A maior glória do futebol europeu é a Tríplice Coroa: conquistar a Champions League (ou Copa dos Campeões), a liga nacional e a copa do país na mesma temporada. É um desafio duro, de qualidade e resistência. Exige um elenco poderoso que, ultimamente, tem sido exclusividade de clubes milionários: Manchester United (1999), Barcelona (2009), Inter de Milão (2010), Bayern de Munique (2013) e novamente o Barça (2015). Sem contar Celtic, Ajax e PSV em tempos mais remotos. No futebol moderno de hoje em dia, só é possível sonhar em conquistar algo parecido com uma equipe de médio orçamento como o .

Em sonhos ou no , que nos permite conduzir grandes epopeias, como se fossemos um Brian Clough chegando ao Nottingham Forest. O viciado jogador de FM tem sempre o objetivo de levar o seu clube a voos nunca antes alçados e é essa a história que vou contar para vocês: como conquistei o Campeonato Italiano, a Copa da Itália e Champions League no comando do Napoli, na temporada 2019/20, a quarta do meu save. E com direito a uma vitória histórica na decisão europeia.

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Apesar de ter classificado o Napoli para a Champions League em três temporadas seguidas, e com um terceiro lugar, um vice-campeonato e um título na Serie A, a diretoria não me deu um grande orçamento para reforçar o elenco, no verão de 2019. Não lembro exatamente, mas era entre £ 30 e £ 40 milhões, com alguma folga no salário. É considerável, mas pequeno para competir com os grandes da Europa. Precisei vender alguns jogadores e usar pagamentos parcelados para contratar os jogadores que eu julgava necessários para elevar o clube de patamar.

O objetivo era realmente dar um passo à frente porque a equipe já era muito boa. O Napoli começa com alguns jogadores muito interessantes. A defesa tem Koulibaly e Ghoulam, reforçados, no meu save, por Mauricio Lemos, do Las Palmas, e Nélson Semedo, do – Hysaj é ótimo lateral, mas fui obrigado a vendê-lo para a Internazionale. O meio-campo é quase perfeito: Diawara, Allan, Jorginho, Zielinski e Hamsik. Trouxe Mario Lemina da Juventus como suporte. O ataque tem os ótimos Insigne e Mertens pela esquerda. A ponta-direita tinha Callejón, que forçou a saída para o Real Madrid. Trouxe Hakim Ziyech, ex-Ajax, para o seu lugar, e o jovem Gonçalo Guedes. No comando de ataque, eu contava com Milik, Gabbiadini e Maximiliano Romero, jovem argentino do Vélez.

Eu vinha conseguindo bons resultados. Havia sido campeão italiano em 2017/18 e conquistado duas edições da Copa Itália em três tentativas. Tinha acabado de ser vice da Juventus com uma boa campanha (83 pontos), que em outros anos seria suficiente para conquistar o título, mas a Velha Senhora fez um torneio excepcional, com 29 vitórias, sete empates e apenas duas derrotas, somando 94 pontos – quem já jogou na Itália sabe bem o desespero de brigar pelo título com a Juventus; os caras não perdem nunca.

Mas as campanhas europeias foram bem medíocres. Fui eliminado duas vezes pelo Arsenal. Na primeira temporada, em 2016/17, foi uma derrota apertada, nas quartas de final: empatei por 1 a 1, em casa, e perdi por 3 a 2, em Londres. A outra foi bem mais pesada. Em 2018/19, perdi por 2 a 1 na Itália e levei um sapeca de 5 a 0 na Inglaterra. Entre essas duas tragédias, fiquei em terceiro na fase de grupos, atrás de Manchester City e Paris Saint-Germain. Dei bastante azar no sorteio, mas não tive sorte muito melhor na Liga Europa. Após eliminar Galatasaray, Liverpool e Spartak Moscow, cai na semifinal contra o Chelsea.

Meu diagnóstico era que faltava poder de fogo. Milik era o principal atacante e, apesar de uma primeira temporada excepcional – 38 gols em 43 jogos – era muito inconstante, e Romero ainda era muito jovem, com apenas 20 anos. Vendi o polonês para o Southampton por £ 17.25 milhões e contratei Luciano Vietto, do Atlético de Madrid por £ 36 milhões. Lembrando o que ele havia feito em outro save meu, com o Liverpool, fiz de tudo para contratar Domenico Berardi, que estava meio encostado no Manchester United, para assumir a ponta-direita. Vendi Ziyech para a Fiorentina, por £ 22,5 milhões, e paguei £ 60 milhões pelo italiano.

