conta a trajetória do nosso colunista Gabriel Dudziak no comando do  no . Para ver outros capítulos da série, clique aqui.

O ano de 2021 chegou e com ele mais uma oportunidade de tentarmos buscar o sonho de conquistar a Copa Libertadores da América. O time que começou a segunda metade da temporada foi praticamente o mesmo do período anterior, ou seja:

Sergi; Bogado (Tejera), Sarulyte, Valentini; Caro (Pavone), Viotti (Casamán) e Sánchez; Mastrángelo; Capobianco (Rabello), Acciari e Reboledo

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-Começamos com uma vitória por 3 a 0 contra o Lanús com um hattrick de Reboledo. Era isso que precisávamos do nosso camisa 10! Veio um triunfo contra o San Lorenzo por 2 a 0 e um empate com o Colón em 0 a 0 antes da estreia na Libertadores, contra o Barcelona de Guaiaquil.

– Nosso grupo, o G, tinha Barcelona, Universidad Católica e Pumas. Contra os equatorianos atropelamos! 7 a 0 com três gols de Reboledo, três gols de Acciari e um de Lamanna. A parceria de ataque! Era isso!

– De volta ao Clausura batemos o Arsenal de Sarandí por 4 a 0 e o Vélez por 3 a 0 antes de enfrentarmos a Católica no torneio continental. Vencemos! 3 a 1 com um gol de Acciari e dois de Capobianco.

– Depois de uma vitória por 1 a 0 contra o All Boys encaramos o Pumas do México em casa pela Libertadores. Mais um triunfo e mais um passo no nosso objetivo, sendo o primeiro deles ficar na ponta da classificação geral da competição. Nossa vitória no Monumental de Alto Córdoba foi por 3 a 1 graças a Sarulyte, Reboledo e Viotti.

– River e Rosario Central foram derrotados por 2 a 1 e 2 a 0 respectivamente antes de nos concentrarmos no duelo em solo mexicano contra o Pumas novamente. Mais uma boa atuação terminou com triunfo: 2 a 0 graças a gols de Reboledo.

– Na Copa da Argentina os pênaltis foram necessários para vencermos o Quilmes após um 2 a 2, enquanto no Clausura ganhamos do Racing por 2 a 0. De novo na Copa da Argentina batemos o Argentinos Juniors por 5 a 1 e no campeonato local passamos pelo Atlético Tucumán por 2 a 1.

– A Libertadores voltou com o confronto fora de casa contra a Universidad Católica. Ganhamos outra! Acciari, duas vezes! Depois desse jogo acabou-se uma das maiores invencibilidades da história do Instituto e do técnico Santiago Milasevan. Com a derrota para o Estudiantes por 3 a 1 findou-se uma série de 17 jogos sem perder, sendo 15 vitórias e dois empates.

– De volta à Libertadores, encerramos nossa participação na fase de grupos com um 5 a 1 no Barcelona. Reboledo, Sánchez, Acciari (2 vezes) e Sarulyte foram às redes para nos dar o melhor aproveitamento da primeira fase e, consequentemente, vantagens nos duelos seguintes.

cap26_02 [Uma Saga de FM] Capítulo 26: Sobre moral, justiça, vitórias e derrotas

– No Clausura batemos o Chacarita Juniors por 3 a 1 e voltamos à Libertadores para duelar com o Deportivo Táchira pelas oitavas de final. O primeiro jogo não foi fácil: 3 a 1 com gols de Valntini, Ortigoza (que finalmente fazia algo na temporada) e Sánchez. O segundo jogo sim foi fácil. Em casa foram inapeláveis 7 a 0 com tentos de Martín (nosso centroavante da base), Valentini, Viotti, Sánchez (duas vezes), Capobianco e Tejera. Avançavámos às quartas de final para duelar com o Godoy Cruz.

– No Argentinão perdemos justamente para o Godoy Cruz por 2 a 1 e empatamos com o Boca por 1 a 1. Veio o duelo da Libertadores contra o mesmo Godoy… Fora de casa jogamos muito bem e ganhamos por 4 a 1 com gols de Mastrángelo, Capobianco, Sánchez e Rabello. Em casa fizemos um 2 a 0 tranquilo para chegar às semifinais. Do outro lado o Peñarol avançou! Era esta a semifinal.

– Em solo doméstico ganhamos do Olimpo por 3 a 0 na Copa da Argentina e depois vencemos o Lanús na mesma competição para chegar à decisão do torneio. Veio então um dos momentos mais bizarros da história do Football Manager…

cap26_03 [Uma Saga de FM] Capítulo 26: Sobre moral, justiça, vitórias e derrotas

Momento palhaçada!

cap26_04 [Uma Saga de FM] Capítulo 26: Sobre moral, justiça, vitórias e derrotas

Vejam a imagem acima…. Sim. Exatamente. Seis jogos em seis dias! Eu nunca tinha visto isso. Cadê o Buen Senso?!

Bom, perdemos o Campeonato Argentino por essa patacoada, mas ganhamos a Copa da Argentina! Era hora de enfrentar a Libertadores!

– Claro que o desgaste continuava… O primeiro confronto contra o Peñarol foi fora de casa e não teve bom resultado. Partida difícil e sofrida. Criávamos pouco, eles cruzavam muita bola na área. Em escanteios os uruguaios fizeram 2 a 0. Felizmente Acciari descontou! 2 a 1 pra eles e uma boa chance em casa. O que não estava bom era o nosso goleiro. Por isso, Danilo Lerda, aos 34 anos de idade voltou à nossa meta para o confronto decisivo.

