‘Precisa mostrar a que veio’: Como Lucas Perri perdeu a confiança do Leeds
Contratado para assumir o gol, brasileiro perdeu espaço após erros recentes, enquanto o Leeds volta a conviver com dúvidas na posição mais sensível do elenco
Quando o Leeds United investiu pesado para contratar Lucas Perri, a ideia era clara: encerrar um ciclo de instabilidade no gol e olhar para frente. Seis meses depois, a posição voltou a ser um tema desconfortável em Elland Road, e o brasileiro está no centro do debate.
A decisão de Daniel Farke de barrar Perri na vitória sobre o Fulham não foi apenas pontual. Ela expôs uma perda de confiança que vinha sendo construída silenciosamente e que, agora, obriga o clube a revisitar um problema que acreditava ter resolvido com um investimento de 16 milhões de libras.
Para o jornalista Isaac Johnson, do site especializado “Leeds Live”, o cenário é como um “enigma desconfortável”, no qual nenhuma das opções oferece segurança plena no curto e no médio prazo. A aposta era que Perri fosse a resposta definitiva. Por enquanto, ele é parte da pergunta.
A queda de confiança em Lucas Perri e a decisão de Farke
Perri chegou ao Leeds com status de titular, mas suas primeiras 16 partidas não convenceram de forma consistente. O jogo sem sofrer gols contra o Liverpool, em Anfield, no Ano Novo, parecia um ponto de virada. Durou pouco.
Nos compromissos seguintes, Farke adotou um tom incomum ao falar publicamente de um jogador específico. Após o empate com o Manchester United, classificou como “erro” a saída do goleiro no lance do gol. Três dias depois, foi ainda mais direto ao comentar o gol sofrido aos 102 minutos contra o Newcastle.

“Normalmente, se você toca na bola, e não foi um chute realmente forte, você deve defender. Hoje foi definitivamente uma situação em que você deve defender a bola. Não posso mentir e fingir”, disse o treinador.
A sequência levou à mudança contra o Fulham e à entrada de Karl Darlow, repetindo um roteiro que o próprio Farke admite ter vivido na temporada passada com Illan Meslier. Em abril, ao barrar o francês, confessou depois que talvez tivesse demorado demais para agir. Agora, a experiência parece ter pesado.
Segundo o técnico, a decisão sobre Perri foi também uma tentativa de aliviar a pressão: “Sentimos que, nas últimas semanas, ele talvez não tenha entregado o que esperávamos neste nível. A pressão parecia um peso em seus ombros”, explicou. “Queríamos tirá-lo do holofote.”
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Leeds pode ter problema esportivo e financeiro
O pano de fundo torna a situação ainda mais delicada. Meslier, hoje terceiro goleiro, está nos meses finais de contrato e deve sair sem deixar retorno financeiro. Alex Cairns é apenas uma peça de apoio. Darlow, que reassume o posto de titular, tem 35 anos e também contrato perto do fim.
Isaac Johnson aponta o paradoxo: mesmo que Darlow entregue segurança agora, é difícil imaginar o Leeds entrando na temporada 2026/27 da Premier League com um goleiro de 36 anos como primeira opção. Ao mesmo tempo, Perri tem contrato até 2029 e foi contratado exatamente para evitar essa discussão.
🎂 Happy Birthday, Lucas! pic.twitter.com/XnxqwKfN4h
— Leeds United (@LUFC) December 10, 2025
“O Leeds precisa que Lucas Perri mostre a que veio, caso contrário, terá que lidar com um problema que julgava ter resolvido”, escreve Johnson, destacando que uma nova ida ao mercado tão cedo soaria como admissão de erro.
Não há, neste momento, planos para contratar outro goleiro. Quatro já são considerados excessivos. Isso significa que o clube terá de encontrar respostas internamente e, sobretudo, torcer para que Perri reaja.
A FA Cup surge como possível espaço de redenção, mas nada garante que o brasileiro voltará ao time na reta final da liga. Ainda assim, como lembra o próprio Johnson, 16 jogos são tempo suficiente para que o cenário mude. Basta uma oportunidade.



