Games

Gamepédia do Futebol – #10 Kick Off

O último best-seller dos anos 80 construiu nomes importantes na indústria e iniciou uma série que perdurou por décadas

O episódio número dez da Gamepédia marca duas despedidas: é o último texto referente aos anos 80 e o último game de 8 bits registrado na nossa seleção. A franquia retratada hoje marca a chegada de um nome muito relevante no cenário de games de futebol, Dino Dini – já citado no episódio sobre Goal! – e a estreia da Anco Software que, além de produzir o best-seller do início dos anos 90, desenvolveu simuladores de futebol até os anos 2000. Com pitadas de nostalgia, o décimo jogo selecionado para a nossa enciclopédia de games de futebol: Kick Off.

Diferenciação dos jogadores e nova física da bola

Fundada em 1982, a britânica Anco Software contava em sua equipe com Steve Screech, um viciado em futebol que já produzia games e queria unir suas duas paixões. A partir da ideia de Steve, a Anco contratou Dino Dini, ainda em início de carreira, e ambos desenvolveram o primeiro jogo de futebol das três partes envolvidas. A princípio, Kick Off foi pensado para Commodore Amiga e Atari ST, mas foi adaptado para outras plataformas, entre elas consoles. Em termos de sucesso comercial, o jogo foi o mais vendido de sua época e bem avaliado pela crítica, recebendo prêmios e bons reviews especializados.

Em termos de inovação, dois pontos são essenciais para compreender a importância de Kick Off. Ele é o primeiro simulador de futebol a registrar diferenças entre os jogadores, com qualidades e defeitos específicos para cada peça do elenco. Com isso, iniciou-se a individualidade e a importância das escolhas de escalação para o sucesso durante uma partida. Vale destacar que o jogo também contava com diferentes formações táticas para escalar os times.

O segundo ponto de vanguarda é o comportamento da bola durante a gameplay. Ela nitidamente possui uma órbita própria, que não se conecta aos jogadores durante a posse. Com isso, havia uma alternância na distância entre a bola e o condutor, um ponto de realismo muito a frente de seu tempo. Para conduzir ou realizar ações de toque, era necessária uma habilidade avançada – que inclusive podia ser treinada em um modo de jogo específico.

Agilidade, dinâmica e mapa do jogo

Em termos de gameplay, Kick Off é um jogo de visão superior, com o enquadramento aéreo, e a condução do jogo de forma vertical. Como a câmera mostra apenas uma parte do gramado, há na tela esquerda um grafismo do campo com a disposição em tempo real dos 22 jogadores em campo seguindo um desenho tático. Por mais que a relação com a bola fosse delicada, com a habilidade correta e a visão de jogo através do campinho, era possível encadear tabelas muito bonitas para chegar à baliza adversária.

Neste aspecto incide uma das qualidades do jogo da Anco: a agilidade na dinâmica do jogo.  Pensando no realismo do game frente ao futebol real, Kick Off apresentava cartões, pênaltis, lesões, árbitros diferentes, esquemas táticos, entre tantas outras necessidades para simular de fato uma partida.

Curiosidade: nas adaptações de Kick Off ao sair do Reino Unido, o nome da franquia foi mantido em quase todos os territórios. Na Itália, o título foi adaptado para “Franco Baresi World Cup Kick Off”.

Importante legado

Da jornada de Kick Off, três trajetórias continuam a construir a história dos simuladores de futebol. A primeira dela é a do próprio título, que teve mais 8 versões — com a última sendo um revival de 2016 para Playstation 4. A segunda das trajetórias é a de Dino Dini, um dos dois autores do jogo. Depois de três edições de Kick Off, o desenvolvedor migrou para a Virgin Games e lançou Goal!, em 1993, e levou com ele o sucesso. O título foi sucesso de vendas e crítica e é, por muitos, considerado o grande trabalho da carreira de Dino.

Por fim, a história da Anco Software também é muito relevante no cenário de games de futebol. Logo no ano seguinte do lançamento de Kick Off, a Anco iniciou também a empreitada nos jogos de Manager. Player Manager perdurou até 2003 e foi o último produto da Anco antes de encerrar as suas atividades. Dentre as capas do título voltado para o trabalho de técnicos, Sir Alex Ferguson estampou algumas delas.

Mostrar mais

João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo