Holanda

Repressão da polícia em protesto pacífico de torcedores? Também aconteceu na Holanda

A maneira como a polícia lida com as torcidas no Brasil esteve no centro do debate durante as últimas semanas. A questão do abuso de força, porém, não é um problema exclusivo dos estádios brasileiros. Nesta semana, um episódio marcante aconteceu na Holanda. Antes da partida contra o Roda JC, no domingo, os torcedores do Feyenoord protestavam contra a péssima sequência da equipe no Campeonato Holandês. Pediam para que a diretoria renunciasse e carregavam caixas de papelão para que eles “começassem a embalar os seus pertences”. Contudo, a marcha silenciosa acabou em repressão.

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Na praça principal em frente ao Estádio De Kuip, onde a caminhada terminaria, a polícia aguardava os manifestantes com um aparato desnecessário para uma ação pacífica: carregavam escudos, cassetetes, cavalos e cães, além de terem o resguardo de veículos especiais e até mesmo de um helicóptero. A tropa de choque, que formava uma linha impedindo os torcedores de se aproximarem do estádio, isolou de 600 a 800 protestantes. Então, os policiais passaram a forçá-los a se submeter a um sistema de registro, tirando fotos e passando as suas identificações. Quem se recusou à imposição acabou preso e levado à delegacia. Enquanto isso, a imprensa não tinha permissão para relatar a ação excessiva.

Segundo a polícia de Roterdã, o grande número de policiais se fez necessário para proteger o patrimônio da cidade e evitar um episódio parecido com o ocorrido em 2011, quando o confronto com os ultras tomou as ruas da cidade. No entanto, a torcida do Feyenoord acusa ter sido alvo de uma armadilha, na qual a tropa de choque os deixou sem rota de fuga e tentou obrigar a realização dos cadastros – embora a manifestação fosse plenamente pacífica e não tivesse qualquer intenção de causar tumulto. Óbvio que alguns ultras envolvidos podiam ter outro intuito. Mas nada explica a atitude policial para reprimir o protesto. Se o cadastro de torcedores é uma medida válida para combater a violência nos estádios, nem de longe deveria ter sido feita desta maneira impositiva.

Ao todo, 326 torcedores do Feyenoord foram presos e precisaram passar algumas horas na delegacia sem qualquer informação. Todos só foram liberados após o pagamento de uma multa de € 220, enquanto parte deles ainda foi multada por “violência pública”. Independente do histórico da torcida do Feyenoord, a postura policial é injustificável. Retrata a falta de diálogo que muitas vezes impera no futebol e também o ambiente de repressão, quando as arquibancadas deveriam significar justamente liberdade.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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