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A Liga Europa importa sim, ao menos para os semifinalistas

Em todos os anos, a Liga Europa demora a engrenar. A fase de grupos conta com clubes demais, muitos dos quais não demonstram interesse pela competição. O empenho só começa a aumentar durante os mata-matas, especialmente a partir das oitavas. E ficar entre os quatro melhores já é o momento para se ter noção da representatividade do título. Hora de batalhar ainda mais para ter a honra de se proclamar campeão continental – mesmo sem ser da ‘primeira divisão’.

Nesta temporada, cada um dos semifinalistas tem suas razões para competir em alto nível. Reviver as glórias do passado, se sobrepor ao rival, se tornar o maior clube de seu país ou evitar um fracasso retumbante na temporada. Benfica, Fenerbahçe, Basel e Chelsea prometem vir com força para as partidas derradeiras. Motivo extra para acompanhar de perto a Liga Europa, que, mesmo longe do glamour da Liga dos Campeões, tem seu charme especial ao dar chance de comemoração a clubes quase nunca competitivos no cenário continental.

Fenerbahçe
Kuyt, do Fenerbahçe
Kuyt, do Fenerbahçe

O momento não poderia ser melhor para os Sari Kanaryalar. Afinal, o lado europeu de Istambul esteve no centro das atenções durante boa parte da temporada. O Galatasaray fez estardalhaço no mercado de transferências, ao trazer Sneijder e Drogba, e, mesmo sem ameaçar o Real Madrid, igualou a melhor campanha de um clube do país na Liga dos Campeões. A conquista em Amsterdã seria a maneira perfeita para o Fener responder os rivais. Não apenas pela repercussão do feito, como também pela possibilidade de repetir a conquista da Copa da Uefa de 2000, maior glória do Galatasaray e único título continental dos turcos.

Internamente, o possível triunfo também teria um grande significado ao Fenerbahçe. Há duas temporadas, o clube passava por grave crise ao se envolver em caso de manipulação de resultados e perder sua vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões. É a chance de uma volta por cima. Além disso, a taça serviria bastante para impulsionar o trabalho de Aykut Kocaman. Criticado por empreender a renovação do elenco e forçar o fim do contrato do ídolo Alex, o técnico teria o caminho livre para se impor nos bastidores.

Benfica
Brasileiro Lima (centro), comemora gol pelo Benfica (AP Photo/Francisco Seco)
Lima, do Benfica (AP Photo/Francisco Seco)

Dentro da história do Benfica, o título da Liga Europa estará longe de ser o mais reluzente. Temido como uma das potências europeias durante os anos 1960 e frequentador das fases finais da Copa dos Campeões nas duas décadas seguintes, o clube já pensou maior. Entretanto, dentro da realidade atual, levantar a taça em Amsterdã seria reviver seus melhores tempos. Líderes do Campeonato Português e finalistas da Taça de Portugal, os encarnados ainda poderão alcançar a tríplice coroa em caso de sucesso continental, algo não registrado nem mesmo nos tempos áureos de Eusébio.

Obviamente, a conquista também seria um fator extra de satisfação em relação aos rivais. O Porto conquistou duas vezes a Liga Europa/Copa da Uefa na última década, além de oito Campeonatos Portugueses. Seria a prova definitiva que a dinastia recente do Dragão está em xeque. E o sucesso ajudaria a espezinhar ainda mais o Sporting, que vive um dos piores momentos da história e teria que engolir seus arqui-inimigos reconquistando a Europa.

Chelsea
Oscar comemora gol, feito no lance seguinte à sua entrada no jogo AFP PHOTO / MICHAL CIZEK
Oscar, do Chelsea (AFP PHOTO / MICHAL CIZEK)

Para um clube que se acostumou a conquistar a Premier League e até a Liga dos Campeões ganhou na última temporada, a Liga Europa parece pouco. Não é. Tudo bem que se tornar o primeiro campeão a cair na primeira fase de grupos da LC é uma mácula e tanto, ainda mais para quem tinha frequentado os mata-matas desde 2003/04. Porém, substituir o asterisco no histórico por uma taça é bem mais valoroso. Isso sem contar o feito pouco usual de conquistar um bicampeonato continental. Motivo suficiente para inflar o ego de Roman Abramovich em um ano tão penoso.

E a empolgação é grande para muitos em Stamford Bridge: aqueles que precisam se firmar, como Oscar e Eden Hazard, ou para quem têm o pescoço a prêmio, a exemplo de Fernando Torres. Evitar um fracasso total na temporada seria uma boa forma de adiar uma renovação radical do elenco, além de provar o valor para o próximo técnico dos Blues – alguém aí pensou em José Mourinho? Até o ‘interino’ Rafa Benítez, que já sabe antecipadamente que receberá o bilhete azul, poderá mostrar serviço para cavar um novo emprego no futuro.

Basel
Salah comemora o primeiro gol do Basel no jogo
Salah, do Basel

Chegar à decisão da Liga Europa já seria suficiente para o Basel se consagrar com a melhor campanha de um clube suíço em competições europeias. Mas os RotBlau podem mais. E sabem disso, principalmente depois de deixarem para trás Tottenham e Zenit nas fases anteriores. Uma das grandes surpresas da Liga dos Campeões na última temporada, a equipe da Basileia consolidaria seu nome como um adversário de respeito no cenário europeu. Sobretudo, gravaria seu nome na história e tornaria a Suíça o 15º país a ter um campeão continental.

Um título também daria maior visibilidade ao ótimo projeto desenvolvido pelo Basel. O clube conta com categorias de base fortíssimas, além de uma ótima rede para encontrar talentos a custos baixos. Para ajudar, o futebol desempenhado em campo é agradável aos espectadores, marcado pela verticalidade e pela velocidade nas ações ofensivas. Um modelo que serve de exemplo a vários outros clubes da Europa sem tanto dinheiro. E que pode ter o selo de qualidade que precisa com uma vitória em Amsterdã.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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