Arsenal foge do apocalipse, mas ainda está longe do céu
O Arsenal viveu semanas negras entre o final de fevereiro e o início de março. Vexame contra o Blackburn na Copa da Inglaterra, massacre contra o Bayern Munique na Liga dos Campeões e derrota no clássico contra o Tottenham. Fora do Top Four, os Gunners davam coro aos mais pessimistas, que previam a hecatombe com o clube fora da próxima Champions, algo que não acontece desde 1997/98.
A sequência de sustos serviu para que Arsène Wenger botasse ordem na casa. A passagem às quartas de final da LC não veio, mas os londrinos fizeram o Bayern suar frio em Munique. Já nas últimas cinco rodadas da Premier League, os Gunners contam com a melhor campanha entre os 20 participantes, conquistando 13 pontos em 15 possíveis. Adversários sem tanto peso, é verdade, mas um desempenho que serviu para recolocar o clube na terceira posição e botar panos quentes na crise. Ainda que que não garanta um futuro melhor.
Neste sábado, o Arsenal foi até Craven Cottage e fez sua parte contra o Fulham. Com um jogador a mais desde os 12 minutos de jogo, os Gunners venceram por 1 a 0, graças a gol de Per Mertesacker em jogada aérea. Não que o time tenha se esforçado muito para tanto. Os visitantes até criaram mais chances, mas foram pouco produtivos pelo tanto de tempo que ficaram com a bola nos pés. Algo recorrente nesta temporada.

E, assim como o triunfo contra o Fulham merece ressalvas, as condições do time na tabela da Premier League devem ser observadas com cuidado. O Arsenal é o terceiro colocado, com 61 pontos, dois a mais que o Chelsea e cinco a mais que o Tottenham. Contudo, ambos os rivais entraram em campo duas vezes a menos na competição.
Olhando para os próximos dois jogos de Blues e Spurs, é provável que o Arsenal caia para o quarto lugar. O Chelsea deve conquistar ao menos dois pontos contra Liverpool, em Anfield, e Swansea City, em Stamford Bridge. Já o Tottenham terá muito mais trabalho ante Manchester City, em White Hart Lane, e Wigan, no Estádio DW.
O Arsenal, por sua vez, não deverá ter moleza em suas últimas quatro partidas. Pega o Manchester United, que pode comemorar o título no Emirates, além de Wigan e Newcastle, que lutam contra o rebaixamento. Vida um pouco mais fácil, apenas contra o Queens Park Rangers, possivelmente morto no campeonato no início de maio.
Para alívio dos Gunners, ao menos, as próximas rodadas guardam jogos tão difíceis quanto para Chelsea e Tottenham. Os Blues têm pela frente o Manchester United, além de Everton e Aston Villa. Por sua parte, os Spurs encaram Southampton, Stoke City e Sunderland, todos correndo o risco de degola. Além do mais, haverá o dérbi londrino em Stamford Bridge, que poderá matar um dos dois e abrir o caminho para Arsène Wenger se safar.
Diante dessa perspectiva, o Arsenal não está tão próximo assim do céu, mas também tem uma folga ante o apocalipse que se aproximava. Embora a matemática não diga isso, o time depende apenas de suas próprias forças para estar na próxima Liga dos Campeões. Para tanto, precisa ser mais incisivo contra adversários que devem vir com sangue nos olhos. O melhor jeito de buscar a redenção na temporada que vem sem sentir uma pressão ainda maior.



