Assim foi a temporada

Começamos hoje o balanço da temporada 2010-11. Na coluna desta semana, sete times, em ordem alfabética. Na próxima semana, mais sete, e daqui a duas semanas encerramos com os seis restantes.
Arsenal
Colocação final: 4º (previsão Trivela: 3º)
Técnico: Arsène Wenger?
Maior vitória: Arsenal 6×0 Blackpool (21/8)?
Maior derrota: Stoke 3×1 Arsenal (8/5)
Competição continental: Eliminado nas oitavas da LC
Principal jogador: Robin van Persie (A, Holanda)?
Decepção: Laurent Koscielny?
Artilheiro: Robin van Persie (18 gols)??
Nota da temporada: 5
A derrota na final da League Cup em 28 de fevereiro de 2011 foi o componente para acelerar o desmoronamento anual do Arsenal. O que aconteceu de fato, porém, sabemos, foi o exato contrário. A partir dali, a equipe ganhou apenas dois jogos, empatou em casa com o quase rebaixado Blackburn e viu sua temporada acabar quase do mesmo jeito que todo ano, mas pior: em 4o na classificação final, os Gunners terão que começar a temporada antes que todo mundo, e ainda correm o risco de ficar fora da LC.
Os problemas foram os de sempre: goleiro ruim, zagueiros pouco confiáveis, elenco jovem e “bundão” e contusões seguidas de suas estrelas. Se nesta temporada a queda foi ainda maior, é apenas sinal de que nem o elenco Gunner consegue mais se motivar para brigar pelo terceiro lugar e mais nada. Wenger insistiu em todos os erros do passado, suas contratações (Koscielny, caríssimo, e Squillaci, barato) ou pouco jogaram ou fizeram feio. E o treinador, agora, fala em contratar “jogadores altos”.
Há anos dizemos isso: o modelo que Wenger tenta implantar nos Gunners não funciona para um time que quer chegar a títulos importantes. Seus jogadores não têm a qualidade que se esperaria que chegassem a ter, os que têm (Van Persie) quase não jogam, e falta caráter ao grupo. Jogadores altos podem dar ao time uma jogada de bola parada que ele não tinha, mas não impedirão que ele se desconcentre de maneira inexplicável no meio das partidas – e dos campeonatos. O 4o lugar desse ano pode voltar a ser 3o, mas pode virar 5o no ano que vem. Para virar 1o, tem que mudar quase tudo.
Aston Villa
Colocação final: 9º (previsão Trivela: 9º)
Técnico: Gérard Houllier/Gary McAllister
Maior vitória: A. Villa 4×1 B’Burn (26/2)?
Maior derrota: Newcastle 6×0 A. Villa (22/8)?
Competição continental: Eliminado na pré-Liga Europa
Principal jogador: Stewart Downing (MC, Inglaterra)
Decepção: Stephen Ireland
Artilheiro: Darren Bent (9 gols)??
Nota da temporada: 6
A temporada do Aston Villa foi uma zona difícil de descrever. O time perdeu o técnico semanas antes do começo dos trabalhos, se viu envolvida em uma novela na venda de James Millner para o City e, quando finalmente contratou o novo treinador, Gerrard Houllier, acabou sem ele nos últimos meses por motivo de saúde. O 9o lugar pode ser visto com alívio, principalmente por quem chegou a namorar com a zona de rabaixamento (e entrar nela na 21a rodada).
O que fica de positivo para o próximo ano são as boas atuações de seus principais jogadores. Ashley Young teve mais um ano bom, e Stewart Downing desenvolveu o futebol que no ano passado pouco saiu. E Darren Bent marcou nove vezes em 16 jogos, sendo fundamental para a melhoria do desempenho do time.
O futuro dos Villains depende fundamentalmente de quem vai chegar para o comando, e de quem vai ou não sair. Se Young e Downing, como tudo indica, forem vendidos, a equipe começa do zero. Seu proprietário, entretanto, tem dinheiro para mantê-los, e para contratar um técnico que possa tirar o time da pasmaceira mediana em que se encontra há anos.