Precisei resolver um problema no gol também. Tinha o sólido Begovic na reserva e Ederson como titular indiscutível. O brasileiro exigiu aumento salarial, não chegamos a um acordo e precisei vendê-lo para o Monaco, por uma boa quantia (£ 40 milhões). Usei o dinheiro para trazer Alex Meret, que estava no Norwich. Todas as contratações com parcelas e bônus de desempenho para caber no orçamento, torcendo para dar certo e não aproximar o Napoli da falência (de novo).

Entrando na temporada, o meu elenco era o seguinte:

Goleiros: Alex Meret, Asmir Begovic e Alex Lucchese (jovem da base do Napoli)
Laterais: Nélson Semedo, Lorenzo Dickmann, Faouzi Ghoulam e Rubén Duarte
Zagueiros: Kalidou Koulibaly, Mauricio Lemos, Sdrjan Babic e Sebastian Luperto
Meias: Amadou Diawara, Allan, Jorginho, Piotr Zielinski, Marek Hamsik e Mario Lemina
Pontas: Lorenzo Insigne, Dries Mertens, Domenico Berardi e Gonçalo Guedes
Atacantes: Luciano Vietto, Maximiliano Romero e Manolo Gabbiadini

No inverno, faria duas alterações no elenco. Vendi Babic para o Olympique Marseille, por £ 12 milhões, e Mertens, já veterano, para o Atalanta, por £ 1 milhão. Trouxe Cristian Arata, do Bologna, para ser reserva na defesa, e aproveitei um excedente de orçamento cedido pela diretoria para contratar Cristian Pavón, do Marseille, por £ 30 milhões. O ataque estava bem resolvido. No entanto, a folga para lesões na defesa era pequena.

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Táticas

O Football Manager 2017 tem um empecilho meio chato. É quase impossível você emendar uma sequência de bons resultados usando sempre a mesma tática. Precisa variar entre duas ou três, senão os adversário coletam muitas informações sobre o seu time. A variação confunde o algoritmo. Além disso, os jogos fora de casa são mais difíceis do que em qualquer outra edição. Dá tranquilamente – sei por experiência – para um mesmo clube terminar a temporada com 18 vitórias e um empate em seus domínios e meros 20 pontos longe deles. Então, é importante também ter uma alternativa para esse tipo de jogo.

Minha tática favorita nesta edição do jogo é um 4-3-3 ofensivo. Mentalidade atacar e formação fluída, que eu troco para controlar e flexível em jogos mais difíceis. Sem extremos, ritmo alto, muita pressão e passes curtos. Começo com a linha defensiva normal e recuo ou avanço de acordo com as circunstâncias da partida. A ideia é aproveitar um triângulo de cada lado do campo para suprir o atacante. Os laterais atuam como alas, com tarefa de atacar. Os pontas são avançados interiores, abrindo o corredor para os laterais. O meio tem três jogadores: construtor avançado pela esquerda, construtor recuado pela direita e um médio roubador de bolas, todos com função de apoiar. O centroavante é avançado recuado, com função apoiar, para abrir espaço para os pontas e ajudar na armação.

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Uso uma formação parecida para partidas fora de casa e mais complicadas, apenas recuando o médio recuperador de bolas para volante, com função de construtor recuado, e uma dupla de construtores avançados no meio-campo. Os laterais seguem como alas, mas com função de apoiar. E o atacante é um avançado completo para ficar mais na área. Mentalidade normal e formação flexível, para dar um pouco mais de segurança, e ritmo normal e pressão por vezes. Nesta tática, uso marcação apertada e desarme agressivo. A ideia é conseguir defender melhor.

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A minha terceira formação, para jogos fora de casa mais tranquilos, é um 4-4-1-1, com extremos, mentalidade normal, formação flexível. Exige uma certa adaptação dos pontas, que nem sempre conseguem atuar naturalmente na linha de quatro do meio-campo. Atuam como extremos, com função de atacar. O meio tem um médio recuperador de bolas, com função defensiva, um construtor de jogo recuado e um construtor de jogo avançado, com função de atacar, atrás do centroavante, agora ponta de lança fixo. E passes mistos para um jogo um pouco mais objetivo.

