Copa da França

Em dia de final na Copa da França, como foram os títulos anteriores faturados por Nice e Nantes

O Nice busca encerrar um jejum de 25 anos, enquanto o Nantes não levanta o troféu há 22 anos

Seja qual for o resultado, a Copa da França encerrará um jejum de mais de duas décadas neste sábado. A decisão no Stade de France reúne dois clubes tradicionais, Nice e Nantes, que não são campeões do torneio desde a virada do século. O período dourado do Nice veio com dois troféus nos anos 1950, mas também haveria uma taça em 1997, quando as Águias caíam à segunda divisão. Já o Nantes conquistou o torneio pela primeira vez em 1977, numa época gloriosa especialmente na liga nacional, enquanto emendaria um bicampeonato em 1999 e 2000, outro período famoso do clube. Desde então, as duas agremiações convivem com secas. As Águias não são campeãs há exatos 25 anos, desde aquela copa, enquanto a fonte do Nantes secou em 2001.

A temporada favorece o Nice, embora as últimas semanas não sejam as melhores. O troféu coroaria o trabalho de sucesso dos últimos anos, atualmente dirigido por Christophe Galtier, e também uma campanha marcante na Copa da França, com direito a classificações sobre Paris Saint-Germain e Olympique de Marseille. Mais instável nos últimos anos, o Nantes dá um alívio à sua torcida nesta temporada, e com um bom futebol apresentado pelos comandados de Antoine Kombouaré em tantas partidas. Foi o que se viu na Copa da França, com destaque para a classificação contra o Monaco na semifinal.

A definição do novo campeão acontece neste sábado, às 16h, com transmissão da ESPN 4 e do Star+. Abaixo, um breve resumo sobre os outros títulos de ambos os finalistas.

Nice, campeão em 1952

O Nice se colocava ao lado do Stade de Reims como as duas principais potências da França na década de 1950. Os quatro títulos dos rubro-negros no Campeonato Francês vieram no período. E também as primeiras conquistas na Copa da França. A equipe campeã em 1952 tinha um grande número de destaques estrangeiros. Os argentinos Pancho Gonzáles e Luis Carniglia tiveram passagens destacadas pelo Boca Juniors, enquanto Vic Nurenberg é uma lenda do futebol de Luxemburgo. Da então colônia na Argélia vinha o atacante Abdelaziz Ben Tifour, presente na Copa de 1954 pela França. Já entre os franceses, o goleiro Marcel Domingo foi campeão no Atlético de Madrid e o médio Antoine Bonifaci atuou em vários clubes de peso da Itália. O comando técnico ficava com Numa Andoire, bicampeão francês à frente das Águias e jogador da seleção na Copa de 1930.

A decisão aconteceu no Estádio Olímpico de Colombes, no primeiro jogo de futebol televisado na França. O oponente do Nice era o Bordeaux, exatamente o principal concorrente no Campeonato Francês. Os rubro-negros se deram melhor nas duas disputas. E aquela foi uma das finais mais eletrizantes da história da Copa da França, com o triunfo das Águias por 5 a 3. Nurenberg abriu o placar e Henri Baillot empatou, mas Carniglia e Jean Belver ampliaram para o Nice. O Bordeaux voltou a descontar com Édouard Kargu antes do intervalo e empatou com outro tento de Baillot no início do segundo tempo. Só depois disso é que a equipe da Riviera definiria seu triunfo, com Ben Tifour e Georges Césari desequilibrando. O capitão Belver recebeu a taça inédita.

Nice, campeão em 1954

O Nice permanecia como uma potência nacional e trazia remanescentes do título anterior, como Carniglia, Gonzáles e Nurenberg. Ainda assim, várias eram as novidades e a principal delas estava na inclusão do jovem Just Fontaine no comando do ataque, pronto para se tornar uma lenda. Outro marroquino era o meio-campista Abderrahman Mahjoub, dono de técnica apurada. Um dos maiores ídolos do clube, Joseph Ujlaki, também despontava no meio. E o treinador era o inglês Bill Berry, que já tinha levado a dobradinha nacional à frente do Lille, logo após a Segunda Guerra Mundial.

O Nice se encontrou na decisão com o Olympique de Marseille, que brigou contra o rebaixamento naquela temporada, mas tinha o craque Larbi Ben Barek em seu ataque. As Águias resolveram rápido, com a vitória por 2 a 1 no Estádio Olímpico de Colombes. Nurenberg marcou o primeiro aos seis minutos e Carniglia ampliou aos 11. Os marselheses descontaram apenas no segundo tempo, com o sueco Gunnar Andersson. Os celestes ainda pressionaram pelo empate, mas, num lance espetacular, Pancho Gonzáles salvou o Nice com uma bicicleta em cima da linha e, no rebote, Carniglia bloqueou de cabeça, também sobre a risca, um novo chute. Desta vez a taça seria entregue ao capitão Antoine Cuissard, meia que defendeu a França na Copa de 1954.

