França

Em primeira coletiva no retorno à seleção, Benzema foi só sorrisos: “Obrigado, Deschamps”

Atacante admitiu que "sofreu muito" nos mais de cinco anos em que esteve distante dos Bleus e quer deixar polêmicas no passado

A mais aguardada das entrevistas coletivas da preparação da França para a Eurocopa aconteceu neste domingo (30). Diante de 50 jornalistas, Karim Benzema teve seu primeiro encontro com a imprensa desde o retorno à seleção francesa, confirmado no último dia 18. Em seu rosto, o atacante do Real Madrid deixou transparecer sua felicidade com a volta aos Bleus e, em sua última declaração, encerrou o papo com bom humor: “Vocês querem que eu diga diante de todos? Então: obrigado, Didier (Deschamps)”.

Benzema não fugiu dos temas delicados. Questionado sobre suas declarações no passado, em especial aquela feita em 2016 à época da Eurocopa, de que Didier Deschamps havia “cedido a uma parte racista da França” ao deixá-lo de fora da seleção, Benzema preferiu puxar a responsabilidade para si.

“Não culpo a França ou os franceses, só podemos culpar a nós mesmos. Eu simplesmente me fiz as perguntas certas para saber o que era preciso para retornar. Sempre acreditei que poderia voltar. Isso (a polêmica) faz parte da minha carreira, como muitas outras coisas. Hoje, estou sendo recompensado por meus esforços”, comemorou.

“O que aconteceu é passado, não podemos voltar atrás. Agora, quero trazer o máximo (à seleção) e esquecer (as controvérsias do passado). Mentalmente e fisicamente, estou pronto”, garantiu.

Benzema reconheceu que “sofreu muito” durante os mais de cinco anos em que esteve distante da seleção. “Claro que fiquei decepcionado de não estar na Euro ou não ir para a Copa do Mundo. Mas eu sempre me questionei e trabalhei muito para poder voltar”, explicou.

Foi esse trabalho, especialmente nos últimos três anos, em que cresceu significativamente de patamar pelo Real Madrid, que tornou o seu futebol difícil de ignorar e a reconciliação mais simples, em um momento em que Didier Deschamps vinha tendo dificuldades para escalar alguém de confiança no comando do ataque. Agora, é hora de projetar como escalar este setor ofensivo com tantas opções de talento. Benzema garante que não haverá problemas de desentendimento de posição, afinal, “só tem jogadores de alto nível aqui”.

“Não vamos bater cabeça. Não é complicado jogar com o Antoine (Griezmann) ou o Kylian (Mbappé). Podemos jogar em todos os esquemas, o importante é ter uma boa movimentação ofensiva.”

A adaptação de Benzema é uma pequena incógnita, depois de tanto tempo distante, retornando agora para um grupo bastante diferente. O craque do Real Madrid, no entanto, tranquiliza: “Tudo está se passando muito bem. Minha adaptação está sendo perfeita. Já conhecia muitos jogadores e estou conhecendo outros. Sou mais próximo do Raphaël (Varane), porque jogamos juntos no clube”.

Ter ficado tanto tempo longe da seleção não fará com que Benzema se contente em apenas fazer parte do grupo. O destaque do Real Madrid chega para fazer a diferença e, com sua experiência, quer assumir um papel de liderança.

“Ser líder é algo natural para mim, com minha experiência. Desenvolvi esta liderança, falo muito no campo e fora dele. Não vejo a hora de entrar em campo.”

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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