A Fifa anunciou que irá anunciar no próximo dia 25 de junho quem irá sediar a Copa do Mundo Feminina de 2023, com quatro candidaturas no páreo. Uma delas é a do Brasil, que tenta aproveitar o fato de ter sediado a Copa masculina em 2014 e a Olimpíada de 2016, no Rio. Além do Brasil, concorrem outras três candidaturas: uma em conjunto de Austrália e Nova Zelândia; uma da Colômbia; e uma do Japão. Depois dos bons números da edição 2019, na França, sediar o evento se tornou ainda mais interessante. Por isso, pela primeira vez, há quatro candidatos a sediar o torneio e será votação aberta, e não mais uma escolha fechada da própria Fifa.

A candidatura da Austrália é uma das favoritas, com o país tendo uma estrutura pronta para uso, tanto em termos de infraestrutura quanto em termos de estádios. Além disso, a Austrália conta com uma liga feminina profissional forte e uma estrutura de esportes grande, também com todos os estádios prontos, assim como o Brasil. O Japão aproveita que irá sediar a Olimpíada de 2020 (e que foi adiada para 2021), enquanto a Colômbia tenta aproveitar a estrutura usada em eventos de base, como o Mundial Sub-20 realizado em 2011.

A escolha será feita pelo Conselho da Fifa, depois das candidaturas terem sido avaliadas pela Secretária-Geral da entidade, Fatma Samoura, que determina se todas cumpriram os requisitos mínimos. Para ter um vencedor, é preciso que uma candidatura tenha mais de 50% dos votos. Se na primeira rodada de votação não for alcançado o mínimo de mais de 50% dos votos para uma candidatura, a que tiver menos votos será eliminada e é feita nova rodada de votação. O procedimento se repete se nenhuma candidatura tiver 50% dos votos.

Há ainda a possibilidade de um empate, caso duas candidaturas tenham o mesmo número de votos em uma rodada. Será realizada uma nova rodada e, caso se repita o empate, a candidatura com melhor avaliação técnica receberá o evento.

“A Fifa continua comprometida em implantar o processo de candidatura mais abrangente, objetivo e transparente da história da Copa do Mundo Feminina da Fifa. Isso faz parte do nosso compromisso com o futebol feminino e, entre outras coisas, verá a Fifa investir US$ 1 bilhão no futebol feminino durante o ciclo atual”, afirmou em comunicado a secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura.

Como está a candidatura brasileira

A candidatura brasileira faz uso dessa experiência em sediar grandes eventos. O documento cita seis grandes eventos esportivos sediados pelo país: Copa do Mundo 2014, Olimpíadas de 2016, Jogos Pan-americanos 2007, Copa das Confederações 2013, Paraolimpíada 2016 e Copa América 2019.

O caderno da candidatura do Brasil destaca oito cidades para serem sede: Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife (com o estádio em São Lourenço da Mata, município da região metropolitana da cidade pernambucana), Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Todas elas foram sede da Copa do Mundo, em 2014 e os estádios indicados são justamente os da Copa do Mundo, o que faz com que a candidatura brasileira não precise gastar para construção dessas estruturas.

A candidatura brasileira também aproveita da estrutura usada pela Fifa em 2014 para logística e acomodações, como hotéis e centros de treinamento para as seleções, o que também se torna uma vantagem para o Brasil. O documento ainda diz que não será necessário investimento de dinheiro público para sediar o evento – algo que a candidatura para a Copa 2014, conquistada em 2007, também dizia.

Desta vez, de fato não serão necessárias obras para os estádios, embora seja bastante improvável que nenhum dinheiro público seja gasto, ainda que em quantidade muito menor desta vez, posto que a estrutura, ao menos em termos de futebol, está pronta. Talvez sejam necessários ajustes, como na Arena Pernambuco, que tem um acesso muito ruim e difícil. Ou mesmo Manaus e Brasília, que possuem estádios pouco utilizados e que quase certamente precisam de alguns retoques.

Uma das consequências do Fifagate, em 2015, foi que as candidaturas para as sedes de Copa do Mundo precisam levar em conta também direitos humanos. Por isso, o documento da candidatura brasileira traz um capítulo sobre isso, que também fala de sustentabilidade. O Brasil se propõe sediar o evento alinhado com a ISSO 2021 de sustentabilidade, além de focar nos “direitos humanos em risco devido a atividades comerciais que ocorrem no planejamento e realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2023”.

Na carta da candidatura contida no documento, assinada pelo presidente da CBF, Rogério Caboclo, é ressaltado que o Brasil seria a primeira sede sul-americana do torneio – algo que aconteceria também se a candidatura colombiana for escolhida, vale dizer. Mas chama atenção um outro trecho que fala sobre um possível legado que esta competição poderia deixar no Brasil.

“Um dos pilares do nosso legado para esta competição será a educação pelo esporte. A CBF desenvolve um programa socio-educacional, Gol do Brasil, que tem tido grande sucesso usando o futebol como uma ferramenta para promover a educação nas escolas públicas brasileiras”, diz a carta.

O dirigente também ressalta a experiência em sediar eventos. “Nossa recente forma de sediar grandes eventos esportivos também significa que a infraestrutura pelo país está em uma posição excelente. De aeroportos internacionais modernizados e completamente equipados, a hotéis completamente novos, de primeira classe, até estádios incríveis, o Brasil já tem tudo pronto com o mínimo de trabalho de construção e um custo modesto”, diz Caboclo na carta.

Os cadernos de candidatura de cada país

A Fifa disponibilizou os cadernos com as candidaturas de cada um dos concorrentes, assim como o Sumário Executivo. Você pode conferir aqui cada um deles:

Austrália e Nova Zelândia: Caderno de Candidatura / Sumário Executivo

Brasil: Caderno de Candidatura / Sumário Executivo

Colômbia: Caderno de Candidatura / Sumário Executivo

Japão: Caderno de Candidatura / Sumário Executivo