Birmingham
Colocação final: 18º (previsão Trivela: 15º)
Técnico: Alex McLeish
Maior vitória: B’ham 2×0 B’pool (23/10); B’ham 2×0 Sunderland (16/4)
Maior derrota: Man Utd 5×0 B’ham (22/1); Liverpool 5×0 B’ham (23/4)?
Principal jogador: Sebastian Larsson (MC, Suécia)?
Decepção: Aliaksandr Hleb
Artilheiro: Craig Gardner (8 gols)??
Nota da temporada: 5
Foram os 90 minutos finais que transformaram uma temporada que poderia ser nota 7 em uma nota 5, mas embora tenha caído de fato só na última rodada, foi a partir da 35a que o desastre se desenhou. O Birmingham chegou a ser 14o na 26a rodada, posição à qual voltou na 32a, antes dos jogos contra Chelsea e Liverpool fora. Na 35a, era o 16o, confortavelmente for a da zona da morte, e com jogos em casa contra Wolves e Fulham.
Os Blues empataram o primeiro, perderam o segundo, e o resto é história.
Não é que Alex McLeish tivesse uma equipe de craques, mas fica claro que a conquista histórica da Copa da Liga desnorteou o time. Ao contrário do Arsenal, entretanto, o Birmingham conseguiu voltar ao campeonato, mas vacilou nas partidas citadas acima. O motivo da queda, porém, não é mistério: 37 gols marcados em 38 jogos. Não dá para disputar a primeira divisão inglesa com estes números.
Blackburn
Colocação final: 15º (previsão Trivela: 13º)
Técnico: Steve Kean
Maior vitória: B’Burn 3×0 Wolves (4/12)?
Maior derrota: Man Utd 7×1 B’Burn (27/11)?
Principal jogador: Christopher Samba (D, Congo) ?
Decepção: Roque Santa Cruz
Artilheiro: Nikola Kalinic, Junior Hoillet, Jason Roberts (5 gols)??
Nota da temporada: 3
A direção do Blackburn, que pertence e uma enorme produtora indiana de frango, ganha, sem competição, o troféu Roman Abramovich do ano. Começou o ano com Sam Allardyce no comando, vindo de uma temporada em que, depois de ter brigado para não cair no ano anterior, acabou em 10o lugar. O time é trista de ruim, e basta ver quem foram os artilheiros e destaque da temporada para perceber. Seus donos, porém, acharam que o 13o lugar era pouco, e mandaram Allardyce embora no meio de dezembro.
A partir daí foi ladeira abaixo, e o Blackburn só se livrou da queda na última rodada, quando bateu o Wolves – fez 3 a 0 e depois quase cedeu o empate. A partir de fevereiro a equipe conseguiu nada mais do que duas vitórias – venceu o Bolton, além dos Wolves. Empatou em casa com Birmingham e Blackpool. Para completar, o ex-ídolo Roque Santa Cruz, que chegou no meio do ano como salvador da pátria, foi um fracasso montruoso. Temporada para esquecer, mas que pode vir a ser lembrada como o começo da embicada para baixo.
Blackpool
Colocação final: 19º (previsão Trivela: 20º)
Técnico: Ian Holloway
Maior vitória: Wigan 0x4 B’pool (14/8)?
Maior derrota: Arsenal 6×0 B’pool (21/8)?
Principal jogador: Charlie Adam (MC, Escócia)?
Decepção: Andy Reid
Artilheiro: DJ Campbell (13 gols)??
Nota da temporada: 7
Sim, previmos que o Blackpool seria o último colocado e cairia. E o time foi o penúltimo e caiu. O que é bastante enganoso, não fosse só pelo fato de que a queda só aconteceu na última rodada – embora estivesse desenhada desde a anterior. O Blackpool, entretanto, não fez feio, muito pelo contrário: jogou um futebol ofensivo, um dos mais vistosos da Liga, e acabou o ano com a inglaterra toda torcendo para que não caísse.
