‘Especialista em Champions League’: Estratégia do PSG dá certo com Marquinhos em alto nível
Brasileiro foi poupado em jogos da Ligue 1, enquanto era utilizado como 'motor' na Champions League
A gestão de elenco feita pelo técnico do PSG, Luis Enrique, nesta temporada, está sendo destacada. Em meio à campanha que colocou o Paris Saint-Germain em mais uma final de Champions League, a utilização quase exclusiva de Marquinhos nos jogos da competição continental chamou a atenção e virou análise do site “The Athletic”.
Capitão do PSG, Marquinhos iniciou apenas nove partidas do Campeonato Francês em toda a temporada. Desde fevereiro, o defensor acumulou somente 90 minutos na Ligue 1, mesmo sem conviver com problemas físicos relevantes ao longo do ano.
O cenário escancara a estratégia adotada pela comissão técnica parisiense. Dominante no futebol francês, o PSG consegue administrar sua temporada pensando prioritariamente na Champions League, preservando jogadores importantes e controlando a carga física do elenco para os momentos decisivos.
Nesse contexto, Marquinhos se transformou praticamente em um “especialista” da competição continental. O brasileiro — que pode se beneficiar desse cuidado físico na própria Seleção na Copa do Mundo — começou como titular 14 dos 16 jogos do PSG nesta edição da Champions, incluindo os últimos 13 de maneira consecutiva.
Escolha de Luis Enrique explica momento atual do PSG
A escolha de Luis Enrique passa longe de estar relacionada a uma queda técnica ou física do zagueiro. Embora complete 32 anos na próxima semana, Marquinhos segue sendo peça central do time francês. A decisão reflete, sobretudo, o desgaste acumulado pelo calendário recente, especialmente após a última temporada ter se estendido até julho por causa do Mundial de Clubes.
Os poucos compromissos domésticos disputados pelo brasileiro foram cuidadosamente selecionados. Em toda a temporada, apenas duas vezes ele começou uma partida da Ligue 1 imediatamente antes de um confronto pela Champions. Antes do duelo de ida contra o Bayern de Munique, o jornal francês “L’Équipe” chegou a definir sua situação como “o artista freelancer”.
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Baixa utilização de Marquinhos gera questionamentos
Esse gerenciamento, porém, também trouxe questionamentos. Na primeira semifinal diante do Bayern, duelo que terminou com vitória francesa por 5 a 4, Marquinhos foi apontado por parte da imprensa como responsável por dois gols sofridos pelo PSG, tanto ao permitir espaço para Michael Olise finalizar quanto ao ser superado por Luis Díaz em um dos lances decisivos da partida.
As críticas, no entanto, perderam força poucos dias depois. Na Alemanha, o capitão teve atuação decisiva na classificação parisiense para a segunda final consecutiva da Champions League.
Embora o sistema defensivo do PSG tenha funcionado coletivamente, com destaque também para Willian Pacho, a performance de Marquinhos reforçou o peso que o defensor ganhou dentro do clube ao longo da última década.
Sua trajetória em Paris acompanha praticamente toda a transformação do PSG. Contratado em 2013 após passagem pela Roma, o brasileiro inicialmente apareceu como um jovem promissor, muitas vezes atuando à sombra de Thiago Silva ou até improvisado no meio-campo.
Com o tempo, porém, amadureceu dentro do clube e se tornou uma das principais lideranças do elenco. Viveu diferentes fases do projeto parisiense, convivendo com estrelas como Zlatan Ibrahimović, Ángel Di María, Neymar, Kylian Mbappé e Lionel Messi.
Hoje, em um PSG mais jovem e coletivo, Marquinhos se consolidou como referência interna. No começo da temporada, venceu com ampla vantagem a votação para seguir como capitão da equipe, enquanto Pacho chegou a defini-lo como “um pai”.
— Ele é o capitão e o líder do vestiário. Isso é importante. No dia em que ele não estiver mais no time, não sei quem vai falar e motivar os jogadores. Ele é um verdadeiro líder e estou feliz por tê-lo — disse Luis Enrique no início da temporada.
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Reconhecimento vai além do PSG
O reconhecimento também vem da seleção brasileira. Carlo Ancelotti elogiou recentemente a experiência, inteligência e personalidade do defensor ao celebrar sua centésima partida pelo Brasil.
— Marquinhos é um grande zagueiro, um dos melhores do mundo. Possui caráter, personalidade, nosso capitão para a seleção merecidamente. Confiamos muito nele, não só tecnicamente falando, mas de personalidade também — afirmou Carleto em coletiva.
Contra o Bayern, Marquinhos também alcançou outro marco importante: chegou a 121 jogos na Champions League, tornando-se o brasileiro com mais partidas na história da competição, superando Roberto Carlos.
Agora, o zagueiro se prepara para conduzir o PSG em mais uma decisão continental. Até a final contra o Arsenal, marcada para 30 de maio, em Budapeste, o clube francês ainda terá três compromissos pela Ligue 1. E tudo indica que o capitão continuará sendo preservado até lá.