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A minissérie Joe Hart teve um final inesperado: o Torino

Da estreia do Manchester City na temporada, aproximadamente duas semanas atrás, ao penúltimo dia da janela de transferências, Joe Hart viu-se em uma sinuca de bico. Ao cair de titular do time com Manuel Pellegrini à terceira opção de Guardiola, a mensagem ficou muito clara, e ele precisou procurar um novo clube para defender. O final da minissérie – não deu tempo de ser uma novela – acabou sendo inesperado: o Torino.

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Em uma primeira análise, causa um pouco de estranhamento nenhum clube da Premier League ter se interessado muito pelo titular da seleção inglesa. O Everton chegou a discutir um empréstimo, mas já havia contratado Stekelenburg para ser o camisa 1 e não quis pagar o salário inteiro de Hart. Nem o City quis subsidiar os vencimentos do jogador. O Liverpool, que já tem Mignolet e Karius, pintou na imprensa apenas como um possível interessado, sem nada de concreto.

Para falar a verdade, os melhores clubes da Inglaterra – os dez primeiros da última temporada – já têm bons goleiros. Ou, no mínimo, confiáveis o bastante para eles poderem investir em outras posições, principalmente diante do alto salário de Joe Hart.  Sobrariam equipes que acabaram de subir da segunda divisão ou brigam na parte de baixo da tabela. Diante desse cenário, melhor mesmo buscar opções mais interessantes em outro país.

Não é muito comum jogadores britânicos deixarem a ilha, ainda mais neste momento em que a Premier League é tão financeiramente superior a outras ligas. Por outro lado, o próprio Torino já foi defendido por um ilustre escocês, que também chegou do Manchester City. Denis Law assinou com o clube italiano, em 1961, mas não foi muito bem. Não conseguiu adaptar-se ao frio dos Alpes, sofreu até um acidente de carro e, segundo ele, gostou demais das mulheres e dos vinhos. Depois de uma única temporada, voltou a Manchester, desta vez para jogar no United, pelo qual marcou época na década de sessenta.

Em princípio, Hart também ficará apenas uma temporada em Turim – é a duração do seu contrato de empréstimo -, na qual tentará elevar o clube de patamar dentro do Campeonato Italiano. Quando o Torino voltou à primeira divisão, teve que brigar contra o rebaixamento, mas, desde então, estabeleceu-se no meio da tabela, com destaque para a boa campanha de 2013/14, quando terminou em sétimo lugar e conseguiu disputar competições europeias. E não fez feio: chegou às oitavas de final da Liga Europa.

O Torino ficou a dois pontos de outra classificação continental na temporada seguinte, mas, na última edição do Italiano, escorregou bastante e terminou em 12º lugar. Agora, será comandado pelo ex-técnico do Milan, Sinisa Mihajlovic, que tem em mãos um elenco com nomes interessantes, como Leandro Castán, Adem Ljajic, Iago Falqué, Andrea Belotti e Maxi López.

Hart briga por posição com Daniele Padelli. O goleiro de 30 anos é titular desde que foi contratado, em 2013. Antes, havia sido emprestado pela Sampdoria a sete clubes diferentes, inclusive o Liverpool, e passou um ano na Udinese. Nunca jogou pela seleção italiana, mas já foi convocado para ser reserva várias vezes. Tem uma carreira sólida no Torino, com destaque para sua atuação na vitória sobre a Juventus que colocou fim a um jejum de 20 anos no dérbi da cidade. Goleiro não era uma posição prioritária para o mercado do clube, mas Hart deve ter chegado com alguma garantia de que terá chances – do contrário, não faria sentido deixar o Manchester City.

No fim das contas, o goleiro inglês trocou um candidato ao título inglês e europeu por um clube médio da Itália. Mas foi um passo atrás na carreira que precisava ser dado e que era difícil de ser evitado. Guardiola sinalizava com Caballero como titular desde a pré-temporada, mas ainda havia dúvidas se ele o utilizaria nos jogos para valer. Utilizou. Hart poderia até ficar em Manchester e brigar pela posição com o argentino, mas, semana passada, o City anunciou a contratação de Claudio Bravo. A partir de então, sua posição no elenco implicava quase nenhum tempo de jogo, o que colocaria em risco também seu status com a seleção inglesa. O novo técnico Sam Allardyce havia dito que a situação de Hart era “uma grande preocupação”.

No fim da janela de transferências, quando a maioria dos clubes já fez seus principais negócios, e com pouco tempo para prospectar, Hart poderia ter encontrado saídas piores que o Torino. Tudo depende dos seus objetivos, mas precisa de uma grande temporada, seja para voltar à Inglaterra em outro clube de destaque ou para construir uma história nova na Itália. Ou mesmo para conseguir uma segunda chance com Guardiola. Afinal, ele é o último remanescente da época em que o Manchester City ainda não nadava em dinheiro, é excelente goleiro, era capitão do time e já foi emprestado outras vezes, no começo da carreira. E sempre voltou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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