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Com menos investimento em estádios, grande preocupação francesa foi a segurança

A bola rolava no Stade de France, quando Patrice Evra hesitou. Jogadores, funcionários e torcedores ouviram explosões. Depois, descobriram que elas faziam parte de uma série de atentados terroristas que atingiram Paris naquele 13 de novembro. Foram 130 mortos, a maioria na casa de shows Bataclan, e apenas quatro no estádio, incluindo os três homens-bomba. O medo de que isso voltasse a acontecer durante a Eurocopa, que começou esta semana, tornou-se a principal preocupação das autoridades francesas.

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Embora não haja uma ameaça terrorista específica de um grupo contra turistas, torcedores ou a população francesa durante o torneio continental, é responsabilidade dos organizadores garantir a segurança de todos. A possibilidade de os terroristas armarem para atingir milhares de pessoas, em um evento de alta repercussão internacional, não pode ser ignorada como um fator de risco. E ainda há expressões de intenção.

Dias antes do pontapé inicial, forças de segurança ucranianas prenderam um francês que, segundo elas, tinha a intenção de realizar ataques durante a Eurocopa. Um dos suspeitos dos atentados de Paris e Bruxelas afirmou que o plano original era atingir a competição, e não a capital belga, mas os terroristas tiveram que mudar de ideia, diante das medidas de segurança que foram implantadas.

Desde os atentados ao semanário Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, o governo francês deu início à Operação Sentinela, que movimenta 10 mil soldados para proteger alvos simbólicos, como o Museu do Louvre e a Torre Eiffel. O Washington Post estima que isso custou € 1 milhão por dia aos cofres públicos ano passado. Embora o combate a terroristas seja uma questão mais de inteligência e informação do que de força bruta, os soldados servem para fazer a população sentir-se mais segura.

No geral, além do exército, outras 80 mil pessoas, entre policiais, seguranças privados, oficiais de resgate e equipes antibombas farão de tudo para que a Eurocopa ocorra sem grandes problemas. “Ninguém pode nos impedir de viver normalmente, como escolhemos”, afirmou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, esta semana. “A França precisa continuar sendo a França, e é por isso que a Euro será realizada”. Na semana do torneio, mais 1,2 mil soldados e 3 mil policiais foram acrescentados às forças de segurança.

Uma grande preocupação, maior que em relação a estádios, que normalmente já possuem muita segurança, é com as fanzones, aqueles centros oficiais em que os fãs que não conseguiram ingresso reúnem-se para assistir às partidas. De acordo com Cazeneuve, elas receberão uma vistoria completa todos os dias pelas manhãs e nenhum torcedor carregando grandes mochilas ou bolsas será admitido. Haverá vigilância por câmeras, a um custo de até € 2 milhões ao governo, segundo o ministro. O orçamento total da segurança das fanzones dobrou de € 12 milhões para € 24 milhões, com a ajuda da Uefa, que financiou € 4 milhões do custo extra.

O Ministério do Interior desenvolveu, depois de 13 de novembro, um aplicativo para celular que servirá para passar informações oficiais em relação a possíveis ameaças terroristas. O Saip (Sistema de Alerta e Informação para o Público) informará o usuário quando um ataque estiver acontecendo próximo a ele. A tela ficará vermelha, com a mensagem “ALERTA”, e apresentará uma breve descrição do que está acontecendo e instruções de como reagir. Isso servirá também para evitar o pânico causado por alarmes falsos que possam surgir nas redes sociais.

Trinta simulações de ataques terroristas foram realizadas para garantir que a França está preparada para qualquer eventualidade. Em Lyon, por exemplo, de acordo com o jornal Le Monde, 200 bombeiros e 80 policiais foram mobilizados para evitar que dois imaginários homens-bomba concretizassem seu plano na saída dos torcedores de um jogo inventado entre Irlanda do Norte e Ucrânia. Prepararam-se para explosões, assim como para ataques químicos e biológicos.

Essa foi a grande preocupação dos organizadores franceses nos meses que antecederam o começo da Eurocopa, pois não foi necessário um grande investimento em estádios. Apenas quatro foram construídos, ao custo de € 1,1 bilhão, com € 600 milhões de investimento do poder público. Ainda houve reformas consideráveis no Vélodrome, que aumentou sua capacidade para 67 mil pessoas ao custo de € 268 milhões, sendo € 120 milhões de dinheiro do povo. O Felix-Bollaert-Delelis, em Lens, foi remodelado com um aporte de € 70 milhões do governo.

Confira os estádios que foram construídos para a Eurocopa 2016:

Allianz Riviera (Nice)

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Começou a ser construído em 2011. Tem capacidade para 35 mil pessoas. Inaugurou em Nice 4 x 0 Valenciennes, em 22 de setembro de 2013. Segundo o site da Uefa, o estádio produz três vezes a energia necessária para o seu funcionamento, com quatro mil painéis solares. Reaproveita água da chuva. Sedia o Museu Nacional dos Esportes, que se mudou de Paris para Nice. Custou € 245 milhões. Pertence ao município, que dará € 8 milhões por ano durante 26 anos para o grupo Vinci, que construiu e operará o estádio. Ainda vieram € 18 milhões de euros do Estado e € 20 milhões da região.

Stade de Lyon

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Começou a ser construído em novembro de 2013. Capacidade para 59 mil pessoas. Substituiu o Stade de Gerland. Inaugurou em 9 de janeiro de 2016, com vitória do Lyon por 4 a 1 sobre o Troyes. Custou € 400 milhões. Investimento privado. Dinheiro público foi usado apenas em obras de acesso a Décines-Charpieu, onde o estádio fica, 15 quilômetros ao leste de Lyon.

Stade de Bordeaux

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Custou 182 milhões de euros. Começou a ser construído em princípios de 2013. Inaugurou em maio de 2015, com vitória do Bordeaux por 2 a 1 sobre o Montpellier. Substituiu o antigo Stade Chaban Delmas. Capacidade para 42 mil pessoas. Teve € 75 milhões de dinheiro público, entre governos federal, regional e municipal. O Bordeaux pagou € 20 milhões de de cara e tem que desembolsar 3.75 milhões de euros anualmente durante 30 anos, o que dá € 77 milhões. A construtora Vinci e Fayat gastou € 10 milhões.

Pierre-Mauroy (Lille)

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Capacidade para 50 mil pessoas. Custou € 282 milhões. O complexo inteiro, com hotéis e restaurantes, custou € 324 milhões. Bancado em uma parceria público-privada entre o município e a empresa Eiffage, parceira até 2043, ou seja, durante 31 anos. A prefeitura pagará uma taxa anual de € 21,2 milhões de euros por ano (657,2) para a empresa privada, que cuida de tudo: design, construção, manutenção, renovação e administração. A Eiffage devolverá uma receita mínima de € 5,9 milhões por ano (182,9). O Lille comprometeu-se a pagar € 7,5 milhões por ano para usar o estádio (232,5). A região de Lille financiou € 45 milhões em equipamentos.

            R$ 1 = € 3,85

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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