‘Achei que Zubimendi tinha sido ótimo reforço do Arsenal, mas ele está sofrendo’
Gary Neville mostrou decepção com desempenho de espanhol em primeira temporada nos Gunners
O Arsenal voltou ao topo da Premier League, mas a vitória sobre o Newcastle no último sábado (25) deixou um gosto agridoce. Os Gunners venceram, respiraram e recuperaram a liderança enquanto o Manchester City cumpria o compromisso da semifinal da FA Cup, mas o desempenho da equipe de Mikel Arteta não convenceu.
E quem resumiu a insatisfação com mais clareza foi Gary Neville, que colocou o dedo numa ferida que incomoda parte da torcida londrina: Martin Zubimendi ainda não foi o jogador que se esperava que fosse.
Neville se decepciona com Zubimendi no Arsenal
A vitória sobre o Newcastle não foi dominante. O time adversário teve mais posse de bola e mais finalizações ao longo do jogo, e o gol de Eberechi Eze bastou para os três pontos, mas sem brilho. Para piorar, Kai Havertz saiu lesionado e coloca em dúvida sua presença no restante da temporada. O Arsenal segue na briga pelo título, mas com margem de erro zero.
A crítica de Neville ao volante espanhol foi direta e embasada. No seu podcast, o ex-lateral do Manchester United comparou o papel que Zubimendi deveria exercer ao de nomes como Andrea Pirlo, Paul Scholes, Rodri e Bernardo Silva.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fzubimendi-scaled.jpg)
“Eu pensei no início da temporada que Zubimendi era uma ótima contratação. Ele tem sido um bom jogador para o Arsenal, mas neste momento eu esperava que ele fosse ‘o’ jogador”, disse Neville.
Para o ex-jogador da seleção inglesa, o volante dos Gunners deveria ser como os exemplos lendários: jogadores que ditam o ritmo, organizam o time e dão autoridade ao meio-campo nos momentos mais decisivos.
“Você pensa no que Pirlo representa, ou Scholes, ou Rodri, o jogador que pode ditar o ritmo num jogo como este, colocar o Arsenal com a bola, organizar e dar autoridade ao time, e ele não está demonstrando isso. Ele está sofrendo nos jogos, e já faz algumas semanas.”
Os números contam uma história diferente em termos de participação: Zubimendi é o jogador de linha que mais iniciou partidas pelo Arsenal nesta temporada, com 33 aparições. Apenas Declan Rice acumulou mais minutos, e por apenas oito a mais.
O espanhol, contratado da Real Sociedad por 55,8 milhões de libras na janela do início da temporada, está longe de ser um coadjuvante. Mas a questão levantada por Neville não é de presença: é de impacto.
Nos momentos em que o jogo precisa de alguém para assumir o controle, Zubimendi ainda não apareceu com a frequência que se esperava de um meio-campista de seu perfil e custo. Em vários momentos, tem errado lances simples, como na derrota para o Manchester United em casa, e se mostrado abatido na sequência do jogo.
A dúvida de Neville se estende à montagem do meio-campo de Arteta como um todo. Como equilibrar Rice, Zubimendi e Odegaard sem sacrificar o poder ofensivo? É uma pergunta que o técnico basco ainda não respondeu de forma definitiva, e que pode ser determinante nas semanas que restam.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Rice avisa: ‘Temos que vencer os cinco jogos restantes‘
🎙Gary Neville told Sky Sports that Arteta may have a tactical issue to fix, saying the balance between Zubimendi, Declan Rice, and Martin Ødegaard looked off……
🗣"I thought at the start of the season that Zubimendi was a great signing. He's been a good player for Arsenal… pic.twitter.com/RC3g0kx4pd
— Arsenal Radar (@ArsenalRadar) April 26, 2026
Se Neville trouxe a crítica, Declan Rice trouxe o peso da realidade. Falando após a vitória sobre o Newcastle, o volante inglês foi direto: o Arsenal não tem margem para mais nenhum deslize.
“Os três pontos foram enormes hoje. Depois da semana que tivemos contra o Manchester City, havia muito incentivo para tirar daquele jogo. Mas sabíamos que, com cinco jogos restantes, temos que vencer os cinco. Cumprir essa etapa hoje foi um verdadeiro impulso.”
O calendário que resta ao Arsenal na Premier League é Fulham em casa, West Ham fora, Burnley em casa e Crystal Palace fora — esse último no último dia da temporada, em um Selhurst Park onde o Palace está invicto nos últimos quatro jogos em casa. O espectro do City, que ainda tem um jogo a menos, paira sobre tudo.
Se o Arsenal vencer o Fulham no próximo sábado (2), pode abrir seis pontos na liderança. Mas enquanto o City tiver partidas em mãos, nenhuma vantagem é segura. E com a semifinal da Champions League contra o Atlético de Madrid na quarta-feira (29), Arteta precisa gerir um elenco que luta em duas frentes ao mesmo tempo.