Arsenal buscou o improvável, mas parou na sua própria rotina de eliminações nas oitavas
A história do Arsenal na Champions League costuma ter capítulos dramáticos nas últimas temporadas. Em geral o time enfrenta times mais fortes nas oitavas de final, luta muito, mas acaba eliminado. Desta vez, tinha um adversário mais fraco, mas o roteiro seguiu: perdeu em casa e teve que buscar a classificação fora. Buscou. Jogou para tentar o improvável, enquanto o Monaco deu uma de Simba em “Rei Leão” e riu na cara do perigo. Um risco grande, porque a hiena Arsenal tentou, mas não conseguiu dar a mordida que classificou. Os 2 a 0 no estádio Louis II vieram com muito esforço, muita raça, mas pouca eficiência. Mesmo com a pressão no final, quem levou a vaga foi o time do técnico Leonardo Jardim. Jogar com tudo no jogo de volta é bom, mas parece uma lição que o Arsenal teima em não aprender: o jogo tem ida e volta. Jogar bem em só uma delas é pouco.
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O Arsenal sabia que precisava acelerar o jogo. Sabia que no mínimo precisaria de dois gols para avançar. Mesmo assim, o ritmo começou lento, com o time tocando muito a bola e o Monaco bem posicionado quase sempre atrás da linha da bola. Montado em um 4-1-4-1, o time francês soube se defender. O time de Arsène Wenger só conseguiu vencer o bloqueio em um passe pelo meio de Welbeck, que recebeu a bola pelo meio e não deu tempo da marcação chegar antes de tocar para Giroud. O atacante chutou, a bola rebateu no goleiro, amassou a sua cara, pegou o rebote e chutou forte, altoe os dois jogadores em cima da linha não conseguiram nem ver por onde a bola entrou. Era o gol que colocava o time à frente aos 36 minutos.
O gol animou um pouco o Arsenal, que tentou ir para cima na base do “vamos que vamos”. Só que só empolgação não gera gol. O segundo tempo manteve o cenário, com o Arsenal rondando o campo de ataque e a área, mas sem conseguir realmente ameaçar o goleiro Subasic. Wenger, então, tentou fazer algo. Colocou em campo Ramsey, um jogador de meio-campo mais leve, para substituir Coquelin. E foi ele mesmo que deu esperança ao time de Londres. Ramsey aproveitou uma bola pipocando dentro da área para chutar forte e estufar a rede. Um 2 a 0 que encheu os torcedores de esperanças. O time continuou tentando, mesmo sem uma organização tão clara. Em uma cobrança de falta que Özil jogou para dentro da área, Giroud tocou de cabeça para boa defesa de Subasic. O Arsenal, nervoso, tentava de qualquer jeito um gol que lhe daria a classificação.
À medida que os minutos passaram, o Arsenal diminuía a organização e tentava chegar de qualquer forma. As bolas na área se seguiam, cruzamentos malucos, pressão, loucura, ranger de dentes, seja o que Deus quiser, haja coração. Mas não foi suficiente. O Arsenal, mais uma vez, caiu nas oitavas de final. Mais uma vez, o time conseguiu a façanha de perder em casa e vencer fora, sendo eliminado nos gols fora de casa – já tinha sido assim em 2013, quando perdeu a vaga para o então favorito Bayern de Munique. Desta vez, carrega o fardo de ter entrado no confronto como favorito, com a sensação que poderia avançar. Não consegue e terá que se contentar por mais um ano em brigar pelo título da Copa da Inglaterra. A última vez que o Arsenal passou das oitavas de final da Champions League foi na temporada 2010/11, quando caiu para o Barcelona.Já são cinco eliminações consecutivas na mesma fase, o que deixa o torcedor dos Gunners bastante irritado. Especialmente quando se sente que dava para passar, como foi nesta terça-feira.
O Monaco tentará repetir o momento épico de 2004, quando foi até a final da Champions League contra o Porto. Desta vez, torcerá por um sorteio favorável para seguir avançando. Como o Porto também chegou às quartas de final, podemos até ter uma repetição daquela final já na próxima fase. Imaginar uma outra final com os mesmos dois protagonistas parece um pouco de otimismo demais. Mas, afinal, sonhar é e graça, não é mesmo?



