Por que o Arsenal deve ser protagonista da próxima janela de transferências
Enquanto Chelsea viu maior prejuízo da história para um time inglês, finanças dos Gunners continuam apontando para o lado positivo
A janela de transferências de junho, entre as temporadas 2025/26 e 2026/27, deve ter o Arsenal como um dos principais protagonistas. Isso devido aos últimos registros financeiros dos Gunners apontarem que o clube está bem posicionado para ser “muito competitivo” na busca de reforços.
Com um investimento considerado médio em contratações na temporada 2024/25 — cerca de 88 milhões de libras (aproximadamente R$ 540 milhões na cotação da época) –, o clube registrou um prejuízo total de apenas 1,4 milhão de libras (R$ 6,3 milhões) no ano fiscal referente àquela temporada, enquanto obteve receita recorde de 691 milhões de libras (R$ 4,3 bilhões).
A projeção dos números positivos ao fim daquela temporada ajudou o Arsenal a fazer grandes investimentos na janela que antecedeu a temporada 2025/26, quando o clube investiu 247,3 milhões de libras (cerca de R$ 1,56 bilhão) para a contratação de sete jogadores, sem contar os possíveis valores adicionais.
E de acordo com o analista em finanças do futebol Kieran Maguire, os Gunners seguem em posição sólida para investir mais em seu elenco.
— O Arsenal não tem qualquer receio em cumprir as regras do Fair Play Financeiro da Uefa, as regras da relação custo-benefício do elenco ou as regras atuais e futuras da Premier League — afirmou Maguire em entrevista ao jornal “The Standard”.
Isso se deve, em grande parte, ao fato da folha salarial do clube equivaler apenas a cerca de 50% da receita. Segundo o relatório “Deloitte Football Money League” de 2025, os Gunners eram o segundo time da Premier League com a melhor relação entre folha salarial e receita, com 53%, atrás apenas do Tottenham (42%).
A receita de 691 milhões de libras é valor recorde para o clube. O grande responsável foi o setor comercial, que subiu de 218,3 milhões de libras para 263,2 milhões de libras, impulsionadas por um aumento de 27% no sucesso das operações de varejo, segundo o analista.
— Os resultados financeiros do Arsenal mostram que o investimento e a estratégia empregados pelos membros mais experientes do clube deram resultado, tanto dentro como fora de campo — pontuou Maguire.

Mudança de preço de ingressos deve aumentar receita do Arsenal
A receita do Arsenal pode ser impulsionada nos próximos anos por causa dos dias de jogos. Recentemente, o clube anunciou que os preços dos ingressos para a temporada aumentarão pela quinta temporada consecutiva, desta vez em uma média de 3,9%.
O Arsenal atribuiu a mudança ao aumento dos custos operacionais nos dias de jogo e à necessidade de continuar investindo no elenco. O anúncio gerou repercussão negativa entre os torcedores.
O clube chegou a ser acusado pelos torcedores de agir como a Fifa com a introdução de uma nova categoria de ingressos de alto valor, ato que gerou polêmica durante a venda dos bilhetes para a Copa do Mundo.
— Embora os torcedores não fiquem necessariamente felizes com o aumento dos preços, eles transformaram o clube do ponto de vista comercial — afirmou o analista.
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Chelsea registra prejuízo histórico
Na contramão do Arsenal, o Chelsea registrou o maior prejuízo antes dos impostos na história do futebol inglês na temporada 2024/25. O relatório “European Club Finance and Investment Landscape”, publicado anualmente pela Uefa, inclui os 10 clubes com os maiores prejuízos em determinada temporada.
A equipe londrina ficou em último lugar na temporada passada e a dimensão do prejuízo chamou a atenção. Em sua terceira temporada completa sob a gestão de um consórcio liderado pela Clearlake Capital e Todd Boehly, o clube registrou um déficit de 342 milhões de libras antes dos impostos.
Apenas o prejuízo do Barcelona em 2020/21 superou o valor dos Blues. Naquela temporada, os catalães registraram valor negativo de 409 milhões de libras (481 milhões de euros, cerca de R$ 2,9 bilhões).
O registro ocorreu em um ano impactado tanto pela pandemia de Covid-19 quanto pelo retorno de Joan Laporta ao cargo de presidente. Naquela ocasião, o clube catalão optou, posteriormente, por registrar custos extraordinários significativos.
A equipe inglesa acumulou prejuízos operacionais expressivos nos últimos anos, ultrapassando 200 milhões de libras em cada uma das três temporadas anteriores à última, devido à queda nas receitas combinada com aumentos consideráveis nos custos.

Entre as despesas extraordinárias que impactaram negativamente os números do Chelsea em 2024/25 está a multa de 27 milhões de libras imposta pela Uefa após os Blues terem violado duas de suas regras financeiras no ano passado.
Como pontuou o “The Athletic”, relatório da Uefa não fornece detalhes completos das finanças individuais dos clubes, portanto, a composição exata do prejuízo recorde não está clara.
Uma fonte revelou ao jornal que essas baixas monetárias incluíam a desvalorização de jogadores, bem como outras baixas de ativos.
A mesma fonte afirmou que o enorme déficit não refletia o desempenho operacional nem como as finanças se apresentarão nas temporadas atual e futuras. A opinião geral era de que a última temporada refletiu uma resolução de problemas antigos.



