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A quaresma de Van Persie: jejum de gols é resultado do cansaço

Na tradição cristã, a quaresma é um período de abnegações e jejum. Independente de sua religiosidade, Robin van Persie tem sido fiel ao período ao se privar dos gols. Desde o domingo carnaval, contra o Everton, o atacante não balança as redes. A má fase não atrapalhou a liderança do Manchester United na Premier League, mas teve sua influência na eliminação dos Red Devils na Liga dos Campeões.

Analisando apenas os números, a produtividade ofensiva de Van Persie continua praticamente a mesma nas últimas semanas. Nas primeiras 31 partidas da temporada pelo United, o holandês marcou 23 gols. Sua média foi de 3,4 finalizações por jogo, acertando 44,1% dos chutes no gol. Já nas últimas sete partidas, enquanto o jejum perdura, RVP registrou 3,2 arremates por aparição e um aproveitamento um pouco melhor, de 47,8%. No fim das contas, a média de 1,5 arremates no gol por jogo é a mesma.

Quando se pensa nas chances perdidas por Van Persie ao longo das últimas partidas, a resposta para o problema começa a ser vislumbrada. Os melhores exemplos vêm dos jogos contra o Real Madrid. Em ambos os encontros, o holandês finalizou dez vezes, com excelente precisão, acertando 70% dos chutes no gol. Obviamente, Diego López fechou o gol e foi vital para que o tento não saísse. Porém, também foi visível a displicência artilheiro, como na bola que Xabi Alonso salvou em cima da linha no Santiago Bernabéu.

Mais marcado e mais cansado

O caminhão de gols anotados na virada do ano, de fato, fez com que Van Persie fosse mais visado pelos marcadores. Entre o fim de novembro e o começo de janeiro, foram 11 gols em 12 partidas. Mas o excesso de jogos também ajuda a explicar a falta de inspiração. Van Persie é o único jogador do United que esteve em campo em todas as rodadas da Premier League e só não foi utilizado em seis jogos da temporada – o último deles, no fim de janeiro.

Uma prova desse cansaço está na menor participação de RVP na construção de jogo do United. Mesmo mantendo o ritmo nas finalizações, o atacante diminuiu consideravelmente sua média de passes: de 28,2 por jogo, passou a 14,5 nas últimas sete partidas, quase metade. Ao menos sua média de perdas de bola (entre desarmes sofridos e erros na continuidade das jogadas) não mudou tanto, indo de 3,3 para 3,5.

Durante as últimas semanas, Sir Alex Ferguson falou sobre a importância de dar um descanso aos seus jogadores, citando principalmente Rooney. E o camisa 10 tem aproveitado melhor as chances, mantendo a frequência de gols na temporada. Durante o jejum de RVP, Rooney entrou em campo seis vezes, quatro como titular, e marcou três gols. No total em 2012/13, possui 16 tentos em 31 partidas.

Talvez fosse o momento de se cogitar também uma pausa a Van Persie. Ao bancá-lo como astro do time nas eliminatórias da Liga dos Campeões, Ferguson deu a maior prova de que confia no poder de decisão do holandês, mas agora não precisa exigir tanto do jogador. Os 15 pontos de vantagem na Premier League, que deixam o título praticamente assegurado, dão a brecha necessária para que ele ganhe uma merecida folga.

O antes e o depois de Van Persie

Médias nas primeiras 31 partidas:
0,74 gols
2,4 finalizações
1,5 finalizações no gol
28,2 passes
3,5 perdas de bola

Médias nas últimas 7 partidas:
0 gols
2,2 finalizações
1,5 finalizações no gol
14,5 passes
3,3 perdas de bola

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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