Games

Gamepédia do Futebol – #25 Elifoot

Jogo de administração de clube de futebol foi criado em 1987 e só alcançou o sucesso mais de dez anos depois

Dentre os vinte e cinco capítulos até agora da nossa Gamepédia, é apenas a segunda vez que vamos abordar um título focado no gerenciamento de um clube de futebol. Mais do que um jogo de manager, o nosso homenageado desta semana também faz com que o usuário tenha que tomar decisões administrativas, como ampliar o estádio, decidir o preço do ingresso ou decidir a política de contratações do clube. Nascido como um passatempo de um estudante, o título de hoje veio de Portugal para conquistar os corações dos brasileiros: Elifoot.

André Elias era um jovem de 17 anos que programava há cinco anos, tendo aprendido o básico de código com seu pai. Familiar com classificações, registros, categorizações e funções de organizar de dados, o português começou a similar partidas de futebol e começou a vislumbrar com um jogo de manager de futebol. Utilizando o ZX Spectrum como plataforma, ele criou em 1987 Elifoot e começou a compartilhar com alguns poucos amigos próximos por disquete. Apenas focado em sua diversão pessoal, André Elias surpreendeu-se quando, no começo dos anos 90, realizou uma pesquisa na internet e constatou que o Elifoot tinha se espalhado pelo mundo e tinha muitos fãs no Brasil. Logo, decidiu retomar o projeto e ampliá-lo de uma maneira mais profissional.

O Elifoot é um jogo de manager em uma dimensão, que consiste basicamente em textos e números para construir uma gameplay bem simples. Para se ter noção da praticidade, nem era necessário utilizar o mouse para acionar todos os comandos do jogo. Sua primeira versão, em preto e branco, contava com 4 divisões e trazia como desafio as tomadas de decisão táticas, técnicas e administrativas para levar a agremiação à elite do futebol. A jogabilidade foi sempre mantida – apenas recebendo ajustes, atualização de plantéis e a inserção de cores –  e o título foi adaptado para MS-DOS, em 1990, e para Windows, em 1994. Este salto para o sistema operacional da Microsoft foi essencial para preparar o grande salto de qualidade.

O Elifoot 98 é a primeira versão em shareware, ou seja, é distribuído de forma gratuita, mas com uma limitação que pode ser finalizada com um conteúdo adicional pago. Contando com a internet, André Elias passou não só a entregar o jogo, mas também um sistema de suporte por e-mail e a consolidação do site oficial da franquia. Além da parte estrutural melhorada, o Elifoot também aumentou drasticamente o número de times disponíveis na plataforma e adicionou novas dinâmicas de jogo como a competição “Distrital”, que suportava times de diversos países. Na jogabilidade, utilidades como a possibilidade de acelerar as partidas e as substituições no intervalo também adicionaram mais dinamismo ao game.

Como a dinâmica de jogo, diferentemente da maioria dos games de futebol, não gira em torno de controlar as ações dos jogadores dentro do campo, o usuário torna-se responsável por acompanhar a simulação das partidas e tomar dois tipos de decisão. A primeira delas está relacionada ao desempenho do time em campo: qual estratégia utilizar, escalação, substituições, postura em campo e relacionados ao riscado. A outra parte do jogo é relacionada à gestão e administração da agremiação, passando por instalações, política de ingressos, transferências e finanças do clube. No fim das contas, tudo girava em torno de fazer com que os algoritmos do placar mudassem a favor do seu clube, enquanto o cronômetro avançava em direção ao fim da partida.

Num cenário de tanta complexidade, o Elifoot garantiu seu sucesso ao entregar um jogo leve, simples de jogar e com um arquivo acessível para um número de hardwares vasto. Todos esses fatores juntos arrebataram corações e fizeram, inclusive, que fossem criadas versões brasileiras, como o Brasfoot. Hoje, é possível jogar o Elifoot inclusive em aplicativos mobile, gratuitamente ou na versão premium. Se o seu coração bateu mais forte, basta acessar o site e se divertir!

Mostrar mais

João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo