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A qualidade de seus meio-campistas foi a chave para a importante vitória do United

Por mais que José Mourinho fosse aos microfones, as justificativas são insuficientes para explicar a baixa produtividade do Manchester United na Premier League. Que a arbitragem tenha prejudicado mesmo em alguns jogos, que a sorte tenha faltado em outros, pelo elenco que têm, os Red Devils deveriam estar em situação melhor na tabela. O time ainda oscila muito. Mas demonstra que pode emendar bons resultados na competição, finalmente. Depois de três empates consecutivos, o United derrotou o Tottenham por 1 a 0 neste domingo. A primeira vitória contra um dos adversários diretos na competição.

A chave para o United esteve em seu meio-campo. Protegidos por Michael Carrick, ótimo no combate, Paul Pogba e (principalmente) Ander Herrera fazem um ótimo trabalho. Não é um time de posse de bola, seguindo a tradicional na cartilha de Mourinho, mas a capacidade de ambos em agregar ao ataque vale demais. Além disso, a entrada de Henrikh Mkhitaryan no time se mostra providencial. Atuando mais aberto pela esquerda, o armênio não se limitou aos lados do campo. Voltou para o meio, armou, participou. E, aos 29 minutos, ele decidiu.

O gol contou com a participação dos dois melhores homens do United. O lance só existiu por causa de Herrera. O espanhol interceptou passe errado de Harry Kane e deu excelente enfiada a Mkhitaryan. De frente para o gol, o armênio não perdoou. Fez seu segundo gol pelo clube, no segundo jogo consecutivo. E, desde que retorno à equipe, participou diretamente de quatro tentos em quatro partidas – sendo duas assistências. Sairia no final do segundo tempo, lesionado, causando preocupação. Após do jogo, ao menos, Mourinho tranquilizou dizendo que a contusão não é tão grave assim.

No geral, o United teve bola para fazer mais. Hugo Lloris realizou grandes defesas e trave impediu um golaço de falta de Pogba na segunda etapa. Já do outro lado, o Tottenham decepcionou. Seus principais destaques individuais pouco apareceram e, mesmo com mais volume de jogo, os Spurs não ameaçaram tanto. Foram apenas duas chances mais claras, em arremate de Son que De Gea salvou e em cabeçada livre que Wanyama errou completamente. Um retrato da inefetividade está nas estatísticas: a última finalização da equipe aconteceu aos 25 do segundo tempo. Para quem precisava do resultado, apesar da pressão nos instantes finais, o excesso de cruzamentos se mostrou completamente inútil.

O resultado aproxima o Manchester United da briga pelas competições europeias. O time de José Mourinho chega aos 24 pontos, a seis do Manchester City, em quarto. Enquanto isso, o Tottenham para pelo caminho, em quinto, com 27. A péssima sequência fora de casa, sem vencer há cinco jogos, afastou os Spurs da briga pela liderança. E o tropeço deste domingo injeta moral exatamente em um de seus principais concorrentes.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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