Platini alerta Mbappé por posicionamento político: ‘Acaba incomodando metade do mundo’
Ídolo do futebol francês aconselhou atacante do Real Madrid por suas opiniões sobre avanço da extrema-direita
Enquanto se prepara para liderar a França em mais uma Copa do Mundo, Kylian Mbappé recebeu um conselho extracampo de outra lenda da seleção: Michel Platini. O ex-meia, campeão da Eurocopa em 1984, alertou o atacante do Real Madrid sobre os riscos de se posicionar politicamente.
Em coletiva antes da estreia na última Euro, Mbappé se mostrou preocupado com o avanço da extrema-direita no país e apelou para que o povo francês comparecesse em massa para impedir que o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), de liderança de Marine Le Pen, tomasse o poder nas eleições realizadas entre os dias 30 de junho e 7 de julho de 2024.
Platini valorizou o camisa 10 da seleção por usar sua notoriedade no esporte para expor seus pontos de vista sobre temas que ultrapassam as quatro linhas. Entretanto, o vencedor de três Bolas de Ouro sugeriu a Kylian Mbappé ponderar o alcance de suas palavras quando veste as cores francesas.
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— Kylian Mbappé está certo em se posicionar quando não está usando a braçadeira de capitão ou a camisa da seleção francesa. Se ele está em Madri ou em qualquer outro lugar, pode assumir uma posição política, é claro. Mas na seleção, você está jogando por todo o povo francês. Portanto, é difícil se posicionar — começou Michel Platini em entrevista à rádio “RTL”.
Embora pregue neutralidade no ambiente da seleção francesa, o ex-jogador reconheceu a importância de “pessoas inteligentes poderem se posicionar sobre questões sociais”, sobretudo astros do futebol que convivem com o estereótipo de serem “idiotas”. Entretanto, Platini apontou as consequências polêmicas dos comentários públicos do atacante dos Merengues.
— Assim que você se posiciona, acaba incomodando metade do mundo. A menos que você assuma tudo o que diz. Acho que o Kylian faz isso — concluiu o ex-meia francês de 70 anos.
O posicionamento político de Mbappé na França
No dia 9 de junho de 2024, Emmanuel Macron, presidente da França, dissolveu o parlamento e antecipou as eleições legislativas. O motivo por trás dessa decisão tinha a ver com a ascensão da extrema-direita no Parlamento Europeu. À época, o Reunião Nacional derrotou os governistas no pleito da União Europeia.
⚡🇨🇵 Marine Le Pen:
— Adam Moczar (@AdamMoczar) May 28, 2026
“Every day, hundreds of foreigners come here to France, intending to live as they did back home.
Mass Immigration is not an opportunity, it’s a tragedy for France.” pic.twitter.com/ms8j9ck0VI
Nesse cenário de divisão política, Mbappé declarou seu repúdio ao RN, que defende ideias contra imigrantes. Filho de pai camaronês e criado em um bairro modesto de Paris, o astro da seleção reforçou sua defesa a pessoas que tinham origens semelhantes as suas e convocou a presença de todos os cidadãos para exercer seu papel nas eleições.
— Estamos num momento crucial na história do país. Você tem que saber resolver as coisas e ver suas prioridades. Somos cidadãos acima de tudo, não devemos estar desligados do mundo. Estamos numa situação sem precedentes –começou Kylian Mbappé, no dia 16 de junho daquele ano.
— Quero me dirigir a todos os franceses e, em particular, à geração jovem. Vemos que os extremos estão às portas do poder. Temos a possibilidade de mudar tudo.
— Espero que minha voz seja transmitida o máximo possível. Precisamos nos identificar com valores de tolerância, respeito, diversidade. Cada voz conta. Espero que façamos a escolha certa e tenhamos orgulho de vestir esta camisa novamente no dia 7 de julho (data do segundo turno das eleições) — finalizou o atacante de 27 anos.
Lucas Beraldo, zagueiro do PSG e da Seleção Brasileira, defendeu o posicionamento de Mbappé na França. O craque francês se posicionou contra a candidata Marine Le Pen, representante da extrema-direita.
— Trivela (@trivela) June 17, 2024
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Com o posicionamento de Mbappé e outras figuras importantes francesas, as eleições tiveram um resultado surpreendente: a coalizão de esquerda Nova Frente Popular obteve o maior número de assentos na Assembleia Nacional (182). Cerca de 60% dos eleitores compareceram às urnas.
Enquanto o Juntos (coalizão governista, de centro), conquistou 168 assentos no legislativo, o Reunião Nacional saltou de 88 para 143 representantes. Apesar do crescimento expressivo, a sigla da extrema-direita ficou decepcionada, pois estava na frente de todas as demais forças políticas no primeiro turno, realizado na semana anterior.