Copa da FrançaFrança

O Les Herbiers encerrou o conto de fadas de cabeça erguida, resistindo ao poderío do PSG

“A verdadeira questão é: durante quanto tempo vamos incomodá-los? Segundos? Ruim. Minutos? Nada mal. Uma hora? Não está no planejamento. Vou ser honesto: temos zero chances de vencer. Eu só quero olhar o Paris Saint Germain no olho”. Este foi Stéphane Masala, treinador do Les Herbiers, equipe da terceira divisão, antes de enfrentar o milionário francês, nesta terça-feira, na decisão da Copa da França. E, embora nunca tenha ficado próximo de uma zebra do tamanho de Paris, os semiprofissionais aguentaram Cavani, Mbappé e companhia durante mais tempo do que o seu técnico imaginava. Perderam por apenas 2 a 0, com o segundo gol na metade do segundo tempo. 

LEIA MAIS: Les Herbiers, da terceirona, representará a história sendo escrita na final da Copa da França

O Les Herbiers foi fundado em 1916 e demorou 96 anos para alcançar a terceira divisão francesa. Tornou-se o quinto clube abaixo da Segundona a se classificar à decisão da Copa da França e entrou em campo no Stade de France pela experiência de jogar em um estádio lotado e enfrentar um time tão qualificado quanto o PSG. Graças a uma tabelinha honrosa entre a trave e o goleiro Matthieu Pichot, conseguiu fazer o atual campeão nacional suar bastante para vencer. 

O PSG começou a partida querendo assustar. Adiantou a marcação e pressionou a saída de bola do Les Herbiers. A mensagem era clara: “Mostre-me o que sabe fazer”. E os adversários até que lidaram bem com a situação. Tocaram a bola na defesa, conseguiram a inversão para o lado esquerdo, esticaram pela ponta e conseguiram um escanteio, em finalização de fora da área. Não voltariam a ameaçar durante um bom tempo. 

Os parisienses, então, começaram a atacar. Logo aos 5 minutos, Lo Celso, um dos jogadores mais ligados do PSG, mandou da entrada da área na trave. Em seguida, Mbappé recebeu pelo alto e tocou de primeira, buscando o cruzamento. A bola tomou o caminho do gol e também parou no poste. Cruzamento da direita quicou perto da marca do pênalti e encontrou Di María, que tentou o cabeceio de primeira e mandou por cima.

Lo Celso recebeu dentro da área, arrumou o corpo para bater de esquerda no ângulo e… mais uma vez acertou a trave. Rabiot tentou de longe, com perigo. Apenas aos 25 minutos, contrariando todas as apostas, o PSG conseguiu abrir o placar. E foi com Lo Celso, com um chute de fora da área que entrou no canto de Pichot. Antes do intervalo, Daniel Alves ameaçou em cobrança de falta. 

O Les Herbiers voltou do intervalo tentando empatar. Mandou de fora da área, sem perigo para Trapp. O segundo tempo foi a vez de Pichot brilhar. Aos 4 minutos, Cavani tocou para Mbappé que devolveu de calcanhar. Cavani, à queima-roupa, arrematou para defesa do goleirão. Da esquerda, o cruzamento encontrou o uruguaio na entrada da pequena área. O leve desvio seria o bastante para o gol sair, mas Pichot novamente interveio com qualidade. O rebote ainda bateu em Cavani e foi para fora. 

Di María cruzou fechado da direita, e Cavani desviou. Mbappé, pressionado, tentou um toquinho do canto. Estava muito perto da linha do gol. Pichot conseguiu desviar com a perna. O que ele não conseguiu, em outro lance, foi evitar o pênalti em cima de Cavani, que converteu e fez 2 a 0, apenas aos 29 minutos do segundo tempo. 

“Eu fiquei frustrado por ter cometido o pênalti, então fiz de tudo para defendê-lo, mas Cavani cobrou forte, foi complicado”, afirmou o goleiro Pichot. “O público foi ótimo conosco e especialmente comigo durante a partida. Tivemos a primeira oportunidade, bem no comecinho, e tivemos um pouco de sorte com as traves. Perdendo por 1 a 0 no intervalo, ainda tivemos algumas chances. Depois, quando eles aceleraram, foi muito difícil. Sentimos muito orgulho por termos resistido ao PSG. Perdemos por apenas 2 a 0, honrando nossa linda trajetória”. 

O Paris Saint-Germain também reconheceu o valor do oponente. Na hora de levantar o troféu, na frente do presidente francês Emmanuel Macron, Thiago Silva dividiu a honra com Sébastien Flochon, capitão do Les Herbiers, que encerrou a sua bonita história na Copa da França com chave e ouro. 

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador detectado

A Trivela é um site independente e que precisa das receitas dos anúncios. Considere nos apoiar em https://apoia.se/trivela para ser um dos financiadores e considere desligar o seu bloqueador. Agradecemos a compreensão.