Inglaterra

‘Eles podem mais’: O que falta para Gyökeres e Wirtz entregarem mais a Arsenal e Liverpool?

Dois dos maiores reforços do futebol inglês ainda não mostraram tudo que era esperado na temporada

As chegadas de Viktor Gyökeres e Florian Wirtz à Premier League foram duas das grandes novelas do futebol mundial na última janela de transferências. Arsenal e Liverpool comemoraram suas contratações que, no papel, elevariam a equipe de patamar.

O início, no entanto, tem sido mais quieto do que o esperado para a dupla. O ex-Sporting, um dos grandes goleadores do mundo, teve um início tímido e sem grandes oportunidades. Já o maestro alemão teve dificuldades de imprimir seu jogo nos Reds e chegou até a ficar no banco. Por quê?

Apesar das ligas diferentes em comparação à Inglaterra, esperava-se que o destaque em seus antigos clubes fosse traduzido mais rapidamente. Mas, neste momento, o que falta para Gyökeres e Wirtz entregarem todo seu potencial aos seus clubes?

Gyökeres precisa de espaço que é cada vez mais raro

Gyökeres tem três gols em sete jogos pelo Arsenal até o momento — todos na Premier League. Levando em consideração que são três bolas na rede em cinco rodadas de campeonato, não é uma média ruim.

A questão é que o sueco vem de duas temporadas de números absurdos, com mais envolvimento em gols do que jogos pelo Sporting. E apesar de ser o centroavante letal que os Gunners precisavam, fica a sensação de que poderia ainda mais.

Gyökeres marcou pelo Arsenal
Gyökeres marcou pelo Arsenal (Foto: Imago)

O problema de Gyökeres nesse momento é algo parecido com o que Haaland teve de conviver desde sempre no Manchester City: pouco envolvimento no jogo como um todo. Ele é o jogador com menos toques na bola entre titulares do Arsenal que jogaram ao menos 45 minutos nas partidas em que o sueco esteve em campo.

Por outro lado, isso era esperado. O Arsenal controla o jogo de forma mais pausada do que os rivais e até mesmo o domínio exagerado do City não impediu Haaland de quebrar recordes. No entanto, o camisa 14 teve três jogos até aqui sem nenhuma finalização — todos contra rivais, inclusive: Manchester United, Liverpool e Manchester City.

No Sporting, Gyökeres era o jogador que atacava as costas da defesa constantemente, independente do espaço que tinha. Na Premier League, há menos metros para correr, e com um elenco sem Odegaard e Saka nas últimas rodadas, a bola tem chegado com menos frequência ao centroavante.

Além disso, quando consegue sair da pressão e acelerar a construção, o Arsenal tende a levar a bola às laterais para seus pontas criarem em situações de um contra um, e pouco aproveitam o corredor central — onde está Gyökeres. O centroavante também faz corridas diagonais pelas costas da defesa para ser opção em profundidade, mas perde ângulo caso receba.

Mikel Arteta tem tentado mudar para encaixar o sueco. Tanto que o Arsenal tem sido mais direto e vertical do que o normal na atual temporada: seus números de passes longos aumentou e a diversidade tática do time também é maior.

Contra o Manchester United, por exemplo, os Gunners tiveram uma velocidade de ataques diretos de 1,9 metros por segundo, um número bem elevado em comparação com temporadas passadas. Mas contra o Leeds, que defende muito mais baixo, a velocidade caiu para 0,6 metros por segundo.

A ausência de criadores nas últimas partidas, diferentes abordagens dependendo do adversário e menos espaço são questões que Gyökeres tem enfrentado no início de trajetória no Arsenal. Por outro lado, todas são situações que podem e estão mudando, o que é animador para o centroavante, Arteta e a torcida.

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Wirtz: o meia criativo que impacta mais sem a bola do que com ela

A situação de Wirtz, por sua vez, é mais complexa. O alemão é um meia extremamente criativo e habilidoso que se tornou destaque em um sistema fluido com dois “camisas 10”, alas que atacavam a profundidade constantemente e um centroavante mais físico — mas que também teve bons momentos como falso 9.

No Liverpool, a impressão é que Arne Slot ainda não encontrou o melhor lugar para Wirtz, que jogou como meia, ponta-esquerda e atacante no 4-2-3-1 dos Reds. Houve momentos de boas tabelas e entendimento de espaços com e sem a bola.

Wirtz em Burnley x Liverpool na Premier League
Wirtz em Burnley x Liverpool na Premier League (Foto: Imago)

Contra o Newcastle, por exemplo, no gol de Gravenberch, o meia ataca o espaço entrelinhas para receber dentro da área livre. Ele não recebe, mas puxa Joelinton, que não pressiona o volante do Liverpool e abre espaço para uma finalização que acaba em gol.

Segundo dados levantados pela “Sky Sports”, Wirtz é o jogador da Premier League com mais corridas em alta velocidade (59, nove a mais do que o segundo colocado, Bryan Mbeumo). Isso mostra que há muito sendo feito também sem a bola.

A estreia contra o Bournemouth foi um exemplo claro disso. Com menos de cinco minutos, o alemão saía da posição de “camisa 10” no meio para abrir em amplitude, puxando seu marcador consigo e abrindo espaço para conduções de Mac Allister ou janelas de passe para encontrar Ekitiké. Depois, rapidamente infiltrava na área quando a bola chegava nos pontas para ser opção de finalização.

O camisa 7 tem gerado mais perigo sem a bola do que com ela, o que é contrastante com seu estilo de jogo: um meia habilidoso que domina jogos com dribles e passes. Mas se isso ainda não tem se mostrado presente — talvez por conta do ajuste à fiscalidade da liga –, ainda assim há impacto de outra forma.

Claro que Wirtz não tem sido impactante diretamente com gols e assistências como nos tempos de Bayer Leverkusen, mas os motivos pelos quais os Reds o contrataram estão sendo mostrados aos poucos.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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