Bleus fecham ano com balanço dos mais positivos
A França terminou 2014 em alta. O ano da redenção dos Bleus se encerrou com uma vitória convincente sobre a Suécia (1 a 0), que coroa o excelente trabalho de Didier Deschamps à frente da equipe. O treinador não apenas conduziu de forma segura o processo de reconstrução da seleção como fez as pazes com a torcida, que novamente se enxergou em um time que honre a camisa e voltou a exibir o orgulho de apoiar o time.
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O ano francês termina com a sensação de dever cumprido e com as esperanças renovadas para 2015. Os Bleus mostraram que aquele espírito de luta exibido contra a Ucrânia, no jogo de volta da repescagem para o Mundial, não ficou isolado apenas naquele espaço de 90 minutos. Penetrou na alma de cada um que esteve no Stade de France, ou acompanhou a partida pela televisão. Este élan perdurou e se tornou parte indelével dos azuis. Exatamente o contrário daquela imagem da vergonha estampada com a infame greve de Knysna e todos os episódios referentes ao fiasco na Copa do Mundo de 2010.
Deschamps fez um trabalho excepcional para alicerçar esta nova França. Em 2014, a chegada às quartas de final da Copa e a queda em pé diante da futura campeã Alemanha restauraram o crédito perdido da equipe junto à opinião pública. E não foi só o prestígio com sua torcida. Os adversários também voltaram a ver os Bleus com o temor de antes. Acabou aquela história de entrar em campo diante de um bando de jogadores mais preocupados com seus interesses pessoais e com um ego do tamanho do mundo.
Em sua despedida da temporada, a França terminou o ano da maneira como começou: com vitória. Se derrotou a Holanda por 2 a 0 em seu primeiro compromisso de 2014, a equipe fechou com o 1 a 0 sobre a Suécia no Vélodrome. Ah, mas os suecos jogaram sem Zlatan Ibrahimovic e com uma formação completamente modificada, com diversas caras novas. Os Bleus também entraram em campo com um time um pouco diferente daquele considerado ideal – e deu conta do recado.
Neste balanço da temporada, a França encerrou 2014 com apenas uma derrota em 15 partidas – exatamente o 1 a 0 para a Alemanha. No total, a porcentagem de vitórias foi de 67%, o segundo mais alto dos últimos dez anos (só perde para os 71% de 2006). Foram 34 gols marcados e apenas sete sofridos. E um salto considerável no ranking da Fifa: de 18º para a 7ª colocação.
Além dos números animadores, a França teve um 2014 marcante pela mudança em sua forma de pensar. Deschamps incutiu em seus atletas a ideia de formar uma solidez coletiva, com os jogadores trabalhando uns pelos outros. Deu certo, muito por seu jeito firme de trabalhar e por sua imagem vitoriosa aliada ao trabalho árduo e constante. Qualidades indispensáveis para formar uma seleção de primeiro escalão.
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Uma filosofia de trabalho que não teve medo de deixar Samir Nasri de lado por questões disciplinares. Decisão que se mostrou precisa, como se comprovou pelas reações destemperadas do próprio jogador e de sua mulher. Nem mesmo a ausência de Franck Ribéry na Copa (e sua posterior aposentadoria da seleção) serviu para abalar a confiança dos comandados de Deschamps. Benzema e Valbuena chamaram a responsabilidade e foram fundamentais neste processo de renovação, com um espírito de liderança que tanto fez falta na Copa-2010 e na Euro-2012.
Futuro
Além do árduo trabalho de resgate da imagem mais do que carbonizada dos Bleus, Deschamps teve outra tarefa hercúlea pela frente: renovar um grupo que passava por grave crise de identidade e valores, sem confiança e respeito da própria torcida e que não conseguia encarar os grandes rivais de igual para igual como em tempos recentes. Aos poucos, o treinador encontrou soluções bastante eficazes para montar um time base, e fazer dele seu campo de experiências para desenvolver variações táticas funcionais.
Deschamps não teve medo de apostar em um trio composto pelos mais promissores jogadores franceses dos últimos tempos. E o técnico não consolidou as presenças de Varane, Griezmann e Pogba na seleção de forma atabalhoada. DD sempre correu riscos calculados. Ele sabia que podia contar com o talento dos três, já calejados em grandes clubes/ligas e com experiência adquirida nas seleções de base.
Pogba ainda precisa controlar melhor seus nervos, mas sua presença no meio-campo se tornou indispensável para a fluidez do jogo dos Bleus. Griezmann busca se afirmar, sendo uma excelente opção para o segundo tempo (e um risco para começar entre os onze). Varane, por sua vez, do alto dos seus 21 anos, tomou conta da zaga com a tranquilidade de um veterano. Nem precisou de muito para se impor como um dos pilares da equipe e da solidez defensiva dos azuis, um problema que há muito afligia a seleção.
Equipe renovada, confiança readquirida, boas promessas e um treinador bastante seguro do seu trabalho. A França aparece como uma das fortes candidatas ao título da Eurocopa-2016, no torneio que será sua grande prova de fogo. Afinal, a França sedia a competição e isso, claro, já coloca responsabilidade extra sobre os ombros da seleção da casa. Os frutos colhidos nesta temporada provam, com sobras, que os franceses estão em um caminho dos mais sólidos.


