Dilema no PSG pode pesar no futuro de Beraldo na seleção brasileira
Decisão sobre permanência em Paris coloca zagueiro diante do desafio de ganhar minutos, manter espaço na concorrida zaga da Seleção e não perder terreno no ciclo da Copa
Aos 22 anos, Lucas Beraldo vive um momento importante na carreira europeia. Contratado com expectativa alta pelo Paris Saint-Germain, o zagueiro brasileiro ainda não conseguiu se firmar plenamente na rotação principal da equipe — e, às vésperas da Copa do Mundo, um sonho do jogador, cada minuto em campo ganha peso dobrado.
O jornal “L’Équipe” informou que o defensor está perto de estender seu contrato com o PSG. Hoje o atual vínculo vai até o meio de 2028. A possibilidade de permanência em Paris recoloca o defensor diante de uma decisão sensível: apostar na continuidade em um ambiente competitivo ou buscar um cenário que lhe ofereça protagonismo imediato.
Desde que chegou ao PSG, Beraldo alternou atuações promissoras com períodos de banco. A concorrência direta ajuda a explicar o quadro. O equatoriano Willian Pacho se consolidou como opção prioritária pela esquerda da zaga, enquanto o experiente Lucas Hernández também já ocupou a função como alternativa.
Nesse contexto, o brasileiro viu seu espaço oscilar. São apenas 12 partidas disputadas na atual temporada — nenhuma delas na Champions League.
Ainda assim, a avaliação interna sobre o defensor segue positiva. No final de 2025, o técnico Luis Enrique destacou o potencial e as qualidades do ex-São Paulo, ao mesmo tempo em que reconheceu a dificuldade de minutos em um elenco profundo.
— Beraldo é muito jovem, mas tem muita experiência, uma personalidade. É um jogador que gosto particularmente por sua capacidade de jogar com a bola, de defender de maneira inteligente. Estou contente com ele. No momento, ele não joga todas as partidas que quer, mas é assim nesta equipe — afirmou.
Apesar das especulações recentes sobre insatisfação e possível saída, a tendência atual, segundo o renomado jornal “L’Équipe”, é de extensão contratual até 2028. O movimento indicaria confiança do clube no potencial do defensor, mas não necessariamente resolveria sua questão mais urgente: a regularidade competitiva.
Em um plantel profundo e com metas imediatas, o PSG costuma privilegiar atletas já consolidados, o que pode prolongar o papel secundário de Beraldo no curto prazo.
Beraldo na corrida por vaga na Seleção

O impacto dessa decisão se projeta diretamente na disputa por espaço na seleção brasileira, comandada por Carlo Ancelotti, mesmo no próximo ciclo da Copa do Mundo. Entre os zagueiros mais utilizados pelo técnico até aqui, Beraldo aparece em posição intermediária: duas convocações e dois jogos. O líder do setor é Marquinhos, com seis partidas em três convocações, seguido por Fabrício Bruno e Gabriel Magalhães, também frequentemente chamados.
A peculiaridade tática reforça o dilema do jovem. Marquinhos é o único defensor mais experiente e consolidado que atua preferencialmente pelo lado direito. Isso abre espaço teórico para um canhoto na zaga pela esquerda — perfil de Beraldo —, mas a concorrência inclui nomes em ascensão e com mais minutos recentes, como Gabriel Magalhães. Já Éder Militão, mesmo destro, oferece versatilidade e histórico de alto nível quando está em forma.
Assim, a decisão entre permanecer no PSG ou buscar novo destino deixa de ser apenas uma escolha de clube e passa a ser estratégica para a seleção. Em ciclos de Copa, treinadores tendem a privilegiar atletas com ritmo constante e sequência em competições de elite. Sem isso, o risco de perder terreno aumenta rapidamente — sobretudo em uma posição de forte concorrência.
Para Beraldo, portanto, a questão central não é apenas onde jogar, mas quanto jogar. A eventual renovação em Paris sinaliza prestígio institucional, porém a luta por minutos continua aberta. E, em um ano de definição de lista, cada escolha de carreira pode aproximar — ou afastar — o sonho de disputar a Copa do Mundo, não só em 2026, mas no futuro.
Todos os zagueiros já testados por Ancelotti:
- Marquinhos (PSG)
- Gabriel Magalhães (Arsenal)
- Beraldo (PSG)
- Fabrício Bruno (Cruzeiro)
- Éder Militão (Real Madrid)
- Alexsandro (Lille)
- Léo Ortiz (Flamengo) — não jogou, apenas foi convocado



