Inglaterra

Após longa campanha dos torcedores, ver jogo em pé será permitido em estádios da Premier League a partir de janeiro

O Governo abriu um processo de licenciamento para setores em que torcedores ficam em pé, revertendo uma política de quase 30 anos

A Autoridade de Segurança de Arenas Esportivas do Reino Unido anunciou nesta quarta-feira o início de um processo de licenciamento que permitirá que torcedores assistam às partidas em pé nas duas primeiras divisões da Inglaterra a partir de janeiro, revertendo uma política de quase 30 anos que havia sido implementada após a Tragédia de Hillsborough.

Uma das repercussões daquela tarde de semifinal de Copa da Inglaterra em Sheffield que custou 97 vidas foi uma revolução estrutural nos estádios das duas principais divisões inglesas que erradicou os setores em que torcedores poderiam ficar em pé. Passou a ser obrigatório que houvesse apenas cadeiras e todos deveriam ver os jogos sentados.

O motivo alegado era segurança. As cadeiras limitariam a capacidade do estádio de uma maneira física – cada cadeira comporta um torcedor. No entanto, uma campanha liderada pela Associação dos Torcedores de Futebol discordou da premissa de que seria impossível organizar uma maneira para as pessoas torcerem em pé de maneira segura.

Os últimos anos foram de discussão e avanço. Em fevereiro do ano passado, a Autoridade de Segurança de Arenas Esportivas havia publicado um relatório preliminar que analisou o o comportamento de torcedores em setores que permitem torcedores em pé nos estádios de Borussia Dortmund, Celtic e de clubes das divisões inferiores da Inglaterra – às quais as restrições do Relatório Taylor não se aplicam.

A conclusão é que houve um impacto positivo à segurança e que houve “muito pouco conflito devido à torcida em pé”. Nesta quarta-feira, o órgão público anunciou que os clubes terão até 6 de outubro para entrar com um pedido para oferecer setores para torcida em pé licenciados a partir de 1º de janeiro.

Para serem aceitos, os clubes precisarão comprovar que têm a infraestrutura necessária , principalmente assentos com barreiras e que podem ser fechados para o torcedor ficar em pé ou abertos para que ele se sente, de maneira a manter a lógica de um assento por pessoa. Além disso, esses setores não podem atrapalhar a visão de outros torcedores e precisa haver um Código de Conduta para eles. Esses setores serão avaliados na segunda metade da temporada 2021/22.

Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Tottenham e Wolverhampton já instalaram cadeiras que podem ser fechadas ou abertas em seus estádios em preparação para essa mudança. “Estamos além de felizes em reivindicar a vitória para a campanha da Associação dos Torcedores de Futebol, após prorrogação, pênaltis e mais de alguns replay e adiamentos. O anúncio é o resultado de uma campanha longa de torcedores de futebol. Uma vitória para a pessoa comum com emprego comum que se recusou a aceitar a alegação do Relatório Taylor de que torcer em pé não poderia ser administrado de maneira segura”, afirmou o executivo-chefe da Associação dos Torcedores de Futebol.

O ministro dos Esportes, Nigel Huddleston, destacou que o Governo vinha trabalhando com torcedores e clubes para introduzir torcedores em pé de maneira segura, caso houvesse evidências de que a instalação de assentos com barreiras teria um impacto positivo à segurança do público. “Com a pesquisa independente agora completa, e as torcidas de volta aos estádios ao redor do país, agora é a hora certa de progredir”, disse.

Tradicionalmente, familiares das vítimas de Hillsborough foram contra o retorno de torcida em pé nos estádios ingleses, mas alguns deles passaram a apoiar a campanha nos últimos anos. O grupo oficial de apoio às famílias foi desmembrado no último mês de abril.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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