Champions League

Joe Hart, o garoto que chegou ao City em tempos modestos para ser herói do elenco milionário

Joe Hart chegou a Manchester pouco depois de completar 19 anos. O goleiro começou a despontar na quarta divisão, pelo Shrewsbury Town, e acabou contratado por £ 1,5 milhões. Reserva de Andreas Isaksson e Nicky Weaver, o garoto assistia à beira do campo uma equipe modesta brigar contra o rebaixamento na Premier League. Entre as referências daquele elenco estavam Joey Barton, Georgios Samaras e Darius Vassell. Após se safar da queda na 14ª colocação é que os Citizens viram sua situação financeira melhorar, com a chegada do tailandês Thaksin Shinawatra. O início da ascensão regada a muito dinheiro.

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Ao longo de seus quase 10 anos no Estádio Etihad, Hart teve alguns períodos fora do clube. Chegou a ser emprestado ao Tranmere Rovers e ao Blackpool em sua primeira temporada, enquanto passou 2009/10 no Birmingham. Apesar disso, quando esteve no elenco do City, quase sempre se manteve como titular. A partir de 2007/08, disputou ao menos 30 jogos por temporada. Transformou-se não apenas em um símbolo para os Citizens, como também no melhor goleiro da Inglaterra e um dos melhores do mundo. Para se consagrar como herói na classificação rumo às semifinais da Liga dos Campeões. Com a braçadeira de capitão, o nome mais antigo do elenco valeu mais do que a maioria comprada pelo xeique Mansour.

Algumas das atuações mais memoráveis de Hart na meta do Manchester City vieram justamente em meio às frustrações da Champions. Acumulava defesas espetaculares, mas os gols que sofria não eram suficientes para as vitórias. Até que seu esforço ganhou recompensa diante do Paris Saint-Germain. No primeiro jogo, em Paris, mereceu os elogios pelo pênalti que defendeu de Zlatan Ibrahimovic. Já na volta, suas principais intervenções aconteceram em momentos-chave. Quando o placar estava zerado, voou para espalmar o petardo de Ibra rente ao travessão. Já no segundo tempo, brecou o empate e a reação dos franceses, ao fechar o ângulo de Cavani no mano a mano.

Hart não é exatamente o goleiro mais constante e comete os seus vacilos. Porém, o camisa 1 costuma crescer em momentos decisivos. E não são poucas as defesas impossíveis que realiza. Se, ao longo dos últimos anos, o Manchester City não gastou grandes fortunas para buscar outros arqueiros, é por causa do trabalho que o seu titular vinha fazendo. Joe Hart precisa ser reconhecido como um protagonista deste elenco. Nesta terça, por maior que tenha sido a segurança transmitida por sua defesa, a importância do capitão se sobressaiu.

Nas próximas semanas, Hart terá responsabilidade dupla na Europa. Primeiro, como uma referência do City na inédita campanha, que finalmente justifica a grandeza almejada pelo clube além da Inglaterra – ao menos neste primeiro momento. Além disso, também é peça fundamental na engrenagem da Inglaterra rumo à Euro 2016, apesar da digna concorrência de Fraser Forster. A Champions, de qualquer forma, é um diferencial para o camisa 1 se afirmar. Poderá se reencontrar com adversários contra os quais já brilhou. Desta vez, esperando que suas intervenções tenham bem mais valor, como aconteceu nesta terça.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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