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Campeonato Italiano

As primeiras partidas indicaram que a temporada seria boa. Ganhamos os oito primeiros jogos, com 22 gols marcados e apenas três sofridos. Vietto e Berardi entraram muito bem no time. Brilharam especialmente na goleada por 4 a 0 sobre a Roma, na segunda rodada. Mas se machucaram – como tende a acontecer com novas contratações. O argentino passou apenas algumas semanas fora. Berardi, meu reforço mais caro pelo Napoli, por outro lado, ficou quatro meses no estaleiro, depois de se machucar a serviço da seleção. Mesmo assim, o time manteve o alto rendimento, com destaque para a vitória por 3 a 1 sobre a Internazionale, no San Siro.

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O primeiro jogo sem vitória pela Serie A foi um empate com a Fiorentina, fora de casa. Resultado normal. Recuperamos batendo a Atalanta, por 3 a 0, antes de entrar em uma sequência de três partidas sem vencer. Empates por 1 a 1 com a Sampdoria e com a Lazio, em casa, graças a gols de Jorginho, de pênalti, nos minutos finais. Perdemos para o Milan, por 1 a 0, gol de Benteke, no segundo tempo. Mas terminamos o turno em alta: quatro vitórias e um empate em cinco rodadas, incluindo o tão esperado duelo contra a Juventus.

Foi um dos melhores jogos da temporada. O Napoli, no 4-3-3, com controlar e formação flexível, não deu chances para a Velha Senhora e venceu por 3 a 0, com dois gols de Diawara e outro de Jorginho. O resultado era importantíssimo porque praticamente nos garantiria a vantagem nos critérios de desempate – na Itália, é confronto direto -, a não ser que ocorresse uma tragédia no returno. Não tinha como acontecer, né? Estávamos muito bem.

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Terminamos o primeiro turno com 43 pontos, seis a mais que a Juventus, com 13 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. Campanha irrepreensível.

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Não sei se vocês já jogaram Football Manager 2017 o bastante para sentirem que há um teto de desempenho para a equipe nas ligas nacionais. Pode ser só impressão, mas, com time bom ou ruim, embalado ou não, com elenco farto ou curto, eu nunca consegui chegar aos 90 pontos. Se o começo é bom, o meio ou o fim são terríveis. Uma hora o rendimento cai consideravelmente e não tem muita coisa a se fazer. Muda a tática que já conseguiu resultados tão bons? Mexe nos jogadores? Faz um churrascão para animar a galera? Um pouco de cada um e muita reza.

O 0 a 0 com o Genoa, em casa, na primeira rodada do returno, foi pavoroso. Jogo horrível. Reclamei da arbitragem nesse jogo e fiquei suspenso para enfrentar a Roma, no Olímpico. Empatamos por 2 a 2. A preocupação começou, de verdade, na derrota para a Internazionale, no San Paolo, adversário que havíamos atropelado no primeiro turno. E, desta vez, fomos derrotados sem dó. A Inter jogou demais. Vencemos o Cagliari e perdemos do Palermo. Não havia acontecido nada demais, apenas Berardi continuava machucado, mas, com quatro tropeços em cinco rodadas, a Juventus já aparecia no retrovisor.

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Fevereiro e março foram os meses em que realmente conquistamos o título. Em oito jogos nesse período, vencemos sete e perdemos apenas um, para o Bologna – terceiro colocado da última temporada do Campeonato Italiano -, fora de casa. Fizemos 4 a 1 na Fiorentina, já com Berardi de volta, e 6 a 1 na Sampdoria. Agora, era só percorrer as últimas voltas e levar as crianças para casa. Ou, pelo menos, era o que eu achava.

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Faltavam sete rodadas para o fim. Quatro jogos em casa e o segundo confronto direto com a Juventus, em Turim, em meio às fases finais da Champions League. E aí, coisas inacreditáveis começaram a acontecer. Foram dois empates por 0 a 0, em casa, com Milan e Palermo. Nos dois jogos, tivemos um jogador expulso no começo do segundo tempo e o pontinho conquistado foi até lucro. No entanto, com esses tropeços, chegamos ao duelo contra a Juventus podendo ser ultrapassados em caso de derrota. Porque a Velha Senhora vinha embaladíssima. Nos 17 jogos anteriores ao confronto com o Napoli, ganhou 13, empatou três e perdeu apenas um.

Foi uma derrota dolorosa. Usei o 4-3-3 mais defensivo e a partida foi bem equilibrada até o começo do segundo tempo, em que pese a Juventus ter aberto o placar, aos 23 minutos da etapa inicial, com Giroud. Pjanic ampliou, cobrando falta, e Giroud marcou novamente, logo em seguida. De repente, caímos para segundo lugar e o confronto direto estava empatado. Nosso saldo de gols pelo menos ainda era muito superior (terminou 53 a 39 a nosso favor).

