Champions League

Consciente do tamanho de sua oportunidade, City anulou o PSG e avançou à inédita semifinal

A partida movimentada no Parc des Princes determinou o ritmo no Estádio Etihad. Foi uma noite de futebol atravancado, poucas chances de gol, empenho defensivo. Tudo perfeito no roteiro que o Manchester City queria para avançar pela primeira vez às semifinais da Liga dos Campeões. O time de Manuel Pellegrini veio a campo mais estruturado e soube se aproveitar da vantagem adquirida pelo empate por 2 a 2 na França. Travou a posse de bola do Paris Saint-Germain, apertou a saída de bola, foi veloz na saída aos ataques. E, sem se intimidar com o ataque adversário, buscou a vitória por 1 a 0. Prêmio para Kevin de Bruyne, o principal reforço para a temporada, que se tornou herói e ressaltou o ótimo ano que faz em Manchester.

Laurent Blanc não soube lidar tão bem com os desfalques do PSG. Sem Matuidi e David Luiz, suspensos, além do lesionado Verratti, o treinador escalou sua equipe no 3-5-2 – como ainda não tinha feito nesta temporada. Improvisou Aurier na zaga, com Di María mais centralizado no meio. Talvez quisesse explorar com mais vigor as laterais do Manchester City, sabidamente o ponto fraco da equipe. Não conseguiu. Os parisienses tinham a bola, mas mal sabiam o que fazer com ela. Trabalhavam o passe com dificuldades, diante do esforço dos meias adversários na marcação. Tomaram o nó de Pellegrini durante todo o primeiro tempo.

A única chance clara do PSG na primeira etapa veio com Ibrahimovic, em cobrança de falta que Joe Hart buscou no alto, operando um milagre. Enquanto isso, o City era bem mais efetivo, mesmo ficando pouco com a bola. As saídas rápidas quase sempre deixavam os franceses em apuros. Em um desses lances, Trapp foi obrigado a cometer pênalti em Agüero. E o argentino só não abriu o placar porque errou feito o alvo, chutando a centímetros da trave esquerda do arqueiro alemão. Um alívio que os anfitriões desperdiçaram.

No final da primeira etapa, o PSG perdeu o único remanescente de seu meio-campo titular: Thiago Motta sentiu lesão muscular e deu lugar a Lucas Moura, com Marquinhos deslocado para a cabeça de área e a equipe recomposta no 4-3-3. Serviu para que os parisienses saíssem mais ao ataque na volta do intervalo, rondando a área do Manchester City e criando perigo principalmente nas bolas cruzadas. Os visitantes tiveram um gol de Lucas corretamente anulado pela arbitragem, mas com razão reclamaram de um pênalti sobre Aurier, abraçado dentro da área. De qualquer forma, seus protagonistas não se destacavam. Centralizado, Di María não era inventivo como se esperava. Enquanto isso, Ibra aparecia engolido pela boa proteção feita por Mangala e Otamendi, mal pegando na bola.

Aos 15 minutos, Blanc deixou o PSG ainda mais ofensivo, com Pastore na vaga de Aurier. A brecha para que o City conseguisse ter mais espaços e criasse com perigo. Aos 31, acabou sendo fatal. Diante da falta de proteção na cabeça de área francesa, Fernando e Fernandinho apareciam como elementos extras no ataque. Em uma dessas jogadas, De Bruyne recebeu com liberdade para chutar no canto da meta de Trapp. Naquele momento, jogava os visitantes contra a parede. E ressaltava sua importância no atual sistema de Manuel Pellegrini, especialmente pelo diferencial de chamar a responsabilidade.

Precisando de dois gols, o Paris Saint-Germain não teve forças. Em jogada de Lucas, Cavani até saiu na cara do gol, mas parou em outra defesa vital de Hart. Enquanto isso, o coletivo que primou em tantos momentos da temporada acabou desaparecendo. Os franceses dependiam mais dos lampejos individuais. Não aconteceu, especialmente pela péssima noite de Di María e Ibrahimovic. Pouco depois, o camisa 10 até balançou as redes, em mais um tento bem anulado pelo assistente. A face do desespero do PSG, que culminou com a eliminação.

Se não vive sua temporada mais brilhante na Premier League, o Manchester City finalmente parece ter aprendido a jogar a Champions. Jogou com a seriedade necessária diante do PSG e com a consciência do que precisaria fazer no placar. Valeu a vaga inédita na semifinal. Coletivamente, não é o time que mais impressiona no ataque, mas mostrou que pode ter um padrão bem definido, além das qualidades individuais, para sonhar com a final. Avança graças aos seus próprios méritos de segurar um adversário que vinha em um momento melhor.

Enquanto isso, o Paris Saint-Germain sofre uma frustração imensa. Os desfalques no meio, o setor mais completo da equipe, obviamente pesaram. Mas não dá para colocar a culpa apenas nisso. Blanc aprimorou um bom time nesta temporada, só que não soube reinventá-lo quando precisava. Pior, suas opções custaram minutos primordiais aos franceses. Custou caro. Agora, é retornar com o sonho para a próxima temporada, tendo a consciência que talvez a equipe sinta dificuldades sem o seu artilheiro. Ibrahimovic deve deixar Paris multicampeão, mas sem uma grande campanha que lhe valesse na Champions. E, bem pior do que no jogo de ida, desta vez sumindo em campo. Lamentar agora não vai valer de nada.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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