Holanda

Após 52 anos como steward, este senhor quis se despedir do estádio do PSV pela última vez

O Estádio Philips foi inaugurado em 1910. E em praticamente metade dessa história, Piet Adriaans se dedicou a zelar pelas arquibancadas da casa do PSV. O idoso aposentou-se em 2008, quando tinha 80 anos. Por mais de cinco décadas, atuou como steward do setor onde ficavam os ultras alvirrubros, cuidando do conforto e da segurança no local. E, já na época, recebeu uma enorme homenagem dos Boeren em sua despedida. Oito anos depois, Adriaans sabe que não tem muito tempo de vida. Não bastassem as debilidades causadas pela idade, o veterano passou a sofrer com uma doença crônica no pulmão. Mas, neste final de semana, quis voltar para um último adeus ao Estádio Philips. Outra vez, recebeu o carinho de seus velhos companheiros de arquibancadas.

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Adriaans se tornou funcionário do PSV em 1956. Na época, o clube tinha apenas três títulos do Campeonato Holandês e uma Copa da Holanda. E o segurança pôde ver os Boeren se tornarem um dos maiores clubes do país e também conquistarem a Europa. Foram 39 taças erguidas desde então, incluindo 18 da Eredivisie, além de uma da Copa dos Campeões e uma da Copa da Uefa. Isso sem contar os craques que passaram pelo Estádio Philips, incluindo lendas como Romário, Ronaldo, Ronald Koeman, Ruud Gullit e Ruud van Nistelrooy.

Por conta de sua doença pulmonar, no entanto, Adriaans passou seis meses sem ir ao Estádio Philips. E, diante dos diagnósticos dando poucas esperanças, o steward insistiu por uma despedida das arquibancadas. Chegou de ambulância ao portão principal, já aplaudido por um corredor formado por torcedores alvirrubros. “Estava ansioso por este momento”, declarou Piet, durante a sua entrada no estádio. “Eu sempre adorei os torcedores como se fossem meus vizinhos. Apenas era eu mesmo”.

Mesmo de maca e com uma sonda passando por seu nariz, permaneceu nas arquibancadas durante o duelo com o Heerenveen. Ganhou de presente mais palmas e cânticos. Além disso, uma faixa com o seu rosto prestava tributo no local, agradecendo pelos ‘grandes anos’. Seus velhos conhecidos o descrevem como um segurança rigoroso, mas sempre justo e honesto. Alguém digno da admiração de todos. “É ótimo ver os torcedores fazerem tudo isso, ele merece. Ele fazia de tudo para garantir aos torcedores um bom dia nas arquibancadas”, declarou o seu filho, Ruud.

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Já depois da partida, Piet Adriaans não escondeu a emoção: “Todo o estádio estava cantando por mim, mesmo a arquibancada principal. Agradeço por tudo o que eles fizeram por mim hoje. Pode ter sido a minha última vez no estádio, porque meu pneumologista acredita que não tenho muito tempo de vida. Mas os médicos não sabem de tudo. Eu continuarei lutando contra a doença, porque não tenho tempo a perder”. Além disso, os dirigentes do PSV prometeram ajudá-lo no que for possível com o tratamento.

O empate por 1 a 1 pode não ter sido o placar ideal para a ocasião. Mas tornou ainda mais indiscutível o prêmio de “Homem do Jogo” entregue pelo PSV a Adriaans. Mais uma homenagem para evidenciar o seu amor ao clube. Se não podia assistir aos jogos, o veterano se dedicou por cinco décadas para que os demais torcedores pudessem empurrar os Boeren. Mais do que um exemplo de funcionário, um exemplo de vida.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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