Europa

‘Game Over Israel’: O que está por trás das reuniões entre Uefa e movimento pró-Palestina

Entidade esteve próxima de aprovar saída da federação israelense em setembro, antes de cessar-fogo com Hamas

Uefa e líderes de movimento pró-Palestina se reuniram nos últimos meses para discutir um possível banimento de Israel, na figura da Associação Israelense de Futebol (IFA, na sigla em inglês), das competições organizadas pela entidade. O movimento ocorre mesmo após o cessar-fogo entre o governo israelense e o Hamas na região da Faixa de Gaza, que entrou em vigor em outubro.

De acordo com o “The Athletic”, líderes da campanha “Game Over Israel”, lançada em setembro, em Nova York, se reuniram com a Uefa para discutir os possíveis passos para o futuro da federação israelense junto ao órgão. A entidade que organiza o futebol europeu chegou a estar próximo de um voto favorável para o banimento de Israel, mas voltou atrás após o cessar-fogo entre as partes, que entrou em vigor em outubro.

As reuniões seguintes, que ocorreram mesmo com o fim temporário do conflito, discutiram as circunstâncias e os mecanismos legais que poderiam permitir o banimento de Israel das competições organizadas pela Uefa. A entidade recebeu pressão de atletas, clubes e federações nacionais da Europa ao longo do último ano, mas manteve uma postura de neutralidade, sem adotar uma posição no conflito.

A tendência, nos próximos meses, é que a Uefa continue a observar de perto a situação no Oriente Médio, mas que aguarde decisões de órgãos legais sobre a situação da IFA. Nesse momento, dois processos, com origem na Irlanda e na Suíça, podem forçar a entidade a excluir seleções e clubes israelenses de suas competições.

Torcedores de Israel em confronto com a Itália, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo (Foto: Imago)

Em 2022, em razão do conflito com a Ucrânia, a Federação Russa foi banida de competições organizadas pela Fifa, Uefa e Comitê Olímpico Internacional (COI). Movimentos contrários à guerra em Gaza pedem que as entidades tomem decisão semelhante, em virtude das Nações Unidas terem classificado a ação do governo de Benjamin Netanyahu como genocida desde setembro deste ano.

Uma das cartas enviadas à Uefa foi assinada por jogadores como Paul Pogba (Monaco) e Hakim Ziyech (Wydad Casablanca). Aleksandr Ceferin, presidente da entidade europeia, também se mostrou favorável à defesa dos interesses da Palestina ao longo dos últimos meses.

A Fifa, por sua vez, se mostrou próxima à Israel em meio à conflito, dada a relação que Gianni Infantino mantém com Donald Trump desde a reeleição do presidente dos Estados Unidos, um dos principais aliados de Israel. Além disso, o republicano também chegou a declarar, antes do cessar fogo, que tomaria as medidas necessárias para evitar a exclusão de Israel das Eliminatórias da Copa do Mundo.

Conflito entre Israel e Palestina se intensificou em outubro de 2023

Desde o pós-Segunda Guerra Mundial, Israel tem tido conflitos na região do Oriente Médio, após ter seu território demarcado. Em outubro de 2023, um ataque armado do grupo Hamas, da Palestina, resultou em mais de 1,2 mil mortos e 250 reféns de Israel. Como resposta, Israel teria matado cerca de 70 mil palestinos na região de Gaza.

Israel, mesmo que esteja localizado no Oriente Médio, no continente asiático, está afiliado à Uefa desde 1994. Vinte anos antes, a federação foi excluída da Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês), em virtude da relação geopolítica com os demais membros da região.

Por isso, disputa as competições na Europa, como Champions, Europa e Conference League. Neste ano, torcedores do Maccabi Tel Aviv foram proibidos pelas autoridades do Reino Unido de permanecer nas arquibancadas em duelo com o Aston Villa.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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