França

Os três fatores que explicam o colapso da defesa do PSG de Luis Enrique

Nos últimos quatro jogos, parisienses sofreram sete gols e quase foram surpreendidos nos playoffs da Champions League

Foi no sufoco, mas o PSG se garantiu nas oitavas de final da Champions League. Entretanto, a comemoração pela comemoração deu lugar às críticas sobre o desempenho recente dos parisienses — sobretudo na defesa, cujo setor passou a mostrar rachaduras nas últimas semanas.

Nos últimos quatro jogos da temporada, a equipe de Luis Enrique sofreu sete gols, sendo quatro deles só nos confrontos dos playoffs contra o Monaco. Aliás, os 11 tentos levados na fase de liga do torneio ajudam a explicar porque o PSG não terminou no top-8.

Entretanto, se o estilo de jogo do treinador espanhol não foi alterado, o que aconteceu para os parisienses passarem a vacilar lá atrás? A resposta passa por três fatores, que somados, expõem o tamanho do problema a ser resolvido para a reta final da temporada: cansaço, desatenção e falta de confiança na reserva.

Falhas do PSG não são por acaso

Willian Pacho e Marquinhos, zagueiros titulares do PSG (Foto: Icon Sport)
Willian Pacho e Marquinhos, zagueiros titulares do PSG (Foto: Icon Sport)

Avassalador em 2024/25, o PSG conquistou todos os títulos que disputou na última temporada. Como consequência, Luis Enrique e seus comandados disputaram 65 partidas, além de outras sete no vice do Mundial de Clubes expandido da Fifa. Com as férias mais curtas, os jogadores tiveram pouco tempo para se recuperar.

O técnico de 55 anos implementou uma filosofia pautada no jogo coletivo, zelando pela pressão à defesa adversária para recuperar a posse de bola o mais rápido possível. E a intensidade contínua tem cobrado seu preço, seja com lesões, ou queda de rendimento individual.

Achraf Hakimi, por exemplo, chegou a ficar 53 dias no departamento médico dos parisienses antes de se juntar à seleção marroquina para a disputa da Copa Africana de Nações. Já a dupla Marquinhos e Willian Pacho, outrora tão confiáveis, passou a apresentar lapsos até então pouco habituais.

Matvey Safonov e Lucas Chevalier, goleiros do PSG (Foto: Icon Sport)
Matvey Safonov e Lucas Chevalier, goleiros do PSG (Foto: Icon Sport)

Falhas de posicionamento, tomadas de decisões questionáveis, erros na saída de bola e até mesmo desatenção têm colocado o brasileiro e o equatoriano sob dúvidas. Entretanto, a dupla, tão elogiada antes de 2025/26, não é a única culpada, já que o comandante espanhol determina que todos devem defender.

Como o ataque e o meio-campo também estão fadigados, a primeira linha do PSG fica sobrecarregada. Para piorar, a saída de Gianluigi Donnarumma foi um duro golpe para o sistema defensivo, principalmente porque o substituto Lucas Chevalier ainda não correspondeu, o que abriu espaço para a ascensão do reserva Matvey Safonov.

Só que a demora de meses para encontrar um goleiro confiável também atrapalhou. E quanto Luis Enrique tentou dar descanso a seus titulares na zaga, os substitutos comprometeram. Illya Zabarnyi, contratado junto ao Bournemouth, está longe de apresentar a mesma segurança dos tempos de Premier League.

Illya Zabarnyi pelo PSG (Foto: Icon Sport)
Illya Zabarnyi pelo PSG (Foto: Icon Sport)

Lucas Beraldo, por sua vez, ainda não conseguiu emplacar uma sequência mesmo em um momento de baixa de Pacho. A falta de confiança do treinador espanhol em seus reservas, que não têm provado que merecem novas chances, exige ainda mais de um sistema que sofre com a falta de energia.

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Monaco soube explorar o contexto

Ciente desse contexto, o time do Principado adotou um esquema ousado no Parc des Princes. Pautado no 3-5-2, o time de Sébastien Pocognoli aplicou uma marcação individual incessante no 1º tempo, adiantando suas linhas para não permitir que os parisienses tivessem sossego.

Não à toa, o Monaco por diversas vezes, conseguiu roubar a bola no último terço e, com velocidade, chegava com facilidade à grande área. O PSG só não foi para o intervalo com uma desvantagem superior a 1 a 0 graças à pontaria desregulada do adversário.

A tática de não permitir espaços, e muito menos contra-ataques, funcionou perfeitamente até os 13 minutos da etapa final, quando Mamadou Coulibaly recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Em vantagem numérica, os parisienses passaram a controlar o jogo e acabaram com as chances de uma reviravolta do rival.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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