Tínhamos três rodadas para salvar um título que já havia sido praticamente nosso. E o desempenho do time continuava sofrível. Ganhamos do Chievo, por apenas 1 a 0, com gol de Gonçalo Guedes, em outro jogo que tivemos jogador expulso. A Juventus ganhou do Genoa. Faltavam duas rodadas. Nosso adversário era o Novara, fora de casa, o 17º colocado. Perdemos, por 1 a 0, com um gol de falta quase da intermediária, e outro cartão vermelho. Seria o fim da briga pelo título, não fosse a derrota da Juventus para a Roma, em Turim.

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A última rodada tinha tudo para ser eletrizante. Precisávamos vencer e torcer por um tropeço para a Juventus – graças ao saldo de gols, o empate bastaria. Enfrentamos o Sassuolo, em casa, e nossa rival pegaria a Internazionale, fora. As chances eram boas. No fim, a rodada derradeira não foi nada emocionante. A Inter abriu 2 a 0 no primeiro tempo e acabou vencendo por 3 a 0. Nós abrimos o placar, logo aos 8 minutos, com Guedes, e construímos a goleada na etapa final.  Fiz um pequeno ajuste na tática, avançando o capitão Hamsik para meia-atacante, em um 4-2-3-1, e funcionou muito bem: dois gols e uma assistência do capitão.

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Na hora H, o Napoli reencontrou o desempenho que havia demonstrado nas primeiras rodadas, e praticamente só o sistema do jogo sabe por que demorou tanto. O importante é que foi a tempo de superarmos a Juventus e conquistarmos o segundo título italiano em três temporadas.

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Copa Itália

A Copa Itália não é prioridade para a diretoria, mas não quer dizer que não podemos vencê-la, certo? E é mais fácil que outras copas nacionais porque bastam cinco jogos para ser campeão e você se classifica para a decisão já no começo de março. Foi meu único título na primeira temporada, com um 5 a 2 sobre a Juventus, quatro gols de Milik. Defendemos a conquista na época seguinte, com nova vitória sobre a Juve, agora por 3 a 2.

Usei reservas na primeira rodada da terceira campanha vitoriosa, contra o Chievo, em casa, e quase fomos eliminados. Levamos 1 a 0, no primeiro tempo, e empatamos logo em seguida, com Romero. O jogo ficou no 1 a 1 até o fim. Tivemos que encarar a prorrogação. Sorte que Romero estava em um dia exuberante, marcou duas vezes, e vencemos por 3 a 1.

O sorteio para as quartas de final poderia ter sido um pouco mais bonzinho: Inter, fora. Tive que usar os titulares e, mesmo assim, como nosso último jogo havia sido aquela derrota para os nerazzurri, no San Paolo, eu já esperava a eliminação. Passamos o carro. Vencemos por 3 a 0, com gols de Koulibaly, Pavón e Insigne. Encaramos o Milan, nas semifinais, e alcançamos outro grande triunfo, também por 3 a 0, com dois gols de Romero nos minutos finais. O empate por 2 a 2 em Milão garantiu a vaga na decisão.

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O adversário da final, desta vez, não seria a Juventus. A Atalanta, nona colocada, havia eliminado a Velha Senhora nas quartas de final, e passado pela Fiorentina na fase seguinte. Foi um jogo bastante tenso. Abrimos o placar, aos 13 minutos, e levamos o empate, aos 34 do segundo tempo. Um segundo gol de Vietto, aos 46 da etapa final, nos garantiu o segundo título da temporada. Faltava uma vitória para a Tríplice Coroa.

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Champions League

A principal ambição era tentar uma boa campanha na Champions League – até porque, alguns dos nossos jogadores já haviam pedido para sair porque queriam ser campeões europeus em clubes maiores e eu prometi que seríamos nesta temporada, na linha do “vamos cruzar essa ponte quando precisarmos”. A classificação era acessível no nosso grupo. Brigaríamos pela primeira posição com o Bayern de Munique e teríamos que superar o Zenit e o Feyenoord.

Começamos mal: o Bayern de Munique fez 3 a 0 na primeira rodada, na Allianz Arena. Era um resultado ruim para o critério de desempate, que também é confronto direto na fase de grupos da Champions League. Mas garantimos a classificação com quatro vitórias seguidas. Devolvemos o 3 a 0 nos bávaros e bastava ganhar do Feyenoord, na Holanda, para terminarmos em primeiro lugar. Levamos 4 a 1 na cabeça.

