Raymond Domenech está de volta ao futebol. Como anunciado no último dia 26 de dezembro, o treinador comandará o Nantes, que vive situação difícil na Ligue 1. Ele volta ao futebol depois de 10 anos afastado. Seu último trabalho foi justamente a seleção francesa, na Copa do Mundo de 2010. Seu retorno à casamata atrai muita atenção, como era de se esperar de uma figura que se envolveu rem tanta polêmica. O treinador tem 68 anos e fará 69 em 24 de janeiro.

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Será o seu primeiro trabalho em clubes desde 1993. Ele ficou no Lyon por cinco temporadas, de 1988 a 1993, quando assumiu a seleção francesa sub-21. Formou boa parte do elenco que conquistou a Copa do Mundo em 1998 e a Eurocopa de 2000. Foi promovido a técnico do time principal em 2004, de forma surpreendente. Levou o time à final da Copa do Mundo de 2006, aquela, perdida nos pênaltis depois da expulsão de Zinedine Zidane.

Depois, foi muito mal na Eurocopa de 2008, eliminado na primeira fase. A turbulenta classificação para a Copa de 2010 teve o polêmico episódio do gol irregular, com a mão de Thierry Henry que ajeitou para William Gallas fazer o gol contra a Irlanda. Na África do Sul, o relacionamento com os jogadores foi rompido de vez. Os jogadores chegaram a se recusar a treinar depois de confronto do treinador com Nicolás Anelka e de um desentendimento entre Patrice Evra e o auxiliar técnico, Robert Duvarne, como contamos aqui.

“Treinar e dirigir um time é um verdadeiro prazer”

“Eu queria dizer a vocês o quanto estou feliz de vê-los novamente. É estranho, mas é um verdadeiro prazer”, afirmou o polêmico treinador, se referindo aos jornalistas. Ele teve notáveis desentendimentos com a imprensa, especialmente no comando da seleção francesa.

“Não tenho um plano de carreira. Eu vim para cá de forma egoísta para ter prazer. Treinar e dirigir um time é um verdadeiro prazer. Não conto se haverá uma sequência, não é a minha preocupação. Nós, treinadores, somos todos eternos otimistas. Além do mais, sabemos muito bem que tudo depende dos resultados. Depois de mim, certamente haverá um 18º técnico”, disse o treinador, em referência aos técnicos contratados pelo presidente do clube.

“Eu acredito que o presidente tem algumas preocupações. Eu não tenho problema com isso, desde que estejamos falando de futebol. Eu sou velho o bastante para ter visto algumas coisas e não preciso mais ser acompanhado. Eu espero que pelo que estamos passando no campo, nós iremos unir todo mundo. Eu não estou preocupado. Eu quero ir bem em campo. O resto… Eu quero seguir em frente. Eu encontrei os jogadores bem de espírito, com vontade. Eu percebi isso nos primeiros treinos que dei”.

“É um verdadeiro prazer ter esta oportunidade. É algo extraordinário. Eu sou fundamentalmente um treinador, não é um desafio para mim. Eu apenas tento compartilhar o meu prazer. O que eu experimentei nos últimos dois dias foi extraordinário. É a essência de quem eu sou. No primeiro treinamento, eu senti como se nunca tivesse parado. Eu quero sentir o cheiro da grama. Era isso que queria encontrar novamente. Eu fiquei nas beiradas do campo [trabalhando como comentarista], mas queria estar no dentro dele e agora estou feliz com isso”, disse ainda Domenech.

As polêmicas na seleção francesa em 2010

O treinador, claro, foi perguntado sobre a última experiência, na seleção francesa. “Eu escrevi um livro chamado ‘Tout seul’ [“Totalmente sozinho”, em tradição livre]. Está disponível nas livrarias (risos). Eu considero que me livrei desse rótulo muito tempo atrás. Eu acredito que o meu trabalho como técnico de seleção pertence a outra vida. Eu vivo o presente e com o desejo de conseguir algo com este clube. Minha imagem não é problema meu. O que aconteceu antes está escrito e não posso mudar. Você tem que viver de acordo com os tempos. Eu digo novamente: é um prazer estar aqui”.

Seus objetivos no Nantes

Raymond Domenech apresentado no Nantes (AFP via Getty Images/OneFootball)

“Eu não disse que sou um bombeiro. Não é a minha mentalidade, embora a situação pareça ser assim. Eu realmente estou aqui para que os jogadores cheguem ao treinamento com um sorriso no rosto. Eu disse sim muito rapidamente, sem pensar muito no que isso implicava. Eu não tenho um objetivo específico. Eu quero restaurar a consistência neste time. Eu acho que o modo é mais importante que dizer que eu quero terminar em 10º ou 12º. Se dissermos a nós mesmos que temos que terminar em uma determinada posição, isso significa que iremos sacrificar muitas coisas”, afirmou Domenech.

Estilo de jogo

“Eu estou aqui para colocar um sorriso no rosto dos jogadores. Eu faço uma avaliação antes de dizer qualquer coisa e saber explorar as qualidades dos jogadores. Não vou dizer que quero jogar como o Guardiola. Você primeiro tem que fazer uma avaliação para saber como explorar bem as qualidades dos jogadores. Eu não tenho um estilo, a priori”.

Protestos da torcida

Os torcedores não parecem ter gostado muito da ideia, digamos, pouco convencional da sua diretoria. Na quarta-feira, os torcedores fizeram um criativo protesto contra Domenech: uma banda tocava música de circo. Sutil. Tanto o técnico quanto o dono do clube, Waldemar Kita, foram hostilizados.

Apesar da recepção nada calorosa, Domenech não se mostrou preocupado com os protestos da própria torcida do Nantes. “Em todos os clubes há problemas. Há preocupações em todos os lugares. Se tudo corresse bem, vocês não teriam mais nada para escrever”, disse o irônico técnico. “Eu não conheço ninguém neste clube que não queira trabalhar, todo mundo quer trabalhar”.

O seu primeiro jogo no comando do Nantes será no dia 6 de janeiro, em um jogo em casa contra os rivais locais, Rennes. Será, no mínimo, bastante curioso.

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