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Gamepédia do Futebol – #19 Actua Soccer

Sucesso no Reino Unido, Actua Soccer tinha como um de seus pontos fortes a ambientação dos jogos

Enquanto Konami e EA Sports iniciaram seu embate – que perdura até hoje –  na década de 90, outras produtoras de jogos digitais tentaram participar da disputa. Para não encurtar a Gamepédia, a enciclopédia de games de futebol, vamos destacar alguns destes produtos e sua importância para o desenvolvimento dos próximos sucessos. O décimo nono episódio destaca a única participação da britânica Gremlin Graphics nesta série: Actua Soccer.

Criada em 1984, a Gremlin Graphics Software foi fundada por Ian Stewart e Kevin Norburn em Sheffield, na Inglaterra. Depois de uma década de produção de games e alguns sucessos para Commodore 64 e ZX Spectrum, a empresa assumiu o nome Gremlin Interactive e passou a focar no desenvolvimento de jogos de 16 bits para consoles e PC. É neste cenário, em 1995, que a Gremlin lançou seu primeiro jogo de futebol e, também, o único em três dimensões até o momento.

O Actua Soccer é um jogo tridimensional, com câmera isométrica não-fixa, lançado para MS-DOS, Playstation e Sega Saturn. A visão do jogo permanece a todo tempo caminhando sobre o campo – como uma spidercam – e alterna entre a dinâmica horizontal, na região do centro do campo, e a vertical, ao aproximar-se das balizas e focando na direção das traves. É possível alternar entre o single e o multiplayer. Nos Estados Unidos, o game foi rebatizado de VR Soccer.

No menu inicial, há um vídeo de making of de Actua Soccer. Nos pouco mais de 5 minutos, a equipe de desenvolvimento explica todo o processo de construção do jogo em diferentes áreas – inclusive a captação de movimentos com jogadores do Sheffield Wednesday. Além dos seis programadores, também dão depoimentos dois integrantes da equipe de design, o musicista, o produtor e duas figuras emblemáticas da crônica esporte britânica: Chris Woods, goleiro inglês que participou das Copas de 1986 e 1990, e Barry Davies, comentarista de longa carreira, principalmente na BBC.

https://www.youtube.com/watch?v=pdXG9hxy1sI&ab_channel=edgeleonhart12

A gameplay do jogo é bastante limitada e, apesar do sucesso de vendas no Reino Unido com mais de 1 milhão de cópias em apenas dois anos, Actua Soccer não é reconhecido por ter uma boa jogabilidade. Em contrapartida, ele foi o primeiro jogo a apresentar os gráficos em 3D e entregou uma ambientação do estádio impecável, tanto na sonorização quanto na imponência em relação ao gramado. Além disso, o jogo contava com 32 opções de árbitros, que alteravam o nível de rigorosidade de acordo com a escolha, e um estádio para cada seleção nacional presente no simulador.

Outro ponto de inovação são as 44 seleções (32 no PC) contendo 22 jogadores com nomes reais e habilidades individualizadas. Os jogadores eram representados levando em consideração nove quesitos: talento, precisão, controle, ritmo, visão, força, resistência e disciplina. No Brasil, por exemplo, era possível jogar com Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Roberto Carlos; Mauro Silva, Dunga, Zinho, Raí; Romário e Bebeto. Com possibilidade de chamar Ronaldão, Edmundo, André Cruz, Muller, Cafu, Viola ou Ronaldo do banco de reservas.

Na versão seguinte, lançada em 1996, “Actua Soccer: Club Edition” adicionou 22 equipes de futebol inglesas, ampliando sua abrangência no Reino Unido. Era possível jogar, por exemplo, com Liverpool, Manchester United, Nottingham Forest, Leeds United, e até os futuros ricos Chelsea e Manchester City. Anos depois, a Gremlin apostou no craque Alan Shearer para ser o garoto-propaganda e capa de Actua Soccer 2. Apesar da pouca evolução gráfica, a Gremlin Interactive lançou, em 1998, o terceiro título da franquia com 450 times e quase 10 mil jogadores. Mesmo com as tentativas, a franquia não resistiu ao sucesso de FIFA e ao fim de sua relevância no mercado.

Foto de João Belline

João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

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