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Era importante ser líder porque pegaríamos um segundo colocado nas oitavas de final, o que geralmente é mais fácil. Mesmo assim, poderíamos dar sorte no sorteio e… não demos. Pegamos o Paris Saint-Germain e nossa classificação foi épica. Perdíamos, em casa, por 2 a 1, até os 34 minutos do segundo tempo. Romero empatou, dois minutos depois, e Diawara fez o gol da vitória no apagar das luzes. Vencer é sempre bom, mas sofremos dois gols em casa e teríamos que suar no jogo de volta.

E como suamos! Usei o 4-3-3 defensivo. Pavón vinha sendo titular na esquerda desde sua contratação, mas não estava muito satisfeito e preferi usar Guedes nessa posição, com Berardi, voltando de lesão, na ponta direita. Duarte teria que ser titular na lateral, no lugar de Ghoulam, suspenso. Koulibaly marcou contra, aos 11 minutos, mas a decisão de começar com Guedes se pagou rapidamente. O português marcou duas vezes em quatro minutos no Parque dos Príncipes e nos colocou em ótima vantagem. Também havíamos feito dois gols fora de casa e vencíamos a eliminatória por 5 a 3.

Tudo correu bem até os 35 minutos da segunda etapa, quando Rugani marcou para o PSG. Três minutos depois, Matuidi foi às redes, e a partida, à prorrogação. Eu já estava irritado com uma classificação difícil que estava escorregando pelos dedos quando Matuidi marcou, de novo, no terceiro minuto da prorrogação. Enquanto eu começava a socar qualquer coisa que estivesse perto de mim, Guedes completou sua tripleta e nos colocou nas quartas de final, graças aos gols marcados fora de casa.

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A adversária das quartas de final seria uma velha conhecida: a Juventus. E foi mais fácil do que o esperado. Empatamos por 0 a 0, em Turim, jogo bem travado, e vencemos por 2 a 1, em casa, com gol de Berardi, cobrando pênalti, no meio do segundo tempo.

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Faltava alguma coisa, certo? Para a campanha ser perfeita, precisávamos nos vingar do nosso carrasco nas últimas duas eliminações. E eis que o Arsenal caiu como o adversário das semifinais. E o jogo de ida indicava uma terceira eliminação para os ingleses. Fomos atropelados em Londres, e a derrota por apenas 2 a 1 ficou bem barata, graças a um gol de Berardi no segundo tempo. A volta foi tensa, mas também mais fácil que o esperado. Berardi, fazendo valer cada tostão pago por ele, marcou duas vezes e vencemos por 2 a 0.

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No outro lado da chave, o Manchester United perdeu do Barcelona, e teríamos que enfrentar Messi e companhia na decisão. Com um agravante: o palco seria o Camp Nou. Impossível ser mais difícil que isso. Depois de usar o 4-2-3-1 na última rodada do Italiano e na final da Copa Itália, optei por voltar para o 4-3-3, controlar e flexível, para encarar os catalães. Defesa titular. Meio-campo sem Zielinski, substituído por Jorginho. Berardi, Guedes e Vietto no ataque. As coisas ficaram ainda mais complicadas quando um belíssimo contra-ataque do Barcelona terminou com um gol de Nahuel Leiva, aos 11 minutos. E aí, coisas inacreditáveis começaram a acontecer.

Saiu um gol atrás do outro, sem parar. E todos do Napoli. Vietto recebeu de Ghoulam, dentro da área, e tocou na saída de Ter Stegen: 1 a 1. Berardi deu um lindo passe para Koulibaly. O goleiro alemão deu rebote e Guedes conferiu: 2 a 1. Ghoulam cruzou rasteiro na primeira trave, e Vietto desviou: 3 a 1. Guedes para Vietto, Vietto para Hamsik, Hamsik para o gol: 4 a 1. E ainda estávamos no primeiro tempo. Calejado, esperava uma reação fantástica do Barcelona no segundo tempo, mas não foi isso que aconteceu. Aconteceram mais dois gols do Napoli, todos de Vietto, completando cruzamentos da direita.

Foi provavelmente a maior atuação de um time que eu treinei em qualquer edição do FM. Certamente no 2017. Final da Champions League, contra o Barcelona, com Messi e Suárez em campo – Neymar foi desfalque – no Camp Nou, depois de uma temporada desgastante, valendo a Tríplice Coroa. E o Napoli venceu por 6 a 1, selando uma campanha europeia fantástica em que eliminou o PSG, a Juventus e o Arsenal, três equipes com orçamentos muito maiores que o do clube italiano. Dificilmente uma temporada de FM pode ter um final melhor que esse.

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