A ambição de cada um

Era de se estranhar que, ao final da temporada, ao invés de dizer “contrataremos um goleiro e alguns jogadores experientes” Arsène Wenger tenha dito: “contrataremos jogadores altos”. Sim, é um fato, os Gunners marcaram pouquíssimos gols de bola parada na temporada passada. Mas ignorar que o problema é muito maior do que só isso não é mais filosofia de trabalho, é negação da realidade. Realidade que, parece, ou Wenger conhece melhor do que ninguém, ou não quer enxergar.
Só há uma maneira de entender a movimentação inicial dos Gunners no mercado: não há dinheiro disponível, a despeito do que diz com frequência a direção do clube. Se há, falta comando à mesma direção para explicar a Wenger que pode ser bonitinho pra burro apostar em um time de jovens que um dia vingarão, mas que isso não trará títulos ao clube, como não trouxe nenhum dos que foram ganhos sob a batuta do francês.
Uma coisa é você desencavar Vieira, Henry e Pires de lugares onde estão mal aproveitados. Uma parecida é achar Fàbregas e Nasri. Outra completamente diversa é vender Fábregas e Nasri e contratar um marfinense de 24 anos que se destacou aos 24 jogando no expressivo campeonato francês. E isso porque nem o destaque do time ele era!
Enquanto o Arsenal contrata Gervinho e fala em Ricardo Álvarez, do Velez, o campeão inglês só se reforça. Se Phil Jones é uma aposta um tanto cara, De Gea e principalmente Ashley Young são jogadores testados em condições de temperatura e pressão que permitem imaginar que não farão feio em Old Traffors. Além deles, os Red Devils falam, entre outros, em tirar Nasri do Arsenal.
Agora alguém consegue me explicar que tipo de ambição demonstra um clube que perde um de seus principais jogadores para o time que deve tentar bater, e para seu lugar contrata o Gervinho?! O Arsenal não precisa de Gervinho. Precisa de Hazard, talvez, que, embora seja impúbere, é um talento como poucos. Precisa muito mais que isso, porém. Precisa querer um Aguero, um Modric, um PH Ganso. E precisa urgentemente perceber em que setores tem necessidade que não pode ser adiada, e parar de gastar muito com vários jogadores meia-boca.
É bom lembrar que o United não é o único a, além de já ser um time melhor que o Arsenal, estar se reforçando. O Chelsea até agora não comporu ninguém, mas convém lembrar que David Luiz e Torres chegaram no meio do ano, e terão sua primeira temporada completa pelo clube agora. O Man City também está quieto, mas tem bala na agulha para fazer estrago e fará. E até o Tottenham, embora não tanha comprado ninguém, pelo menos demonstra alguma disposição para segurar seus mehores jogadores, ao contrário dos maiores rivais.
O Arsenal não ganha nada faz tempo, o que por si só pode não ser problemático – todos os times menos Chelsea e Man Utd não ganham nada há mais tempo. O problema, entretanto, é que o clube começa a mudar de dimensão. Começa a ser tratado como “café com leite” no mercado. Ninguém espera vender nada ao Arsenal, e quem vai comprar dele só precisa de paciência.
Com Bendtner e Koscielny não vai rolar. Não há Jack Wilshere que salve. Alguém em Ashburton Grove precisa perceber isso, e seria bom se fosse Arsène Wenger.



