Inglaterra

A briga é lá em baixo

É verdade que a derrota do United e a vitória do Chelsea deixaram os Blues mais perto de voltar a vencer a Premier League. Assim como a vitória dos Spurs sobre o Wigan deixou os londrinos em quarto, e efetivamente na briga pela quarta vaga na LC a pouco mais de dez rodadas do final, quando se esperava que a equipe já tivesse embicado para baixo. Ambas as histórias, entretanto, podem mudar radicalmente na semana que vem.

O que não deve mudar tão cedo é a briga lá em baixo: Entre o 13º e o 19º lugares tem quatro pontos. West Ham, Sunderland, Wigan, Wolves, Hull, Bolton e Burnley, em ordem decrescente, brigam de foice para ver quem é menos ruim. A sorte dos sete é que o Portsmouth, que não tem um mal time, se esfoça para manter sua vaga no Championship bem reservada, portanto, pelo jeito, só sobrarão duas.

Dos sete times, West Ham e Sunderland deveriam estar, em nossa previsão – e nas dos três maiores jornais ingleses – em posição um melhor, o West Ham bem pouco melhor, e o Sunderland umas quatro posições acima. Tomam os lugares do Birmingham, de quem se esperava muito menos, e do Stoke, que se previa uma ou duas posições abaixo. Independentemente da ordem, que não muda significativamente entre as previsões e a tabela, o que chama a atenção é o equilíbrio. E a diversidade das equipes que compõe o grupo.

Para começar, estamos falando de três favoritos a cair em quase todas as listas – a nossa inclusive: Wolves e Burnley, que vêm da Segundona, e Hull, que veio na temporada passada, e deveria ter voltado a ela no final da mesma. Esse é o grupo, portanto, que está brigando onde deveria brigar. Podemos até elaborar um pouco sobre as razões, mas trata-se de duas equipes com pouca tradição recente na primeira divisão, e uma, o Wolvez, que concorre fortemente ao troféu iô-iô, embora também já estivesse afastada da elita havia algum tempo.

Tudo é diferente da Premier League para o Championship, não só o dinheiro, mas é esse o principal fator. Não adianta você pegar um elenco modesto e colocar alguma grana nele. Primeiro porque o dinheiro de uma temporada é pouco. Segundo porque os melhores jogadores, pelo mesmo valor, vão preferir outras equipes. Terceiro que essas outras equipes já tiveram o dinheiro da Premier League em outros anos, ou seja, a base de onde partem já é melhor.

Bolton e Wigan, por exemplo, estão na Premier League há mais tempo, especialmente o primeiro, que subiu em 2001/2 (o Wigan chegou em 2005/6). Apesar de não ser surpresa vê-los na briga para não cair, ambos vivem situações diferentes em quase tudo. Sobre o Bolton, há que se dividir sua história na elite em duas: com Sam Allardyce, e após sua saída. Durante o reinado de “Big Sam”, a equipe se estabilizou na primeira divisão, e chegou, em 2005, a ser o 6º colocado. O futebol era feio, defensivo, porradeiro, truncado, mas eficiente. Em 2007, entretanto, Big Sam se pirulitou para o Newcastle (onde sua primeira contratação foi Mark Viduka, não podia dar certo). E o Bolton, nas mãos de seu antigo assistente Sammy Lee, entrou em decadência.

Em 2007/8 a equipe foi a penúltima a não cair – e Lee deu lugar a Gary Megson; na temporada passada melhorou um pouco, acabando em 13º. Os Wanderers, entretanto nunca mais tiveram a mesma consistência. Nas primeiras dezoito rodadas da atual temporada a equipe ganhou apenas três vezes, e Megson acabou substituído pelo técnico do Burnley, Owen Gibson, em janeiro.

O Wigan chegou a menos tempo na Premier League, nunca foi de fato considerado membro do clube, mas tem uma coisa que o Bolton não tem: um dono rico. Não no nível Abramovich, é claro, mas rico. Dave Whelan, dono de uma cadeia de lojas de artigos esportivos, comprou o time em 95, na terceira divisão, e em 2005 chegou à Premier League. Sob o comando de Steve Bruce a equipe teve uma ótima temporada passada, principalmente no que se refere a revelar jogadores. No começo desta, entretanto, a maioria já tinha ido embora, assim com Bruce.

Os dois outros times que entram na lista, e que não deveriam entrar nela, West Ham e Sunderland, também são muito diferentes entre si, principalmente no que se refere a situação financeira. Se do West Ham esperava-se mais por causa do excelente final de temporada do time de Gianfranco Zola, já se sabia que a situação financeira de seus donos poderia pôr tudo a perder – e está pondo.

O Sunderland, por outro lado, também tem um dono rico, o americano Ellis Short. Que, embora nunca tenha se comprometido a bancar robinhos, investiu para tirar Steve Bruce do Wigan e dar a ele alguma estrutura – além de jogadores como Darren Bent. O americano, aliás, já havia gasto um bom dinheiro com a aventura de Roy Keane no comando da equipe, sem ver resultados.

Estamos falando de times com realidades, como se vê, totalmente diferentes. O elenco do Sunderland, por exemplo, teria tudo para estar à frente, pelo menos, que Birmingham, Stoke e Blackburn. Wolves e Hull, por outro lado, ficam felizes só porque, se o torneio terminasse hoje, não cairiam.

Assim como no ano passado, o campeonato começa a se configurar em blocos. Só que nesse ano o maior é o batalhão da morte.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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