Nantes, campeão em 1979

O Nantes até demorou para conquistar seu primeiro título na Copa da França. Os Canários se tornam uma força nacional a partir da década de 1960. Já tinha quatro títulos do Campeonato Francês até 1979, mas, na copa, foram três finais perdidas até a conquista se consumar. Campeões da liga em 1977, os auriverdes emendaram ainda três vices e outra taça na competição até 1981. Foi nesse intervalo imponente que finalmente levariam a copa. O treinador era Jean Vincent, histórico ponta da seleção, que também foi um dos técnicos mais vitoriosos em Beaujoire. O time reunia vários jogadores importantes dos Bleus, como Maxime Bossis, Henri Michel, Thierry Tusseau, Jean-Paul Bertrand-Demanes e Patrice Rio. Os argentinos Victor Trossero e Oscar Muller ainda garantiam um toque diferente ao esquadrão.

Aquela final se deu contra o Auxerre, então em ascensão na segundona, mas já sob as lendárias ordens de Guy Roux. E os alviazuis deram trabalho, apesar do placar de 4 a 1 no Parc des Princes. O Nantes abriu a contagem aos 11 minutos, com Éric Pécout, mas Serge Mesonès empatou aos azarões durante a segunda etapa. Somente na prorrogação que o duelo se resolveu, com mais dois gols de Pécout e outro de Muller. Chamava atenção, aliás, a qualidade dos Canários no toque de bola durante a construção dos tentos. A aguardada celebração dos Canários teve o troféu entregue ao capitão Henri Michel.

Nice, campeão em 1997

A década de 1990 seria sofrível para o Nice. As Águias passaram mais tempo na segunda divisão do que na primeira e conviviam com a mediocridade. Até por isso, a Copa da França em 1996/97 serviu como um alento à torcida na Riviera. Na mesma temporada em que foi rebaixado na lanterna da Ligue 1, o time conquistou o mata-mata e encerrou um jejum de 43 anos na competição. Obviamente, não era a escalação mais gloriosa do Nice. Os rubro-negros se valiam de alguns jogadores mais identificados com o clube, como o capitão Frédéric Gioria, atual assistente de Christophe Galtier. Já o comando na época era de Silvester Takac, que vinha de um longo trabalho no Sochaux.

Aquela foi a última final no Parc des Princes, antes da inauguração do Stade de France. O adversário era o Guingamp, que vinha de uma campanha melhor na Ligue 1. Durante o tempo normal, as duas equipes empataram por 1 a 1. Youssef Salimi fez o gol do Nice aos 21 do primeiro tempo e Nicolas Laspalles empatou aos 33 do segundo. A definição iria para os pênaltis e consagraria o goleiro Bruno Valencony, que pegou duas batidas e assegurou a vitória por 4 a 3. Gioria ergueu o troféu.

Nantes, campeão em 1999

O Nantes passou 12 anos sem conquistar o Campeonato Francês, até encerrar o jejum de maneira avassaladora em 1995. E o momento de alta, que se refletiria também com o troféu recuperado em 2001, rendeu um bicampeonato da Copa da França. Os Canários tinham lamentado dois vices desde a conquista de 1979. Duas décadas depois, a reconquista aconteceu pelas mãos de Raynald Denoueix, treinador histórico da base auriverde e muito importante ao lado do mítico Jean-Claude Suaudeau dentro do clube. O goleiro Mickaël Landreau e o meia Éric Carrière eram as estrelas daquele grupo, enquanto Frédéric da Rocha viraria uma bandeira do clube. O argentino Néstor Fabbri e o camaronês Salomon Olembé surgiam como destaques internacionais.

A final aconteceu dentro do Stade de France recém-inaugurado, contra um adversário da segundona, o Sedan. Seria uma vitória magra do Nantes, por 1 a 0. O gol saiu aos 13 do segundo tempo, graças a um pênalti convertido pelo atacante Olivier Monterrubio. Outro herói foi o goleiro Landreau, que realizou defesas importantes ao longo da partida, mesmo que seu time tenha criado mais. Seria o próprio arqueiro o responsável por receber o troféu como capitão, ao som de Star Wars.

Nantes, campeão em 2000

O Nantes continuou sua série de conquistas a cada ano naquele momento histórico. Antes de botar as mãos na Ligue 1 novamente em 2001, foi bicampeão da Copa da França em 2000. Era a primeira vez em 13 anos que um mesmo time faturava a copa de forma consecutiva. A base do ano anterior estava preservada, ainda sob as ordens de Raynald Denoueix. Landreau, Carrière, Da Rocha, Fabbri e Olembé eram os destaques dos Canários, que outra vez dominavam as arquibancadas no Stade de France.

O Nantes derrubou um forte Monaco na semifinal, mas aquela edição é mais lembrada pelo conto de fadas do Calais, time da quarta divisão que bateu o Bordeaux para chegar à decisão. E os nanicos deram trabalho aos auriverdes. O Calais abriu o placar aos 34 minutos, com Jérôme Dutitre. A virada por 2 a 1 se deu graças a Antoine Sibierski, que igualou aos cinco do segundo tempo e decretou o triunfo apenas aos 45, com uma cobrança de pênalti. Os azarões ainda ficaram perto do empate nos acréscimos. Mais uma vez, a missão de levantar o troféu seria do capitão Landreau.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo