Ander Herrera quer ser novo Paul Scholes, mas com seu próprio capítulo na história do United

O toque de categoria, de primeira, tirando de Fabianski qualquer chance de defesa foi apenas a mais recente demonstração da técnica apurada de Ander Herrera. O gol que abriu o placar contra o Swansea no fim de semana não foi suficiente para evitar a derrota do Manchester United, de virada, por 2 a 1 para os galeses, mas se houve alguém justificadamente livre das críticas após o mais recente revés, esse alguém é o camisa 23. Em sua primeira temporada na Inglaterra, o jovem basco tem tido poucas oportunidades, mas quando ganha suas chances no time titular sempre deixa claro porque o clube o perseguiu por tanto tempo até garantir sua contratação. A equipe ainda luta para se encaixar e deslanchar, mas Herrera já vislumbra o futuro. Almeja alcançar o nível de importância que Paul Scholes, um dos maiores ídolos da história do clube, conquistou no Old Trafford.
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Quando assinou com o United, Herrera foi comparado por parte da imprensa com Scholes. Aparentemente, o atleta também vê semelhanças em seu estilo com o do ex-jogador dos Red Devils. Inspira-se no antigo camisa 18 para deixar também seu nome na história do Manchester.
“O Paul Scholes talvez seja o maior meio-campista na história do Manchester United. Quero ser o Ander Herrera e quero aprender coisas com o Paul Scholes, com Michael Carrick, com Wayne Rooney. Espero que um dia possa ser tão importante (quanto Scholes) para os torcedores, mas tenho que trabalhar muito, muito duro para isso. Mas tenho 25 anos. Tenho muito o que aprender com meus companheiros, com grandes jogadores como Paul Scholes – e quero aprender”, afirmou, em entrevista ao jornal Manchester Evening News.
Ainda durante a pré-temporada nos Estados Unidos, Herrera demonstrou o que era capaz de fazer e empolgou parte da torcida sobre o que esperar do camisa 23 quando as competições iniciassem. No entanto, uma lesão logo no início da campanha e depois a teimosia de Van Gaal em deixar o jogador no banco de reservas, mesmo quando claramente faltava criatividade ao time durante os jogos, brecou um pouco o crescimento do espanhol no clube.
Apesar dos obstáculos, Ander Herrera não decepcionou quando esteve em campo. Nos nove jogos em que começou como titular na temporada, anotou cinco gols e deu três assistências. Balançou a rede mais vezes que, por exemplo, Di María e Falcao García nesta temporada. Não apenas a força com que chega ao ataque surpreende. Quando está no meio de campo do United, claramente organiza melhor a transição da bola, diminuindo a ligação direta entre defesa e ataque que tem caracterizado o time de Van Gaal. A plasticidade de seus gols também o deixa de bem com os torcedores e aumenta a pressão para que o holandês o torne titular absoluto.
Golaço de Herrera contra o Yeovil:
Mesmo quando foi pressionado pela imprensa a dar declarações contundentes sobre a preferência de Van Gaal de mantê-lo no banco, Herrera mostrou ser ponderado. Manteve sempre um tom respeitoso e o discurso de que precisava seguir trabalhando. Hoje, com um pouco mais de crédito com o chefe, mantém a humildade ao falar de sua situação.
“Gosto de ajudar o time. Quando o treinador quiser que eu jogue, estarei pronto. Quando o treinador quiser que eu ajude a partir do banco, estarei pronto também. Porque sou um jogador do Manchester United, sou profissional. Tenho sorte de jogar pelo Manchester United e vou sempre ajudar o clube e o time. É claro que todo mundo quer jogar, mas temos 25 jogadores ou mais, talvez. Não é fácil jogar pelo Manchester United, mas eu trabalho para isso. Gosto de jogar, gosto de ajudar o time, mas gosto, ainda mais, de vencer jogos”, afirmou o espanhol.
Herrera custou ao Manchester United € 36 milhões no início da temporada. Era alvo do time desde que David Moyes comandava o clube, e talvez por isso, por não ter sido ele a mirar e pedir a contratação do meia, Van Gaal tenha sido cabeça dura para dar lugar ao jogador. No entanto, está difícil para o holandês seguir deixando-o em segundo plano.
O basco foi contratado para uma reformulação a médio e longo prazo do elenco dos Red Devils, e prova disso é a própria fala do atleta sobre querer emular o que Scholes fez pelo clube. O ruivo, aliás, foi o último meio-campista a terminar uma temporada pelo Manchester United com um número de gols com dois dígitos. Justamente Herrera se encaminha para repetir a marca. O impacto imediato de suas atuações é inegável. Com os pés, e não com palavras, o camisa 23 está forçando sua entrada de vez no time titular. É um nome para o futuro, mas que no presente já faz por merecer o reconhecimento.