A queda, porém, era inevitável: a equipe levou nada menos do que 78 gols em 38 jogos, média superior a dois gols por partida. Apesar disso, o Blackpool revelou à Premier League Charlie Adam, além de ter contado com boas atuações de DJ Campbell. O que dificilmente consolará o torcedor, já que ambos devem deixar a equipe. Subindo como azarão, porém, o Blackpool deixou uma marca positiva em seu ano de Premier League.
Bolton
Colocação final: 14º (previsão Trivela: 16º)
Técnico: Owen Coyle
Maior vitória: Bolton 5×1 Newcastle (20/11)?
Maior derrota: Bolton 0x4 Chelsea (24/1)?
Principal jogador: Gary Cahill (D, Inglaterra)?
Decepção: Ivan Klasnic
Artilheiro: Johan Elmander (10 gols)??
Nota da temporada: 6
Assim como na temporada passada, o Bolton terminou a Premier League em 14o. Uma olhada nas duas campanhas, porém, mostra retratos totalmente diferentes. Se no ano passado o time nunca passou da 12a colocação e flertou abertamente com o rebaixamento, neste ano chegou a ocupar a quarta colocação e, até a antepenúltima rodada, era o oitavo. A má colocação final é cortesia de cinco derrotas nos cinco jogos finais. A quipe de Owen Coyle, entretanto, mostrou potencial para, pelo menos, atrapalhar os times que de fato brigam por algo.
De um ano para o outro, porém, a coisa degringolou. A lesão de Stuart Holden, que vinha sendo fundamental, prejudicou demais a equipe, mas é difícil imaginar que o Bolton pudesse sustentar a boa forma mesmo com o americano em campo. O que interessa ao torcedor agora é saber se Owen Coyle é capaz de reproduzir na próxima temporada o que conseguiu na primeira metade desta. E sem seu artilheiro, Johan Elmander, que já deixou a equipe.
Chelsea
Colocação final: 2º (previsão Trivela: 1º)
Técnico: Carlo Ancelotti
Maior vitória: Wigan 0x6 Chelsea (14/8); Chelsea 6×0 West Brom (21/8)?
Maior derrota: Chelsea 0x3 Sunderland (14/11)?
Competição continental: Eliminado nas quartas de final da LC
Principal jogador: Didier Drogba (A, Costa do Marfim)?
Decepção: Fernando Torres
Artilheiro: Florent Malouda (13 gols)??
Nota da temporada: 6
Um dia certamente surgirão teorias conspiratórias sobre o que aconteceu em Stamford Bridge em 14 de novembro de 2010. O Chelsea era líder do campeonato com tranquilidade, jogava em casa com o então 11o colocado do campeonato, que era ninguém mais que o Sunderland. O Sunderland havia ganho até ali três jogos, todos em casa, e dias antes tomara 5 a 1 do arquirival Newcastle. Os Blues, por outro lado, tinham ganho nove vezes e perdido apenas para Liverpool e Man City fora de casa. Tinham marcado 28 gols e sofrido 5. E, mesmo assim, os Black Cats saíram de lá com um estrondoso 3 a 0.
Foi nas nove rodadas entre a derrota para o Sunderland e a derrota (por 1 a 0) contra os Wolves que o Chelsea abandonou a luta pelo título. Nestes jogos, apenas uma vitória, quatro derrotas – uma para o rebaixado Birmingham – e quatro empates. A partir da 22a rodada, o Chelsea só voltou a perder na antepenúltima, no jogo em Old Trafford que selou definitivamente o título dos Devils. E os 20 pontos perdidos no período certamente teriam feito muita diferença na briga pelo título, não só na reta final.
Os motivos da derrocada na verdade são mais claro que os da arrancada. Elenco velho, desmotivado, jogadores com muito poder e pouco caráter e um treinador especialista em abaixar a cabeça para o dono, mas que não conseguiu se impor. A chegada de Fernando Torres – e sua titularidade na LC – acabaram por minar o que ainda havia de credibilidade em Ancelotti dentro do grupo. O Chelsea continua dependendo de Drogba, que não é mais menino, e de Lampard, que sumiu quase a temporada toda. E só não foi pior porque os adversários também não foram bem.



