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Je suis Lyon

O Lyon vive um estado de graça. O triunfo por 3 a 0 sobre o Toulouse foi bem mais do que a nona vitória consecutiva da equipe em casa. Ele levou o OL à liderança da Ligue 1, um ponto à frente de um claudicante Olympique de Marselha, derrotado pelo Montpellier. Muito deste momento glorioso dos Gones se deve à fase exuberante de Alexandre Lacazette, autor de dois gols em cima dos Violetas.

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Pela primeira vez nesta temporada, o Lyon aparece no topo da Ligue 1. Uma posição das mais inesperadas se levarmos em conta o desempenho da equipe nas primeiras rodadas da competição. Em quatro jogos, os lioneses haviam perdido três e ocupavam um perigoso 17º lugar. Críticas à preparação da equipe na pré-temporada brotaram. Houve trocas de acusações e a criação de um péssimo clima.

Para completar este ambiente repleto de incertezas, ainda houve uma eliminação vergonhosa na Liga dos Campeões, quando o Lyon caiu para o modesto Astra Giurgiu. Com um elenco rejuvenescido por forças maiores e restrições orçamentárias, que impediram a participação mais ativa e de maior peso do clube no mercado de transferências, o OL ainda se viu em meio a uma tormenta provocada pelo grande número de jogadores entregues ao departamento médico. Com tantas adversidades, houve alguma coisa de boa para se tirar.

 

Lacazette acumula atuações de alto nível. Esta foi a quarta vez consecutiva na qual ele marca dois gols em uma mesma partida. Já são 19 tentos nesta Ligue 1, bem à frente de André-Pierre Gignac, do OM (com 12 gols). Para se ter uma ideia de como a pontaria do atacante anda muito bem afiada, ele marcou oito gols em seus últimos onze chutes a gol. E ele mostra qualidade para marcar tanto em um potente chute (como no primeiro gol no Toulouse) ou de forma oportunista, em bobeada da zaga do TFC no segundo.

O triunfo sobre os Violetas apenas comprova a evolução de um Lyon cada vez mais seguro sobre suas reais condições. O time tomou consciência de que pode, sim, brigar pelo título, sem deixar se contagiar pela soberba – ou então pelo comodismo de achar que não tinha qualquer condição de brigar com o Paris Saint-Germain e seus milhões de euros vindos do Catar.

Se a Ligue 1 valesse desde a quinta rodada, não teria para ninguém. O Lyon é a melhor equipe desde então. Em termos ofensivos, os lioneses estão sobrando: tem o melhor ataque da competição, com 43 gols marcados – o PSG, de Ibrahimovic e companhia, tem 34; o OM, 39. A defesa também se destaca, com apenas 17 gols sofridos (ao lado de PSG, Nantes e Lille, atrás apenas do Saint-Étienne, com 13). Méritos para o esquema ofensivo montado pelo treinador Hubert Fournier.

Agora que chegou ao topo do torneio, o Lyon terá um momento decisivo para definir se veio mesmo para ficar ou se foi apenas para sentir um leve gostinho. Até 7 de fevereiro, o time disputará mais cinco partidas, tendo entre os adversários nada menos do que PSG e Monaco. Bons resultados contra estes rivais seriam o impulso definitivo para o OL seguir com ímpeto cada vez maior rumo ao título.

PSG em desgraça

Humilhado. Assim o Paris Saint-Germain saiu de campo após a surpreendente derrota por 4 a 2 para o Bastia. O time da capital abriu uma vantagem de 2 a 0 e tinha o domínio das ações, fazendo crer que a vitória convincente sobre o Montpellier na Copa da França recolocaria o time nos eixos. Ledo engano. Era a chance de o PSG assumir a liderança provisória. Agora, ficou quatro pontos atrás do Lyon e, pasmem, fora da zona de classificação para a Liga dos Campeões.

O PSG entrou em campo sem Sirigu, Cavani, Lavezzi e Thiago Motta, mas teve um início de jogo arrasador. Abriu 2 a 0 (gols de Lucas e Rabiot) com 20 minutos de jogo e estava muito à vontade mesmo jogando no Furiani. A segurança dos visitantes degringolou com o toque de mão de Van der Wiel dentro da área. O pênalti convertido por Boudebouz deu início à incrível reação do Bastia, até então apagado na partida.

E, bom, a defesa parisiense fez água assim que o SCB começou a pressionar. Nós, brasileiros, já conhecemos este filme de quando Thiago Silva e David Luiz ficam acuados e precisam manter a calma. Não costuma dar muito certo. E mais uma vez a dupla de zaga deixou a desejar. Zlatan Ibrahimovic também teve sua contribuição decisiva para o desastre do PSG. Ok, o sueco ainda não encontrou seu melhor ritmo depois de se recuperar de uma lesão, mas ele simplesmente estragou toda e qualquer ação ofensiva do time. O atacante deu apenas um chute a gol e desequilibrou sua já desorganizada equipe.

Como se não fosse suficiente este resultado, o PSG ainda precisa lidar com os problemas internos protagonizados por suas estrelas – um risco que se corre quando se junta tantos jogadores caros e que, obviamente, ficam sem o espaço que gostariam ou acham merecer. Edinson Cavani e Ezequiel Lavezzi, que esticaram suas férias e nem participaram da intertemporada no Marrocos, foram punidos e multados pelo clube.

Laurent Blanc precisa dar um chacoalhão em seus comandados e exigir um mínimo de ordem dentro do grupo. Se os qatarianos do QSI consideram um fracasso retumbante ir mal na Liga dos Campeões, o atual quarto lugar na Ligue 1 seria motivo mais do que suficiente para os donos da grana estarem desesperados por uma resposta rápida da equipe. A vitória por 1 a 0 sobre o Saint-Étienne na Copa da Liga, em pleno caldeirão de Geoffroy Guichard, acalmou um pouco os ânimos, mas ainda há muito a se recuperar.

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