Os 6 desejos não atendidos que minaram o trabalho de Ten Hag no Manchester United
Treinador holandês foi demitido depois de dois anos e dois títulos na Inglaterra
850 dias, 128 jogos (70 vitórias, 35 derrotas e 23 empates), duas temporadas e meia e dois títulos. Assim terminou a passagem de Erik ten Hag no comando do Manchester United. No fim das contas, considerando o último ano, um saldo muito mais negativo do que positivo.
Os Diabos Vermelhos agora aguardam a chegada do português Rúben Amorim, do Sporting, que deve assumir o clube após a Data Fifa, no fim de novembro, em uma movimentação que vai custar mais de R$ 170 milhões aos cofres de Manchester.
Mas o que levou a queda do holandês de 54 anos após uma primeira temporada que deixou boas impressões, com o fim do jejum de seis anos sem troféu e, de quebra, ainda classificou o United para a Champions League?
Ten Hag implorou com contratações, mas não foi atendido
Durante seus quase dois anos e meio no Manchester United, Erik ten Hag pressionou a diretoria do clube para contratar alguns jogadores.
Esse pode ter sido um dos fatores que minaram a passagem do holandês na equipe. Segundo reportagem do The Athletic, embora Ten Hag tivesse permissão para gastar muito – e bota muito nisso -, o treinador era frequentemente privado de alguns de seus alvos principais.
O primeiro deles foi o atacante Danny Welbeck, do Brighton.
Welbeck chamou a atenção de Ten Hag logo em seu primeiro jogo no comando do United. O britânico aprontou para cima da defesa do treinador e foi um dos responsáveis pela primeira derrota de Ten Hag, justo em seu jogo de estreia.
Welbeck era visto pelo treinador holandês como um atacante com experiência suficiente para comandar o ataque do time na Premier League, coisa que ele não via nos outros jogadores que tinha a disposição.
Outros dois nomes de confiança do treinador também foram vetados: Jurrien Timber, hoje no Arsenal, e Ryan Gravenberch, hoje no Liverpool.
Os dois jovens já haviam trabalhando com Ten Hag no Ajax e eram vistos pelo técnico como essenciais para o início do seu trabalho em Manchester, mas ambos foram negados pela cúpula de Manchester.

Como solução, o treinador conseguiu barganhar as chegadas de Lisandro Martinez (outro ex-Ajax) para o lugar de Timber, e Mason Mount, ao invés de Gravenberch.
O conterrâneo Frank De Jong também foi outro nome que o treinador pediu à diretoria, mas também não teve o seu desejo atendido.
Entre os jogadores que tinha a sua disposição, Ten Hag brigou até onde pôde para tentar manter o marroquino Sofyan Amrabat, outro pedido não atendido.
No caso do meio-campista, a diretoria do United ficou insatisfeita com o número de jogos que o treinador usou o jogador, e optaram por não ativar a cláusula de compra.
McTominay foi outro que o treinador brigou para manter, mas sem sucesso. O meia, vendido ao Napoli, foi um dos quatro únicos jogadores que atingiram dois dígitos de gols na temporada passada pelo United.
Os 6 desejos não atendidos de Ten Hag
- Contratar Welbeck (ficou no Brighton)
- Contratar Gravenberch (foi para o Liverpool)
- Contratar Timber (foi para o Arsenal)
- Contratar De Jong (foi para o Ajax)
- Manter Amrabat (foi para o Fenerbahçe)
- Manter McTominay (foi para o Napoli)
Fonte: The Athletic
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Mesmo com as negativas, gastos de Ten Hag ultrapassaram os R$ 4 bilhões
Pode parecer estranhou dizer que Erik ten Hag não teve os seus desejos atendidos, quando o assunto é contratação, durante o seu período como treinador do Manchester United.
Somente na última janela de transferência, o United foi o terceiro time na Premier League que mais gastou, desembolsando cerca de R$ 1,35 bilhão em cinco novas contratações.
Se somar as outras duas temporadas em que esteve à frente do clube, esse número mais que triplica, chegando a mais de R$ 4,10 bilhões investidos em 16 jogadores entre empréstimos e contratos definitivos.
Logo que chegou, o treinador convenceu a diretoria do United a investir em Lisandro Martínez e Antony, dois jogadores que haviam conquistado títulos com o treinador no Ajax, seu clube antes de assinar com o United.
Durante o tempo em que ficou na equipe, ainda convenceu a diretoria a trazer o brasileiro Casemiro, o goleiro Onana, da Internazionale, além de pagar quase R$ 500 milhões por Rasmus Hojlund, ex-atacante da Atalanta.
Nesta temporada, ainda garantiu a contratação de Matthijs de Ligt, outro com quem trabalhou no Ajax, e o também zagueiro Leny Oro, ex-Lille. Este último, porém, o treinador deu azar, mas que se lesionou antes do início da temporada.
Contratações não estavam a altura da Premier League
Apesar do grande volume e contratações – e mais ainda de desejos – os nomes escolhidos acabaram sendo muito questionados.
A reportagem do The Athletic revela que alguns setores do clube questionavam se os jogadores preteridos e contratados estavam, de fato, prontos para a Premier League.
Até o ex-treinador e ídolo Sir Alex Ferguson teria dito, em conversa com alguns, que as novas peças que chegaram ao time de Manchester estavam abaixo do nível necessário.
A relação do treinador com os jogadores também era um problema. Alguns sentiam que Ten Hag não era o nome certo.
Casemiro e Raphael Varene, por exemplo, não eram muito fãs da abordagem de treinamento do holandês, que também teve problemas públicos com Jadon Sancho e Cristiano Ronaldo.
Além deles, outro que também parece ter tido alguma desavença com o ex-comandante foi o goleiro David de Gea, hoje na Fiorentina. Logo após o anunciou da demissão do treinador, o goleiro publicou uma mensagem enigmática em suas redes sociais.
A decisão de não contratar um lateral esquerdo para suprir a lesão de Luke Shaw, além da venda precoce do espanhol Álvaro Fernandez, que hoje brilha no Benfica e é alvo do Barcelona, sem sequer testá-lo, também levantou suspeita sobre o trabalho do treinador.
Vida nova com Rúben Amorim
Bom, ao United e seu torcedor agora restam esperar o novo treinador desembarcar. Até lá, o também holandês auxiliar técnico Ruud van Nistelrooy vai comandar a equipe nos próximos três jogos antes da Data Fifa.
O primeiro desafio na Premier League será logo no clássico contra o Chelsea, neste domingo (3), a partir das 13h30 (de Brasília).



