‘Ancelotti não teria energia para levar o United de volta ao topo. E Zidane é uma versão mais jovem dele’
Declarações de Jamie Carragher expõem dilema dos Red Devils entre nomes consagrados, treinadores em ascensão e solução interna para tentar estancar a crise
Em meio a mais uma reviravolta no comando técnico, o Manchester United tenta reorganizar os cacos de uma temporada marcada por instabilidade. A demissão de Ruben Amorim abriu espaço para uma solução caseira, com o ídolo Michael Carrick assumindo de forma interina até o fim da temporada, em uma aposta que mistura pragmatismo e apelo emocional.
A estreia, contudo, foi animadora: em Old Trafford, os Red Devils superaram o Manchester City por 2 a 0, resultado que devolveu momentaneamente confiança ao ambiente e reacendeu o debate sobre qual perfil de treinador seria capaz de recolocar o clube no caminho do protagonismo — discussão que ganhou força após declarações contundentes de Jamie Carragher, comentarista da “Sky Sports”, ídolo do Liverpool e histórico rival do United.
Ancelotti e Zidane ‘não servem’ para o Manchester United?

Na avaliação de Carragher, o debate passa menos por currículo e mais por perfil e fôlego para o tamanho do desafio que o Manchester United representa hoje. O ex-zagueiro vê com ceticismo a ideia de apostar em nomes consagrados, mas identificados com ciclos já consolidados, argumentando que o clube exige um treinador disposto a reconstruir, sustentar pressão diária e lidar com um ambiente ainda tóxico fora de campo.
Nesse raciocínio, Carlo Ancelotti, atual comandante da seleção brasileira, simbolizaria uma liderança experiente, porém distante da energia necessária para conduzir um projeto de retomada. Enquanto Zidane, apesar de mais jovem, carregaria uma lógica semelhante de gestão — mais afeita a elencos prontos do que a processos longos de reestruturação.
— Carlo Ancelotti, para mim, não teria a energia ou a motivação para levar o Manchester United de volta ao topo. Zidane é uma versão mais jovem de Ancelotti, mas talvez eu esteja enganado. Maresca está fora de questão, mas ele é um treinador muito bom.
Ao ampliar o leque, o ex-zagueiro também pondera sobre técnicos em ascensão na Premier League, mas mantém o tom cauteloso. Para ele, o problema não está somente na qualidade do trabalho desenvolvido, e sim na compatibilidade entre modelo de jogo, contexto e dimensão do United.
Sistemas muito específicos ou trajetórias construídas em clubes de menor pressão levantam dúvidas sobre adaptação imediata, especialmente em um cenário que não permite longos períodos de ajuste. É nessa linha que ele relativiza nomes badalados do momento e aponta o risco de transformar boas ideias em apostas desproporcionais ao peso do cargo.
— Oliver Glasner, de imediato, eu diria não por causa do sistema. Iraola fez um trabalho brilhante e está sendo cotado para grandes cargos, mas ir do Bournemouth para o Manchester United é um salto muito grande.
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A missão de Carrick no United
A chegada de Michael Carrick ao comando interino do Manchester United atende, acima de tudo, a uma lógica de contenção. Em um clube marcado por ruídos constantes fora de campo, a diretoria recorre a um nome familiar, capaz de compreender rapidamente o ambiente e reduzir a fricção interna.
O peso de sua trajetória como jogador em Old Trafford ajuda a criar uma ponte imediata com o vestiário e com a torcida, ainda que isso não responda, por si só, às lacunas estruturais que se repetem temporada após temporada.
🔴👿 Sem copas, sem Europa e cheio de dúvidas: Por que o United entrega o projeto a Michael Carrick
— Trivela (@trivela) January 13, 2026
Red Devils anunciaram que ex-meio-campista vai comandar a equipe até o fim da temporadahttps://t.co/K9EXYYkVHW
O contexto competitivo, por outro lado, oferece uma janela rara. Sem compromissos continentais e já fora das copas domésticas, o United terá uma rotina menos congestionada, o que abre espaço para trabalho no campo — algo incomum nos últimos anos. Esse cenário pode permitir ajustes coletivos, maior clareza de funções e algum resgate de organização, especialmente em um elenco que frequentemente parece atuar sem referências claras.
Ainda assim, o tempo disponível não elimina a pressão: cada rodada da Premier League carrega peso suficiente para redefinir o humor institucional dos Red Devils.
A aposta, portanto, soa mais como tentativa de estabilizar do que como um passo estruturante. O vínculo emocional de Carrick com o United pode funcionar como amortecedor inicial, mas dificilmente sustenta um ciclo prolongado sem respostas competitivas.
Para que a experiência não se esgote rapidamente, o clube precisará oferecer algo que tem falhado em entregar nos últimos anos: alinhamento interno, decisões coerentes e respaldo real diante dos primeiros tropeços. Sem isso, o interino corre o risco de se tornar apenas mais um capítulo de um ciclo de improvisações.



