Copa do Mundo Feminina

Conheça Zecira Musovic, a goleira que parou os EUA na atuação mais impressionante da Copa

Conheça mais sobre a goleira Zecira Musovic, da Suécia, que parou as americanas em uma atuação de encher os olhos

As duas últimas Copas do Mundo foram dominadas pelos Estados Unidos. Em 2015 e 2019, as americanas terminaram como campeãs e mostrando ótimo futebol. Em 2023, porém, elas pararam nas oitavas de final, o pior resultado em sua história. Ficaram no 0 a 0 contra a Suécia e perderam nos pênaltis por 5 a 4. O grande destaque do jogo de eliminação foi a goleira da Suécia, Zecira Musovic, com uma atuação que entra para a história como uma das melhores de uma goleira na história da Copa do Mundo.

Esta é a segunda Copa do Mundo de Musovic, que tem 27 anos. Em 2019, ela foi uma das três goleiras da Suécia, ao lado de Hedvig Lindahl e Jennifer Falk, mas não entrou em campo em nenhuma partida. Desta vez, ela foi escolhida como titular e isso pode mudar a sua carreira de maneira significativa.

Ao longo do jogo, Musovic fez 11 defesas ao longo dos 120 minutos, dominando a área e sendo a razão principal da Suécia ter sobrevivido ao tempo normal e prorrogação sem sofrer um gol. Mais do que o número de defesas, que não indica necessariamente a dificuldade delas, o que se viu em campo foi absolutamente impressionante. Suas defesas foram bastante variadas, com chutes cruzados, chutes de perto, de longe, cabeçadas. Ela foi muito bem em todos eles.

Nos pênaltis, ela não defendeu nenhum, mas foi Megan Rapinoe e Sophia Smith chutarem suas cobranças para fora e depois Kelley O’Hara chutar na trave.

Sueca com origem da Bósnia

Musovic é nascida em Falun, a cerca de 230 quilômetros de Estocolmo. O sobrenome vem da sua família de origem bósnia. A sua família foi para a Suécia fugindo da Guerra dos Bálcãs, saindo de Prijepolje, na Sérvia, onde moravam. A goleira tem bastante orgulho da sua origem e visita com frequência o país de onde tem ascendência.

“Sinto falta de Prijepolje. Tenho muitos parentes lá. Prijepolje é uma cidade muito bonita e eu a amo muito. Também tenho muitos parentes na Bósnia e todos os anos tento visitar minha cidade favorita, Sarajevo”, afirmou Musovic, em entrevista ao Avaz, site da Bósnia, em 2019.

Ela cresceu adorando o irmão mais velho e conta que seguiu os passos dele ao jogar futebol e recebeu o apoio para tornar isso a sua profissão. “Meu irmão é o meu maior exemplo. Eu comecei a chutar a bola por causa dele, eu me formei em economia na faculdade assim como ele e as semelhanças entre nós são incríveis. Ele foi um dos poucos que sempre me apoiou para jogar futebol, não apenas vendo como um hobby”, afirmou Musovic.

Com 1,80 metro, ela começou a carreira pelo Slattena IF, aos nove anos. Foi lá também que começou como profissional, em 2011. Em 2012, foi contratada pelo Rosengard, um grande time do país. Fez mais de 100 jogos pelo clube antes de se transferir novamente, desta vez atraída pela liga inglesa. O Chelsea a levou para Londres.

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Reserva no gol do Chelsea

Aos 27 anos, ela é goleira do Chelsea. Ela é reserva no clube inglês, já que a alemã Ann-Katrin Berger é a titular. Junto com Berger, ela é a goleira mais alta da Super League na Inglaterra. Além de atleta profissional, ela gosta de escrever e mantém um blog, onde ela conta não só sobre a sua vida no futebol.

No total da temporada, fez 19 jogos, com 10 gols sofridos. Sete deles foram na Super League, o Campeonato Inglês Feminino. Jogou ainda partidas pela Copa da Inglaterra e também pela Champions League.

Seu futuro no clube está em dúvida, porque o Chelsea está com um excesso de goleiras. O clube contratou Hannah Hampton, da seleção inglesa, além da belga Nicky Evrard. Só que Berger, a titular no Chelsea, foi reserva na Alemanha, onde Merle Frohms é titular; Hampton é reserva na Inglaterra, que que tem Mary Earps como titular. O bom desempenho no torneio certamente chamará a atenção de outros clubes que talvez precisem de uma goleira para jogar.

Conquista da titularidade após aposentadoria de lenda

Zecira Musovic já é um dos destaques da Copa, mas havia dúvida se ela seria titular na Suécia. Após a aposentadoria de Hedvig Lindahl, uma lenda no futebol sueco, a posição de titular estava aberta. O técnico Peter Gerhadsson optou por Musovic para ser a camisa 1 — não só no número, mas na titularidade. Ele deixou Jennifer Falk, de 30 anos e um pouco mais experientes, no banco de reservas.

Falk é conhecida por ser uma grande pegadora de pênaltis, o que poderia fazer falta no duelo com os Estados Unidos, já que a decisão foi nos pênaltis. Musovic não defendeu nenhuma cobrança, mas viu suas adversárias chutarem para fora em três penalidades. Além de não ser pegadora de pênaltis, ela também rebate algumas bolas, o que é visto como um problema.

Apesar disso, Musovic tem algo que parece fazer muita diferença no seu jogo: a imposição física, dominando a área e com uma explosão nas suas defesas que vão além da técnica. Nesta Copa, ela começou todos os jogos como titular e as suecas só tomaram um gol em tempo normal até aqui.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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