Holanda

Na 2ª divisão holandesa, drama irá até após última rodada

Sabe-se que a Segunda Divisão do Campeonato Holandês vive dias de indefinição. Em duplo sentido. Tanto pela condição financeira periclitante de vários times, quanto pelo equilíbrio que a acompanhará até o final. A tal ponto que ela até contradirá um fato que parece inquestionável. O fato: a não ser que haja recurso nos tapetões da vida, um campeonato em pontos corridos acaba na sua última rodada. Pois bem, não acontecerá na Jupiler League.

Pela falência de AGOVV Apeldoorn e SC Veendam, o que era um campeonato de 34 rodadas diminuiu para 30 jogos. E dois clubes terão sua última partida nesta sexta-feira. Um deles, aliás, até pode sonhar em melhorar sua situação no campeonato: enfrentando o FC Oss, o Helmond Sport pode terminar sua temporada como vice-campeão. Sem jogar a primeira divisão desde a temporada 1983/84 (e mais conhecido por ter sido o time contra o qual Johan Cruyff fez isso, no 5 a 0 do Ajax, na Eredivisie 1982/83), não seria só algo que daria ainda mais ânimo ao time de Helmond.

Seria, também, um fator a mais a colocar pressão no Cambuur Leeuwaarden. Vice-líder da segunda divisão, com 55 pontos, dois atrás do líder (e três à frente do Helmond Sport), os auriazuis ainda têm mais dois jogos de angústia. São aparentemente fáceis, contra Emmen e Excelsior, respectivamente antepenúltimo e penúltimo colocados do campeonato. Além disso, o time é experimentado, com jogadores experientes em times médios/pequenos da Eredivisie, como o meia Yuri Rose e o zagueiro Leon Broekhof. O destaque é o atacante Michiel Hemmen, com 15 gols.

Só que o Cambuur terá um certo trauma, por não jogar a Eredivisie desde a temporada 1999/2000. Mais do que isso: não lhe basta ganhar os dois jogos, mas também de esperar por um tropeço do líder Volendam. Que pode não jogar a primeira divisão desde 2009, mas que tem experiência de sobra na segundona: é o recordista de títulos, conquistando o torneio por seis vezes, e é o grande “clube ioiô” da Holanda, com nove acessos à divisão de elite do futebol holandês (como a Trivela citou aqui, em texto de 2008, época do último acesso da equipe).

Mas ainda que tenha desafios mais respeitáveis nesses dois últimos jogos (nesta sexta, enfrenta o MVV Maastricht, quinto colocado; na rodada derradeira, o rival será o Go Ahead Eagles), a “Outra Laranja” parece madura para jogar a Eredivisie pela décima vez. Tem um time mais experiente. Uma base bastante entrosada – alguns jogadores, como o lateral direito Gerry Koning e o zagueiro Henny Schilder, até estavam na campanha da temporada 2008/09, última pela Eredivisie.

Todavia, é outro remanescente daquela participação que protagoniza a campanha atual. Por sinal, novamente: Jack Tuyp foi artilheiro na temporada 2007/08 da Eerste Divisie, última conquista do Volendam, com 26 gols. Foi goleador na temporada passada, com 20 gols, mesmo que o time tenha ficado num insípido 12º lugar. E, agora, volta a ficar no topo da lista de quem mais vezes colocou a bola nas redes: já são 27 gols. Não impressiona que Tuyp queira um outro clube para mostrar o que pode fazer, após a temporada atual. Pelo menos, já tem um pupilo: seu parceiro de ataque, Michiel Kramer, é o segundo na relação de principais goleadores, com 21 gols.

Ficam, então, os dois desafios posteriores para Cambuur e Volendam. Mesmo que dois clubes já tenham tido sua “última” rodada. Aliás, cabe lembrar que o que acaba é a fase de pontos corridos. Afinal de contas, ainda restam os play-offs, com mais gente envolvida: De Graafschap, Sparta Rotterdam, Helmond Sport… enfim, a segunda divisão está indefinida. Pelo menos, agora não é no sentido financeiro.

Uma rápida observação

O Ajax continua favorito ao tricampeonato holandês, mesmo com o tropeço contra o Heerenveen, na 31ª rodada. Mas o empate por 1 a 1 em Amsterdã deixou a lição: estar com a Eredivisieschaal na alça de mira não significa que os Ajacieden podem atuar preguiçosamente, como se a vitória viesse por osmose. Ela continua perto. Mas a equipe terá de mostrar mais esforço contra NAC Breda, Willem II e Groningen, os duelos que restam.

Ah, sim: e na briga de quem é mais dependente do seu jogador principal, o Vitesse viu o quanto Bony, machucado, fez falta contra o Feyenoord. Que abriu o placar, na vitória de 2 a 0 sobre os Arnhemmers, com… ele, Graziano Pellè. Só para não perder o costume.

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