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Gamepédia do Futebol – #27 Ronaldo V-Football

Numa época polarizada dos games de futebol, o game apostou na ginga brasileira para beliscar seus momentos de fama

Não é novidade que Konami e EA Sports travaram – e poderiam estar até agora travando – um longo embate pela liderança do mercado de simuladores de futebol. À época, FIFA e Winning Eleven elevavam o nível dos gramados digitais, mas isso não impediu que outras empreitadas acontecessem. É o caso do nosso vigésimo sétimo homenageado da Gamepédia que, apesar de ser um produto internacional, trouxe todo o tempero brasileiro ao digital. Parafraseando Milton Leite, “e como é bom dizer: Ronaldo V-Football!”

Lançado em 2000, Ronaldo V-Football (chamado V-Soccer em solo estadunidense) é um jogo tridimensional, com dinâmica lateral e câmera isométrica, produzido pela PAM Development, empresa francesa que é adquirida pela 2K em 2005 e descontinuada em 2008, e publicado pela Infogrames, subsidiária da Atari. Enquanto FIFA buscava ser um simulador e Winning Eleven tinha uma jogabilidade fluida, V-Football trouxe uma pitada mais arcade que buscava representar o estilo brasileiro de jogar futebol: rápido, dinâmico e divertido. Pode não ter atingido todo seu potencial, mas a proposta foi seguida e o jogo atendia esses três pontos, mesmo que em partes.

A jogabilidade de Ronaldo V-Football é muito simples e dinâmica, com um ritmo de jogo bem interessante e de fácil acesso mesmo para jogadores menos experientes. O ponto negativo, mas que não compromete, é a falta de movimentos mais avançados e que enriqueceriam a experiência de jogar, por exemplo, com o camisa 9 capa do jogo. Se faltava, por exemplo, a clássica pedalada, os passes em profundidade possibilitam fazer com que Ronaldo execute suas características arrancadas para finalizar em boas condições.

O game apresentava mais de 100 seleções nacionais, sendo que os principais países contavam com os nomes dos seus craques licenciados. Além deles, quatro times de estrelas também poderiam ser liberados completando alguns requisitos: Asian All-Stars, African All-Stars, Brazilian All-Stars e European All-Stars, trazendo grandes estrelas em esquadrões continentais. O título contava com cinco modos de jogo: Exibição, Arcade Cup, Resistência, Torneios e Taça V-Football. O Resistência, também chamado de Endurance, é um desafio de cinco divisões onde os jogadores devem vencer outras oito equipes para subir para a próxima classificação. O modo de resistência é concluído quando o jogador atinge o ponto mais alto na classificação final.

O aspecto gráfico é bastante dúbio. Se por um lado toda a estética verde amarela, o vídeo de abertura com lances do Fenômeno e uma representação poligonal dos 15 estádios agradava – apesar das limitações da época – por outro, as câmeras eram muito limitadas e os jogadores às vezes poderiam parecer muito estranhos em visões aproximadas. Ainda assim, a experiência de ambientação era bem representada, menos quando o jogo travava – de verdade, isso acontecia algumas vezes no Play do redator, mesmo sem o CD estar riscado ou o leitor sujo.

Uma das melhores foi guardada para o final: a sonoplastia. Assim como FIFA: Road to World Cup 98, este título carrega uma trilha sonora muito marcante e que dita o ritmo, literalmente. Se você teve algum contato com Ronaldo V-Football, vai rapidamente fazer a ligação entre a música e o jogo que carrega o nome do Fenômeno. Denominada “Samba de Janeiro”, a faixa é a primeira música de trabalho da banda Bellini – que carrega o nome exatamente em homenagem ao capitão canarinho na Copa do Mundo de 1958. Apesar da origem alemã, é interessante destacar que a veia verde e amarela vem de uma das integrantes do grupo, a brasileira Dandara Santos-Silva. 

Além da trilha, Ronaldo V-Football contava com a tradução completa do jogo em português e a narração do saudoso Doutor Osmar de Oliveira, médico, jornalista e comentarista esportivo, falecido em 2014. Com o título traduzido, o maior jogador brasileiro da época na capa e a narração na língua local, o jogo com certeza cativou alguns jogadores que se divertiram com o título. Ainda assim, não é problema falar que o game não foi um sucesso – ao mesmo tempo que ele não foi, nem de perto, um fracasso. Lançado para Playstation e, um ano depois, para Game Boy Color, Ronaldo V-Football cavou seu lugarzinho na Gamepédia e foi um dos meus jogos de infância. E por aí, este jogo te marcou? Comente com a gente nos comentários!

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João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

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