Inglaterra

‘Alisson é um dos melhores do mundo, muito calmo em todas as situações’

Irlandês do Brentford fala sobre a década em Liverpool, o luto pela morte de Diogo Jota e o que absorveu treinando ao lado de um dos melhores goleiros do mundo

Caoimhin Kelleher passou uma década em Liverpool. Chegou como jovem promessa de Cork, virou reserva de luxo de Alisson Becker e saiu campeão de praticamente tudo que o clube inglês tem a oferecer: Premier League, Champions League, Copa da Liga, FA Cup.

Mas o goleiro irlandês, que agora defende o Brentford após transferência de 18 milhões de libras no início da temporada, tem uma visão clara sobre o que esse período representou: foi a escola. Agora, ele quer ser protagonista.

Em entrevista ao “The Athletic”, Kelleher falou com saudade sobre os anos em Liverpool e com admiração genuína sobre o homem que o ensinou a ser goleiro no mais alto nível, Alisson.

O que Alisson ensinou a Kelleher sem precisar falar

Treinar diariamente ao lado de Alisson Becker não é algo que se desperdiça. Kelleher foi direto ao descrever o impacto do brasileiro na sua formação:

“Treinar com Alisson foi obviamente brilhante. Ele é muito calmo em todas as situações. Você o observa no um contra um, por exemplo, como ele lida com isso, a técnica que utiliza. Só de olhar, você aprende muito.”

O goleiro irlandês também falou sobre o ambiente de treino que moldou sua confiança. Dividir o dia a dia com Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino, quando os três estavam no auge, criou uma referência de exigência difícil de encontrar em outro lugar.

Alisson e Kelleher pelo Liverpool
Alisson e Kelleher pelo Liverpool (Foto: IMAGO / Propaganda Photo)

“Se você está fazendo defesas contra eles, isso te dá confiança. Eles eram os melhores da liga. Só de ver como eles finalizavam e a velocidade com que faziam isso, você tem que se acostumar.”

Mas foi Alisson quem deixou a marca mais profunda. Uma escola particular, de graça, com o melhor professor disponível:

“Ele é um dos melhores do mundo. Eu tentava absorver pequenos detalhes do jogo dele e espelhar o que ele faz em certas situações”.

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Saudade de Liverpool e uma temporada que vai além do futebol

Kelleher não esconde a saudade. Morou no centro de Liverpool por cinco anos e guarda memórias afetivas da cidade e das pessoas. “O Liverpool é um lugar especial para mim”, disse.

“Sinto falta das pessoas no clube, tenho muitos bons amigos lá. Sinto falta deles, da cidade e dos scousers. Acho que eles são parecidos com os irlandeses, são muito engraçados.”

Mas a temporada atual do Liverpool, para Kelleher, vai além do campo. Um mês após deixar o clube, seu grande amigo Diogo Jota morreu num acidente de carro que também tirou a vida do irmão do atacante, André Silva. O goleiro prestou homenagem emocionante nas redes sociais, com fotos dos dois juntos na conquista do título da Premier League e no casamento do português.

Recentemente pai de gêmeos, Kelleher admite que a paternidade tornou o luto ainda mais pesado e mais humano:

“Talvez isso intensifique o que aconteceu. Coloca as coisas em perspectiva ainda mais. O luto não é fácil. Você tem seus dias, tem momentos em que isso vem à cabeça e é muito triste, é pesado. Mas às vezes lembranças boas surgem também. Estar cercado de boas pessoas aqui ajuda.”

Sobre a temporada do Liverpool sob Arne Slot, ele foi cuidadoso e empático. “Para o Liverpool, não acho que seja uma temporada sobre futebol, na verdade, para mim. Claro que é, mas a situação, o que aconteceu, é um choque enorme para todos. Não é fácil para esses jogadores jogarem no nível mais alto e passarem por isso ao mesmo tempo. Tem sido uma temporada difícil para eles.”

No Brentford, Kelleher encontrou um grupo que facilita a transição: Jordan Henderson, Sepp van den Berg e Fabio Carvalho, todos ex-Liverpool, já estavam por lá. O técnico Keith Andrews, compatriota irlandês, também ajudou.

“Ambos são muito apaixonados e muito bons com as pessoas”, comparou ele, referindo-se a Andrews e Klopp. “Buscam conhecer você como pessoa primeiro, antes do jogador.”

Com nove jogos sem sofrer gols na liga nesta temporada, Kelleher está cumprindo o papel que sempre quis ter. Os títulos com o Liverpool são reais e guardam valor sentimental, mas o goleiro sabe exatamente o que quer agora.

“É legal que eu tenha feito essas coisas pelo Liverpool, mas quero seguir em frente e fazer a minha própria história, sendo um camisa 1. Fui abençoado na minha vida e no futebol. Você tem que aproveitar ao máximo cada dia. Não sabe o que vai acontecer.”

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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