Os 12 trabalhos de Hércules, episódio 3: O céu e o inferno de Buigues
Este é o episódio é parte da Saga de FM Os 12 trabalhos de Hércules. Confira todos os episódios aqui.
Temporada 1
Eram inegáveis os sinais de avanço dos primeiros meses de trabalho de Francisco Nuñes, e não por acaso o Eibar, da primeira divisão, demonstrou interesse em contar com o comandante do Hercules, fato que o treinador tratou de negar. Apesar do reconhecimento, ainda perdurava algumas dúvidas sobre o trabalho de Nuñes, e uma delas era a capacidade do time de suprir a perda de jogadores titulares. O foco central ficava nas laterais, onde Nuñes improvisava Bueso na esquerda e Ié, na direita. Por isso, o lateral esquerdo Junior Firpo foi adquirido por empréstimo, e não decepcionava.

A profundidade do plantel do Hercules pode ser comprovada nas rodadas seguintes, quando Nuñes lançou, por conta da ausência temporária de Javi Flores, o meia Jose Gaspar. Contratado pelo treinador anterior, Gaspar ganhou a primeira oportunidade no final do jogo contra o Prat, quando Flores deixou o campo com dores. O melhor de Gaspar já foi visto no seu primeiro jogo como titular: dois gols na vitória sobre o Ebro. A vocação para os gols confirmou-se também no último jogo oficial do ano. Além de Gaspar, o torcedor do Hercules passou a acostumar com outro nome: o do goleiro Buigues, único jogador do time principal formado no clube.

“Foi um momento inesquecível! Sempre esperei o dia em que pudesse defender meu time. Acompanhei com dor o Hercules cair e tinha em mim um grande desejo de participar da ascensão. – Iván Buigues, goleiro do Hercules”
O jovem goleiro de 20 anos demonstrava jogo a jogo que estava em evolução. Tinha a confiança de seu treinador e o apoio da torcida, que há algum tempo questionava a titularidade de Chema.
No início de Janeiro de 2017, foi a vez de Mainz retornar ao time principal. Lógico que isso foi a custas do envio de Chechu ao time B, uma vez que o time já contava com o limite de jogadores com mais de 23 anos. Mainz também era versátil como Chechu, só que poderia atuar como atacante também se precisava, e isso foi importante para a tentativa de Muñes de implantar o 4-3-3.

A ideia do esquema com três atacantes não foi em frente, mas o projeto estava ali guardado para ser colocado em prática em uma melhor hora. Jogando com a formação com um atacante só, os resultados eram positivos e isso freou a tentativa de Nuñes de alinhar seu time de outra forma. Era impossível pensar em qualquer mudança num time que conseguiu uma sequência de doze jogos sem derrotas.
Uma nova chance para Arthuro
Na passagem de fevereiro para março, o torcedor do Hercules voltou a gritar o nome de um jogador que no início do campeonato era o único que fazia gols. Arthuro, que sofreu e ao mesmo tempo vibrou com as boas atuações do companheiro e concorrente, Jesús Berrocal, ganhou uma oportunidade de substituir seu concorrente, que passava por um jejum incômodo, na partida contra o Badalona .
“Arthuro fez quatro gols, como poderia ficar no banco um homem desses?”- gritava o alucinado locutor da Rádio Alicante, decretando o triunfo do Hercules sobre o Badalona. E como nada melhor que um jogo após o outro, Arthuro passou em branco contra o Gavá, e deu lugar a Berrocal, que fez nos acréscimos o segundo gol na vitória fora de casa. Mas o atacante brasileiro não passou em branco na primeira partida da semi-final da Copa da Federação. A briga era muito boa entre os atacantes.

O fim da série invencível e o inferno de Buigues
Para os presentes ao estádio José Rico ainda era difícil acreditar naquilo que o placar eletrônico fazia questão de não deixá-los esquecer. O Hercules jogava melhor, tinha as melhores chances, mas o adversário precisou de seus dois chutes para bater os donos da casa. A reação esperada ainda no segundo tempo recebeu um balde de água fria quando o jovem goleiro, ao cortar um cruzamento, jogou a bola para dentro do próprio gol.
Ao final desta fatídica derrota, Nuñes defendeu o goleiro:
“Buigues vem fazendo partidas excelentes, não podemos simplesmente olhar para um jogo e dizer que ainda é cedo de apostar nele. Assim que terminou o jogo, eu disse a ele que o futebol é bem injusto as vezes, e que cabe a ele dar a volta por cima para que dias como esses não acabe com sua carreira.”

A derrota foi bem digerida pelo time, que não demorou a reencontrar o caminho das vitórias e firmar-se cada vez mais na primeira colocação da B3.

A temporada 2016/2017 da B3 caracterizou pela troca intensa de líderes: foram cinco até a 30º rodada, tendo o Baleares como o clube que passou mais rodadas na liderança. Curiosamente, todos estes times não estavam entre os favoritos ao primeiro lugar.
“ Em nenhum momento duvidei que iríamos pegar esta liderança, mas como já havia dito: depois que chegarmos lá, ninguém nos tira a ponta.”

Nuñes talvez tenha esquecido da primeira vez em que sua equipe ocupou a liderança, na 17º rodada, mas também é verdade que após a rodada 23 só deu o time de Alicante, conforme gráfico:

O domínio de outros líderes: Llagostera 11º a 16º | Sabadell rodada 20 | Levante B: rodada 21 e 22 | Baleares 2º a 10º
A Copa da Federação
Entre um jogo ou outro da B3, o Hercules construía seu caminho rumo ao título da Copa da Federação. Depois de iniciar a competição com reservas, e ver o time tendo dificuldades de superar o Llagostera, Nuñes passou a mesclar titulares e reservas. Com isso, a equipe passou a ser um adversário difícil de ser batido.
Na final da Copa da Federação ficou desenhado um encontro entre o líder da B1 e o líder da B3. O Ponferradina, adversário da final, ainda não havia perdido na competição.




