Holanda

Os novatos holandeses precisam aparecer e rápido

Vermeer; Janmaat, De Vrij, Martins Indi e Willems; Klaassen, Sneijder e Blind; Narsingh, Huntelaar e Depay. Esta foi a escalação do jogo mais recente da seleção da Holanda, há quase duas semanas, contra a Espanha. Média de idade: 24,90 anos, com dízima periódica. À primeira vista, é uma média indicadora de uma seleção que está se renovando. Mostra um time mais novo do que o espanhol que foi enfrentado (25,5 anos). Mais novo do que a Alemanha escalada contra a Geórgia, nas eliminatórias da Euro 2016 (25,72 anos). Do que a França escalada contra o Brasil, no amistoso (27,2 anos). Aliás, mais novo do que o próprio Brasil, na mesma partida (26,6 anos).

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Mas sabe-se que o importante, no futebol, não é ter um time novo apenas por tê-lo. É ter um time novo com qualidade, no qual os jogadores já cheguem, no mínimo, mostrando margem de evolução em poucas partidas – e, no máximo, ganhando rapidamente a titularidade absoluta. É aí que a Oranje está pecando, nos últimos tempos. Porque os novatos holandeses (para efeito de comparação, considerar-se-á aqui que “novatos” estão abaixo de 25 anos – pode ser exagero, mas mostra melhor) ainda não explodiram como deveriam na equipe nacional. Coisa que já acontece, nas outras seleções mencionadas.

Afinal, se a equipe francesa tem veteranos como Evra e Sagna, não é menos verdade que Varane e Griezmann já são presenças testadas e aprovadas na base do elenco que Didier Deschamps normalmente convoca para os Bleus – isso, sem falar de Pogba, 20 anos, que não jogou contra o Brasil por estar lesionado. Na Espanha, não só há gente experiente que terá mais uns bons anos de seleção pela frente (Piqué, Fàbregas e Sergio Ramos) são bons exemplos -, mas também gente que pede passagem e virará titular assim que se julgue adequado, como De Gea, ou já o fez, como Isco e Carvajal.

Os exemplos continuam nas outras duas seleções mencionadas. E são até mais definitivos. Na Alemanha, Mario Götze, autor do gol que deu à Mannschaft o quarto título mundial, tem só 22 anos. E no Brasil, para não falar de Neymar, 23 anos, há Roberto Firmino, também de 23 anos, cada vez mais consolidado na equipe que Dunga tem levado aos campos.

Seja como for, repita-se: o importante aqui não é a idade, mas a capacidade dos novatos em assumirem grandes responsabilidades nas suas seleções. E absolutamente todos os mencionados já mostraram que as equipes nacionais não são muita areia para seus caminhõezinhos. Varane, Pogba, Griezmann, De Gea, Isco, Carvajal, Neymar, Firmino, Götze (sem falar em convocados que ficam na reserva: Philippe Coutinho, Marquinhos, Kondogbia, Goretzka, Meyer, Volland, Koke, Alcácer)… a lista é grande.

E na Holanda, quem já fez isso? De modo indubitável, talvez só dois jogadores: Memphis Depay, 21 anos, que apenas espera a confirmação do título holandês do PSV para já deixar Eindhoven (e rumo a um clube de ponta da Europa, segundo segredou o diretor esportivo do clube, Marcel Brands). E Stefan de Vrij, que já tomou para si o papel de titular absoluto da zaga da Lazio, com 23 anos, logo na primeira temporada pelos Biancocelesti. Somente os dois podem ser considerados jovens prontos para assumirem tarefas mais sérias na Oranje.

De resto, mesmo com a fartura de jovens à disposição de Guus Hiddink, poucos deles agarraram eventuais chances com unhas e dentes. Martins Indi poderia estar na lista, é titular da Oranje, mas já frequenta a reserva no Porto; Willems ainda é inseguro demais, defensivamente falando, para ser considerado um lateral esquerdo digno de nota; Wijnaldum até cresceu na carreira, afastou o perigo de se tornar “foguete molhado”, mas é apenas razoável. E os outros jovens apenas ocupam papel periférico: Veltman, Clasie, Fer, Klaassen, Narsingh, Zoet… Ou então, quando mostram talento indubitável e dão passos importantes, o físico os atrapalha, não é, Strootman?

Uma possível razão para explicar a apatia das promessas na Oranje é a irregularidade que apresentam nos campeonatos de base da Uefa. As “jeugdselecties” (seleções de jovens) apresentam atuações irregulares demais ao longo dos anos. Para começo de conversa, basta lembrar que a equipe sub-21, bicampeã europeia em 2006 e 2007, sequer esteve nos Europeus de 2009 e 2011. Daí, a Jong Oranje voltou em 2013, alcançando as semifinais. Para novamente ficar fora da fase final a ser disputada neste 2015…

De mais a mais, nenhum dos campeões europeus sub-21 conseguiu fazer grande coisa quando chegou ao time de cima. E chances não faltaram a Vlaar, Schaars, Maduro e Babel, citando apenas alguns desta geração – e nem se falou em Drenthe! O mesmo ocorre com a equipe sub-17 campeã europeia em 2011: apenas Willems e Depay (e, com muita bondade, Kongolo e Vilhena) tornaram-se nomes conhecidos. E dos bicampeões de 2012, só agora Hendrix (PSV) e Bazoer (Ajax) aparecem em suas equipes.

Talvez, a situação se justifique por algo que a coluna já abordou aqui, em 2012. A revelação é tamanha, a importância e espaço dados a garotos são tão grandes no futebol holandês, que separar o joio do trigo torna-se tarefa inglória. E pelo andar atual da carruagem, o joio deve ser maior. Por isso, embora a média de idade da Oranje seja baixa, o destaque segue com os “trintões”. Ou os novatos capazes pegam rapidamente este touro pelos chifres, ou a seleção holandesa adulta tenderá a cair alguns degraus nos próximos anos.

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