Holanda

Sem poder usar grama sintética, time holandês erra tamanho de campo novo

Todos os 20 clubes da Eredivisie devem ter gramados naturais ou híbridos a partir da atual temporada

Na temporada 2025/26 da Eredivisie que acabou de iniciar, os times foram obrigados a instalar gramados 100% naturais ou ao menos híbridos. Dos 20 times do Campeonato Holandês atual, apenas o FC Volendam precisava efetuar a mudança e o clube fez, finalizando um processo no no Kras Stadion que começou em maio, mas com um pequeno erro.

A Federação Holandesa de Futebol (KNVB na sigla local) reprovou a nova grama da equipe porque estava um metro mais curto. O serviço foi feito por uma empresa terceirizada que agora precisará corrigir, aumentando 50 centímetros de cada lado com novos pedaços de grama nas laterais.

A correção deve acontecer na próxima semana, dando tempo para o Volendam atuar em casa contra o AZ no dia 17 de agosto. Por sorte, o time estreia na Eredivisie fora de casa neste sábado (9), quando visita o Heerenveen.

Volendam investiu R$ 7,5 milhões em grama ‘errada’

Recém-promovido à elite do futebol holandês como campeão da segunda divisão, o Volendam precisou trocar a grama também do centro de treinamento além do Kras Stadion para se adequar às regras da Eredivisie. No total, o clube investiu 1,2 milhão de euros (R$ 7,5 milhões), mas só conseguiu isso graças a sua torcida.

O clube da cidade portuária criou uma campanha de financiamento para que qualquer torcedor que quisesse apoiar financeiramente a mudança dos gramados poderia comprar um metro de grama por 150 euros (R$ 949). Cerca de 45% do valor que o time pagou pela grama “mais curta” saiu dessa campanha. O restante veio de empréstimos.

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Por que a Eredivisie proibiu gramados sintéticos?

Em 2023, por unanimidade dos 18 times do Campeonato Holandês, foi proibido a utilização de gramas que não fossem naturais ou pelo menos híbridas (compostas por apenas entre 5% a 7% de fibras artificiais, sendo o restante de grama natural). As razões para decisão foram distintas.

— A partir da temporada 2025/26, todos os clubes da Eredivisie serão obrigados a jogar em grama natural ou híbrida de alta qualidade. Além disso, a partir da próxima temporada, um protocolo de jogos entrará em vigor, que inclui requisitos de qualidade para campos de grama natural, híbrida e artificial — escreveu a organização da liga em comunicado na época.

Gramado da Johan Cruyff Arena
Gramado da Johan Cruyff Arena (Foto: Imago)

O movimento de discussão sobre a área e os posicionamentos contra gramados sintéticos na Holanda são antigos. Diversos jogadores reclamavam desse tipo de gramado sintético por conta do quique da bola e uma suposta maior incidência de lesões.

Em 2017, 12 capitães assinaram uma declaração contra a utilização deles, tendo o apoio da Associação de Jogadores de Futebol Profissionais da Holanda (VVCS na sigla em holandês). Dusan Tadic, ídolo do Ajax e com quase dez anos de Holanda, era uma voz importante contra: chegou a dizer em uma oportunidade que jogar em grama artificial é como se estivesse na lua e era uma vergonha para o futebol holandês.

Um grupo de pesquisadores holandeses, em 2016, apontaram que os gramados sintéticos poderiam aumentar o risco de incidência de câncer nos jogadores porque os pisos são feitos a partir de borracha reciclada.

Junto da decisão de proibir gramas artificiais, a Eredivisie lançou uma série de medidas para distribuição mais igualitária de dinheiro de cotas televisivas, definindo também um valor que participantes de competições europeias cederiam de suas premiações e um acordo para apoio financeiro da Eerste Divisie, a segunda divisão local — um dos argumentos dos pró-sintético era o baixo custo de manutenção desse piso.

Como começou o ‘boom’ de grama sintética na Holanda?

Por ser um país frio e com verão de pouco sol, a Holanda tem um grande desafio — e custoso — para cuidar de grama natural. A artificial traz mais facilidade de manutenção e permite que clubes menores possam gastar menos dinheiro com isso. O Heracles foi o “pioneiro” nessa área nos Países Baixos, instalando o primeiro piso sintético em 2003.

No auge dese tipo de gramado, na temporada 2016/17, o futebol profissional da Holanda chegou a ter 22 campos assim, segundo o site especializado em gramados no futebol holandês “Sportveld”.

Com o passar do tempo e a decisão da Eredivisie, no entanto, isso foi mudando. Tanto que, já na última temporada, quando a proibição ainda não estava em vigor, não havia nenhum time com grama artificial (o Heracles a abandonou justamente em 2024, investimento mais de 5 milhões de euros, R$ 31,6 milhões, com estádio e CT).

A última vez que a elite do futebol holandês teve jogo em sintético foi na temporada 2023/24, quando Volendam e Excelsior, além do Heracles, tinham esse tipo de grama.

A discussão na Holanda, com praticamente duas décadas de experiência com gramas sintéticas, pode servir como exemplo para o futebol brasileiro, que ainda não sabe tratar do tema que não seja com viés clubista de todos os lados.

Tipos de gramado na Eredivisie 2025/26:

  • Grama híbrida: Ajax (Johan Cruyff Arena), NEC Nijmegen (Goffertstadion), FC Utrecht (Stadion Galgenwaard), PSV (Philips Stadion), AZ (AFAS Stadion), SC Heerenveen (Abe Lenstra Stadion), Excelcior (Woudestein Stadion), FC Volendam (Kras Stadion), Fortuna Sittard (Fortuna Sittard Stadion), Sparta Rotterdam (Het Kasteel), Zwolle PEC (MAC³PARK Stadion), Go Ahead Eagles (De Adelaarshorst), FC Groningen (Euroborg) e Heracles (Asito Stadion)
  • Grama 100% natural: Feyenoord (De Kuip), FC Twente (De Grolsch Veste), Telstar (Buko Stadion), NAC Breda (Rat Verlegh Stadion)

Fonte: “Sportveld”

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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