidade até as quartas-de-final. Saunders, no entanto, decidiu deixar o clube no meio da competição alegando problemas com a diretoria do clube.

Para seu lugar veio o assistente-técnico Tony Barton que, mesmo sem o carisma e fama de seu ex-chefe, foi capaz de levar os Villans até à final da competição contra o poderoso Bayern de Munique. Na partida decisiva, a equipe inglesa contou com uma atuação de gala do goleiro reserva Nigel Spink, que entrou logo aos 10 minutos da primeira etapa, e com o faro de gol do atacante Peter Withe para vencer o jogo por 1 a 0. A conquista levou clube ao topo do continente europeu e a um outro posto invejável: o Villa é um dos únicos quatro ingleses a ter faturado a competição (os outros três são Manchester United, Liverpool e Nottingham Forest).

No ano seguinte a equipe levou também a Supercopa Europeia diante do Barcelona, mas, como já era de praxe em sua história, novamente amargou resultados pífios após conquistas memoráveis. O clube chegou a ser rebaixado novamente para a segunda divisão na temporada 1986-87, mas voltou à elite do futebol inglês em 1989, sendo um dos fundadores da atual Premier League.

Contudo, a “nova era” do torneio não significou a volta dos grandes títulos para os Leões. O clube teve durante todos os anos 90 desempenhos satisfatórios (incluindo um segundo lugar na temporada 92-93 e duas League Cups), mas longe daquele time fantástico de 80-82.

A reformulação

Se a década de 90 marcou um período de consolidação do Aston Villa como time mediano, os fins dos anos 2000 trouxeram mudanças e novas esperanças para os fãs. Em 2006 o então presidente por 23 anos, Doug Ellis, decidiu vender o clube para o empresário Randy Lerner, dono da equipe de futebol americano Cleveland Browns. Junto à Lerner chegou o técnico Martin O’Neill, gabaritado por importantes conquistas no Celtic entre 2000 e 2005. Apostando no projeto de O’Neill, o Villa decidiu investir em um elenco competitivo e sem grandes estrelas, mas com muito espaço para os jovens das categorias de base e contratados de outros clubes. O projeto provou-se acertado e a melhora de rendimento da equipe foi instantânea. Em apenas três temporadas, os Villans passaram da incômoda 16ª posição do campeonato inglês (2005-2006) para a atual briga por uma vaga na Champions League.

É difícil dizer se o Aston Villa terá fôlego para superar Chelsea e Arsenal na briga pra ficar entre os quatro primeiros nesta temporada. A história, no entanto, diz que não devemos em hipótese alguma subestimar o tal “time mediano do uniforme esquisito”.

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