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Após decepcionar em outros países, Peter Bosz retorna à Holanda para treinar o PSV

Ele tentará recuperar a própria imagem e o sucesso do time de Eindhoven, que levou apenas três títulos holandeses desde 2008

Quando saiu da Holanda, Peter Bosz era um técnico promissor. Havia emendado boas temporadas com o Vitesse e chegado à final da Liga Europa com o Ajax. Perdeu o título da Eredivisie naquela temporada para o Feyenoord por um ponto. O Borussia Dortmund o escolheu para suceder Thomas Tuchel, um cargo de alta responsabilidade e visibilidade, mas essa experiência não foi longa. Se ficou mais tempo no Bayer Leverkusen, o salto para ligas mais ricas não foi bem sucedido, e agora ele retorna ao seu país natal para tentar reconstruir a sua imagem no comando do PSV.

O Dortmund havia tido um período longo e histórico com Jürgen Klopp. Acertou com outra cria do Mainz para substituí-lo, e Thomas Tuchel conseguiu manter a competitividade, mas saiu por atritos com a diretoria. Bosz parecia uma boa escolha: praticava futebol ofensivo e tinha histórico de desenvolver jovens, duas características que se encaixam com o projeto do seu novo clube. Começou bem, ganhando seis das primeiras sete rodadas da Bundesliga.

Quando a deterioração começou, ela foi rápida. O Dortmund foi eliminado da fase de grupos da Champions League perdendo todos os jogos para Tottenham e Real Madrid e conseguindo apenas dois empates contra o Apoel, do Chipre. Na liga alemã, entrou em uma sequência negativa de oito partidas sem vencer que culminou com sua demissão no começo de dezembro. Ele se tornou o primeiro técnico a deixar os aurinegros durante uma temporada em mais de uma década.

Ficou um ano sem emprego até assumir o Bayer Leverkusen no fim de 2018. Em ritmo inverso ao do Dortmund, teve duas campanhas seguidas de recuperação, terminando em quarto e quinto lugar. Ajudou a desenvolver Kai Havertz, que deu uma bela grana às Aspirinas. O começo da temporada 2020/21 foi animador. Ficou invicto durante as primeiras 12 rodadas e chegou a assumir a liderança. No entanto, novamente, quando o espiral negativo começou, não deu para segurar. Bosz foi demitido no fim de março, fora da zona de classificação à Champions League.

O próximo projeto não demorou para aparecer. Foi anunciado pelo Lyon para a temporada 2021/22, substituindo Rudi Garcia. E existem algumas ponderações ao seu desempenho fraco porque o clube francês, com recursos para acompanhar o pelotão de frente, perdeu um pouco o rumo desde a saída de Bruno Genésio, embora tenha encaixado uma boa campanha com Rudi Garcia. De qualquer maneira, foi apenas oitavo colocado, a pior campanha do Lyon na primeira divisão desde 1995/96.

Sabe-se lá por que ainda ficou mais alguns meses, mas caiu em outubro do ano passado, ainda sem engrenar, e agora assume o PSV, que anunciou a saída de Ruud van Nistelrooy algumas semanas atrás. O ex-atacante foi embora antes do fim da temporada, com rumores de desavenças nos vestiários e uma campanha decepcionante, a sete pontos do campeão Feyenoord. Pelo menos, conseguiu assegurar a segunda posição e garantiu vaga na próxima Champions League. O PSV também é o atual campeão da Copa e da Supercopa da Holanda – derrotando o Ajax na final das duas.

“Tanto eu quanto o PSV estamos ansioso para jogar. Na temporada passada, foram conquistados dois títulos, mas nosso objetivo é ser campeão nacional. É para isso que estou chegando. Acho que a combinação entre o elenco e minha forma de jogar pode levar ao sucesso. O PSV teve períodos no passado em que dominou o futebol holandês. Quero reviver aqueles tempos”, disse o treinador de 59 anos.

O último período de domínio mesmo do PSV foi na metade da década de 2000, com um tetracampeonato sob o comando de Guus Hiddink e Ronald Koeman. Nos últimos 15 anos, levou apenas três títulos da Eredivisie, o mais recente em 2017/18. Não será um trabalho fácil, mas também parece uma boa oportunidade para Peter Bosz se reposicionar no mercado como um treinador competente mais uma vez.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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