– No Monumental de Alto Córdoba o Instituto pressionou do início ao fim. Fez o gol logo no início com Pavone, mas tomou a igualdade. Era necessário mais dois gols pra resolver a parada no tempo normal! Cruzamentos daqui, chutes de longe dali, gols perdidos em profusão… Mas ele veio. Com Mastrángelo. 2 a 1 e pênaltis!  Tensão demais. Escolhi os melhores batedores (sempre fico em dúvida sobre isso, pois sempre um deles perde). Bom, desta vez ninguém perdeu e Lerda, nossa aposta, usou a experiência para defender duas. Ganhamos! Estávamos na final! Contra o Corinthians… Outra vez o Corinthians.

cap26_05 [Uma Saga de FM] Capítulo 26: Sobre moral, justiça, vitórias e derrotas

O dilema ético

Bom, senhores e senhoras… Esse é o momento em que a narração da saga dá espaço a uma questão moral. Vou contar as linhas a seguir me privando de julgamentos, mas narrando pensamentos. Demorei a decidir o que falar e o que não falar aqui e espero que compreendam. Tudo isto ocorreu em uma madrugada…

No dia 12 de junho de 2021, às vésperas do jogo contra o Corinthians fora de casa, veio a bomba: Reboledo e Sánchez foram convocados para a seleção Argentina que disputaria a Copa das Confederações. Não houve nem como pedir dispensa.

Dois desfalques por seleção, seis jogos em seis dias e um gol do Corinthians com menos de partida. Não deu. Saí do jogo. Dei quit game… Desliguei o computador…. Foi o impulso.

Foram cinco minutos de sangue fervendo e cuidados extremos para não acordar ninguém em casa. Era só um jogo afinal não?  Que patético tamanha irritação… Não era possível manter isso assim.

O computador foi ligado novamente. O jogo carregado. Era antes da partida com o Corinthians, aquela que eu tinha desistido. Não havia mais o que fazer. Era moralmente reprovável, mas joguei de novo. Desta vez disposto a não sair nem se eu tomasse um 7 a 0.

A única mudança que fiz em relação ao jogo que não houve foi mandar o time todo pro ataque desde o início, com Mastrángelo avançando pra posição atrás dos atacantes e Viotti passando ao meio de campo. Começou com o meu time com a bola e eles se defendendo bem. O nosso 3-3-1-3 mais ofensivo enfrentava um inusitado 3-2-4-1. Os corintianos tinham três zagueiros, dois volantes, dois alas com mais dois meias recuados e só um atacante. Era natural que nós tivéssomos a bola e eles o contragolpe. O que não foi natural pra mim foi ver Mastrángelo invadir a área e abrir o placar fora de casa. Tal qual foi surpreendente que Acciari fosse às redes mais duas vezes em cobranças de escanteio. 3 a 0 no primeiro tempo. Que coisa! Veio a segunda etapa e com ela uma acomodação natural do nosso time. O Corinthians marcou, mas felizmente foi só um. 3 a 1 para nós.

Aquilo, porém, não estava certo… Eram os ecos do 1 a 0 pra eles que não terminou. Salvei o jogo com outro nome. Voltei àquele save. De novo contra o Corinthians. Decidi dar mais uma chance a nós dois – eu e máquina. Escalei o mesmo time. Mandei a campo a mesma estratégia, mas desta vez não veria o jogo. Deixei só em melhores momentos. Não mudaria nada. Queria ver o que dava… Deu 3 a 1 a nosso favor. Eu tinha dado a “nega” ao Football Manager com até certa vantagem ao meu algoz. Voltei ao save anterior com o 3 a 1 original. Havia eu atingido a redenção moral? Não. Mas era o que tinha… Deixei assim.

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O jogo de volta aconteceu no dia 23 de junho de 2021. Em casa nós poderíamos perder até por 2 a 0 que ainda assim seríamos campeões da Libertadores. E isso realmente aconteceu. Em menos de 45 minutos dois chutes de fora da área venceram Lerda. O time ficou nervoso e eu então nem se fala… Felizmente antes mesmo do apito final do primeiro tempo o nosso rapidíssimo Pavone apareceu dentro da área para descontar. 2 a 1 pro Corinthians.

Veio a segunda etapa… Acciari tinha a companhia de Rabello e Capobianco no ataque e resolveu aproveitar os passes laterais dos nossos ponteiros. Ele não só igualou o jogo como virou a nosso favor com daus boas finalizações cara a cara com o goleiro. 3 a 2! O título estava muito próximo!

O Corinthians, no entanto, queria briga. Que time complicado de enfrentar! Jogadores melhores que os meus e uma organização tática muito maior. Gol deles aos 70 minutos de jogo. 3 a 3 no placar…. Gol deles aos 80 minutos de jogo, 4 a 3 no placar…

4 a 3… Um gol corintiano daria o título a eles e uma frustração capaz de atravessar o coração de um homem à frente de seu computador numa madrugada silenciosa. Não havia mais o que fazer. Era aguentar jogando da mesma forma. Um chute dos meus adversários pegou no travessão e Sarulyte afastou do jeito que deu. A bola foi para o lado direito do gramado onde Rabello dominou e caminhou com convicção para o gol. Na saída do goleiro Jefferson (sim, aquele), o chileno tocou para as redes. 4 a 4!

O Instituto era campeão da Libertadores!

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